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Investimentos

TC: Oferecer tecnologia ao investidor individual diminui desigualdade

CEO do TC destaca o papel da empresa em ampliar o número de brasileiros na Bolsa com educação e tecnologia

Por Rebeca Soares

07/09/2021 | 7:00 Atualização: 08/09/2021 | 18:08

Pedro Albuquerque, CEO do TC, operando na Bolsa de Valores Crédito: Divulgação TC
Pedro Albuquerque, CEO do TC, operando na Bolsa de Valores Crédito: Divulgação TC

Com a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) realizada em julho, o TC (ex-Traders Club) movimentou R$ 606,9 milhões. Cada ação da companhia, que atua como plataforma de operações no mercado financeiro, foi negociada por R$ 9,50 com o ticker TRAD3. 

Leia mais:
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Na segunda-feira (6), os papéis da empresa fecharam a R$ 8,27, com alta de 3,25%. Em relação ao balanço trimestral, embora a receita líquida tenha quase triplicou, passando de R$ 7,8 milhões para R$ 23,2, o lucro líquido caiu 157%, de R$ 3,8 milhões para um prejuízo de R$ 2,2 milhões.

Na avaliação da companhia, a queda é reflexo do processo acelerado de crescimento que acaba impactando diretamente na estrutura das despesas. Apesar do preço das ações ter desempenhado em baixa de cerca de 38% desde a abertura, a empresa atribui o movimento ao atual cenário doméstico pouco favorável às companhias mais novas na Bolsa. Mesmo assim, o CEO do TC, Pedro Albuquerque, afirma que os investidores podem confiar no papel e que a empresa está negociando novas aquisições.

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Marcando o fim do período de silêncio, Albuquerque falou com exclusividade ao E-Investidor e destacou que o core business da empresa no mundo financeiro contribui para projeção de performance positiva. “Sabemos da responsabilidade de ser uma companhia pública com muitos acionistas. Queremos trabalhar para dar os melhores resultados para quem depositou o voto de confiança no TC”, afirma.

Além da plataforma que tem o objetivo de oferecer serviço de inteligência de mercado voltado a investidores pessoa física, o braço educacional TC School é dedicado a ampliar a educação financeira de investidores, traders, curiosos e até crianças.

Confira os principais trechos da entrevista:

E-Investidor – Quais foram os maiores desafios do processo de IPO?

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Pedro Albuquerque – O processo do IPO foi uma fase de rico aprendizado. Conversamos com grandes players do mercado, desde os próprios investidores até os maiores gestores do Brasil e analistas que contribuem com ideias para o nosso negócio. As reuniões com pessoas que investem na empresa acabam trazendo muitas ideias positivas ao longo dessa jornada de road show.

Poucas empresas do segmento conseguiram chegar ao IPO. O TC é uma das mais jovens a abrir capital, o que deu muito mais energia para todos nós. Estamos nos adaptando naturalmente porque temos um background de mercado financeiro, que é uma área familiar para o time.

Sabemos da responsabilidade de ser uma companhia pública com muitos acionistas que depositaram o voto de confiança na nossa empresa. Claro que existe uma adaptação com gasto extra de energia da equipe, mas estamos trabalhando em um fluxo não muito diferente do que já era a nossa rotina.

E-Investidor – O TC mostrou crescimento de receita no balanço do segundo trimestre. Como vocês avaliam o resultado do período?

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Albuquerque – Nosso balanço foi muito bom, tivemos um crescimento estelar com 213% na receita bruta comparado ao segundo trimestre de 2020. Além disso, houve aumento de 510% na base de assinantes, contando com a aquisição da Sencon (empresa de cálculo de IR e emissão de Darfs).

Estamos muito satisfeitos com o resultado e animados para fechar o ano e iniciar 2022 com muito mais recursos. Nossa captação foi integralmente primária, ou seja, todo o dinheiro está no caixa da empresa para gerar valor e retorno. Para o próximo período, visamos crescer com aquisições que já estão sendo planejadas, além do aumento orgânico a partir do investimento desse capital que adquirimos.

E-Investidor – Considerando a performance das ações, é provável que os investidores não tenham olhado para os resultados com bons olhos. A que você atribui a queda do preço dos papéis?

Albuquerque – Foi um movimento do mercado como um todo, está tudo em sentido de queda, especialmente as empresas que tiveram IPO recentemente, incluindo o TC. O TRAD3 inclusive chegou a ter uma cotação acima do precificado na oferta, enquanto a maioria das outras já estavam abaixo.

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A Bolsa chegou a cair 3,94% em julho, mas é resultado de problemas internos como a situação política e fiscal. É natural que as empresas que acabaram de abrir capital sejam mais voláteis, enquanto os investidores já estão mais acostumados com a dinâmica das empresas mais antigas.

Se o investidor acreditar na nossa gestão, pode esperar uma evolução na nossa plataforma nos próximos passos que esperamos refletir em resultados positivos.

E-Investidor – A pandemia gerou fortes consequências para a economia, porém muitas pessoas usaram o tempo de quarentena para aprender e começar a investir. Como vocês avaliam esse movimento?

Albuquerque – Temos investido cada vez mais em educação financeira. Ao todo, oferecemos mais de 40 cursos completos, feitos por especialistas no assunto. Parte importante de desenvolver esses projetos foi a influência da pandemia, que deixou muitas pessoas em casa. Não foi só no Brasil e esse impacto não aconteceu apenas com o TC, várias empresas do mundo on-line foram beneficiadas com a entrada de pessoas que nunca haviam operado no mercado financeiro.

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Nossa preocupação é que essas pessoas não só iniciem a experiência, mas entendam o que elas estão fazendo para termos uma base sustentável de novos investidores na Bolsa.

Um dos grandes propósitos e legados que queremos deixar para nosso País é educação financeira e a oferta de tecnologia de ponta para o investidor pessoa física operar. O que era inacessível, direcionado para grandes investidores, fazia o mercado ser muito injusto. Nosso papel é quebrar esses paradigmas e fazemos isso em alinhamento com a educação financeira.

Nossa ferramenta permite que investidores utilizem dados e conhecimento. Não é com passe de mágica, é experiência de anos. Investir é um ato contínuo, você cuida do seu dinheiro continuamente, de forma minimamente diversificada e com responsabilidade.

E-Investidor – Como surgiu a ideia do TC School, uma área mais específica focada em educação?

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Albuquerque – O TC School é a joia da coroa do TC. Cerca de 30% a 40% dos nossos usuários têm pouco conhecimento de mercado financeiro. Nos primeiros anos da nossa atuação, conversamos com um público nichado de traders e investidores profissionais. Com o tempo, vimos a entrada de pessoas que se sentiam intimidadas com a plataforma e com as discussões.

Com isso, passamos a focar no ‘TC para todos’, desde quem está mais avançado aos iniciantes e até para quem ainda não é investidor, mas deseja participar do nosso simulador ou acompanhar nossos conteúdos feitos por professores com conhecimento acadêmico e prático.

E-Investidor – Ainda nessa linha de educação financeira, vemos diversos casos de propostas que podem ser danosas aos investidores. Como diferenciar o trabalho de plataformas sérias com ciladas?

Albuquerque – Temos um trabalho sério, estamos no Novo Mercado da B3 que garante um padrão de governança corporativa. Na nossa plataforma existem diversos recursos para dar segurança, como a validação do número de celular do usuário. Caso ele tenha sido banido, não pode voltar.

Além disso, temos a parte de denúncia de conteúdos impróprios. A nossa comunidade denuncia e, com a atuação do time de moderação ativo, removemos automaticamente. No perfil dos usuários é indicado o nível de agressividade, se ele é conservador, moderado ou agressivo. Tudo isso é elaborado pelo nosso time, que é muito experiente.

É claro que existem usuários que acreditam no potencial de ofertas de pirâmide, mas a própria comunidade serve para destrinchar e eliminar esses riscos de aplicar em ativos ruins e fraudulentos.

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