Resultado do Itaú no 4T25 reforçou a leitura de consistência operacional e manteve a maioria das casas otimista com a ação, apesar de cautela pontual para 2026. (Foto: Adobe Stock)
O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou na noite de quarta-feira (4) um balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) que reforçou a leitura de consistência operacional do banco e manteve, em linhas gerais, a visão construtiva das principais casas. A XP Investimentos, a Genial e o Citi reiteraram recomendação de compra para a ação, ainda que o banco americano tenha adotado um tom mais cauteloso sobre risco e tributação. O Safra, por sua vez, defende uma visão neutra, avaliando que os múltiplos já refletem boa parte dos ganhos de eficiência do Itaú.
O lucro líquido recorrente do Itaú atingiu R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 3,7% em relação ao trimestre anterior e de 13,2% na comparação anual, estabelecendo um novo recorde e levando o retorno sobre o patrimônio (ROE) a 24,4%. O desempenho ficou, em geral, em linha ou levemente acima das estimativas do mercado financeiro, reforçando a percepção de previsibilidade e execução acima da média no setor bancário.
Na avaliação da XP Investimentos, o banco entregou “mais um trimestre sólido e em linha com as expectativas”, com ROE acima de 24% e qualidade de ativos sob controle. Para a casa, o resultado confirma que o Itaú está bem-posicionado para atravessar um ciclo mais maduro de rentabilidade.
“O guidance [projeções da própria empresa] para 2026 implica crescimento de lucro entre 7% e 9%, refletindo estabilização de margens, dinâmica de crédito mais normalizada e um ciclo de lucratividade mais maduro”, afirmam os analistas, que elevaram o preço-alvo para R$ 51 e mantiveram ITUB4 como principal escolha no setor.
Carteira de crédito e margens financeiras do Itaú no 4T25
Do ponto de vista operacional, a expansão da carteira de crédito foi um dos principais vetores do desempenho no 4T25. O portfólio total alcançou R$ 1,49 trilhão, com crescimento de 6,3% na comparação trimestral e de 6,0% em um ano.
No Brasil, o avanço foi puxado principalmente por pequenas e médias empresas (PMEs), segmento que cresceu quase 9% no trimestre, impulsionado por linhas com garantia governamental, além do crédito corporativo e do imobiliário. No varejo, cartõese financiamentos habitacionais seguiram liderando, enquanto linhas de maior risco avançaram de forma mais contida.
Essa composição ajuda a explicar o comportamento da margem financeira do Itaú no último trimestre de 2025. A receita líquida de juros (NII) somou R$ 31,5 bilhões no 4T25, alta de 0,5% frente ao trimestre anterior e de 7,3% em 12 meses. A margem com clientes permaneceu resiliente, sustentada por maiores volumes médios e melhor margem de passivos.
Em contrapartida, a margem com mercado voltou a pesar, caindo cerca de 34% tanto na comparação trimestral quanto na anual, reflexo de resultados mais fracos em trading (compra e venda de ativos financeiros em um curto período de tempo) e do custo elevado de hedge (proteção para tentar diminuir os efeitos da volatilidade sobre os ativos).
Para a Genial Investimentos, esse contraste não altera a leitura estrutural. A casa destaca que o Itaú divulgou um resultado “robustamente em linha”, com boas notícias olhando para 2026. Mesmo com a fraqueza da margem com mercado no trimestre o banco revisou positivamente oguidance 2026 desse componente para o próximo ano, apostando em um ambiente mais favorável com a perspectiva de queda de juros.
“O conjunto de premissas aponta para continuidade de crescimento de lucro, pagamento robusto de dividendos e expansão adicional da rentabilidade, mesmo em um ano eleitoral”, afirma a Genial, que reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 53.
Quais são os riscos ainda no radar?
A diversificação de receitas aparece como outro pilar do resultado. As receitas com tarifas, comissões e seguros totalizaram R$ 15,6 bilhões no trimestre, avanço de quase 6% em relação ao trimestre anterior e de mais de 9% em um ano. Gestão de recursos, assessoria financeira e corretagem, meios de pagamento e seguros compensaram a tendência estrutural de queda das receitas de conta corrente. Para o Citi, esse ponto reforça a “engenhosidade” do Itaú em sustentar crescimento mesmo em cenários de crédito mais moderado.
O banco americano manteve recomendação de compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 45,63, avaliando que o Itaú voltou a apresentar números consistentes mesmo com a margem financeira praticamente estável no trimestre.
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Segundo o Citi, o crescimento da carteira de crédito próximo de 6%, aliado ao controle de despesas, compensou pressões pontuais na qualidade dos ativos. A instituição observou leve alta na formação de inadimplênciae cobertura um pouco menor em estágios mais arriscados, mas destacou a redução das renegociações e a melhora nos atrasos de curto prazo.
Já o Safra reforçou visão neutra para a ação do Itaú. Para a casa, o resultado confirmou a trajetória crescente de rentabilidade ao longo de 2025, mas o guidance para 2026, que embute lucro implícito de cerca de R$ 51 bilhões, sugere crescimento de receitas mais limitado. Mesmo reconhecendo a disciplina de custos e os ganhos de eficiência, o Safra avalia que, aos múltiplos atuais, o espaço para uma reavaliação mais expressiva está restrito.
Perspectivas para 2026
Em termos de capital, o Itaú encerrou o trimestre com índice CET1 (Custo Efetivo Total do financiamento imobiliário, que contempla todos os valores que o banco cobra na linha de crédito, como taxas de juros e os encargos) de 12,3%, mesmo após forte distribuição de dividendos, Juros sobre Capital Próprio (JCP) e recompra de ações. O banco informou, inclusive, que pagará em 6 de março um JCP bruto de R$ 0,36975 por ação.
Para as casas, a posição de capital confortável apresentada no balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) reforça a capacidade de o Itaú Unibanco (ITUB4) seguir remunerando acionistas e atravessar 2026 com flexibilidade.