Recursos aplicados em CDBs avançaram em 2025. Foto: Adobe Stock
As aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) tiveram uma alta anual de 27,7% em 2025 e atingiram R$ 1,33 trilhão com adesão de investidores do varejo tradicional e da alta renda. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Segundo Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, a combinação de Selic elevada com a oferta crescente de instrumentos estruturados e bancários manteve a renda fixa em posição de destaque. “Classes como os isentos e os CDBs avançaram de forma consistente, sustentadas pelo aumento do volume distribuído e pela presença cada vez maior desses produtos nas estratégias das instituições”, afirma.
Profissionais do mercado financeiro apontam diferentes motivos para o crescimento das aplicações em CDBs. O primeiro deles está relacionado à rentabilidade. Mesmo com a incidência de Imposto de Renda (IR), os CDBs oferecem um retorno maior do que a poupança, que atualmente paga 0,50% ao mês mais a Taxa Referencial (TR).
Soma-se a isso o aspecto da facilidade. Hoje os CDBs podem ser encontrados por meio das plataformas de investimento, com opções de liquidez diária, valores mínimos baixos para aplicação e garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), características que reduzem a percepção de risco e aproximam o produto da simplicidade da poupança.
Os CDBs também estão atrelados a muitas “caixinhas”, ferramentas que se popularizaram nos bancos e ajudam a separar dinheiro por metas. Nesta reportagem, mostramos as opções com maior rentabilidade do mercado.
Para Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, embora o CDB venha ganhando popularidade, há um fator cultural que aproxima a poupança do brasileiro. “A caderneta ainda tem um apelo forte, especialmente do público que não possui o hábito de investimento e que, muitas vezes, conhece apenas a poupança. Penso que a migração para outros produtos será um processo gradual”, diz.
A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, estudo realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha, mostrou que a poupança ainda é o produto mais citado pelos investidores. Entre as mulheres, 69% mencionaram a caderneta. Entre os homens, a poupança também ocupa o topo do ranking, mas com percentual menor, de 54%. A pesquisa ouviu 5.832 pessoas em todas as regiões do País entre os dias 4 e 21 de novembro de 2025.
Poupança versus CDBs: as principais diferenças
A rentabilidade dos CDBs pode variar e estar associada a diferentes indexadores. Há opções atreladas ao CDI ou ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), além dos títulos prefixados.
Um levantamento da Quantum Finance, com dados de fevereiro de 2026, indica que alguns CDBs chegam a pagar mais de 100% do CDI, enquanto papéis atrelados à inflação atingem remuneração próxima de IPCA + 9% ao ano, a depender do prazo. Em prefixados de vencimento mais longo, a rentabilidade alcança 15,6%.
Publicidade
Enquanto isso, a remuneração da poupança depende da Selic. Quando a taxa básica de juros está acima de 8,5% ao ano, o rendimento da caderneta corresponde a 0,5% ao mês mais a variação da TR. Quando a Selic está igual a ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança equivale a 70% da Selic mais a variação da TR.
Em geral, mesmo com a cobrança do IR – tributação que a poupança não sofre –, os CDBs oferecem maior retorno, especialmente em cenários de juros elevados e prazos mais longos.
Ainda na questão de rendimento, outra vantagem dos CDBs envolve a rentabilidade diária. A remuneração da poupança, por sua vez, só é creditada a cada 30 dias, na chamada data de aniversário da aplicação. Caso o investidor resgate o valor antes disso, ele perde os juros do período.
Publicidade
Já no quesito de segurança, tanto a poupança quanto o CDB contam com a proteção do FGC. O mecanismo garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Como escolher um CDB?
O primeiro passo consiste em analisar a instituição emissora. Como os CDBs são instrumentos de captação de recursos dos bancos, taxas de rendimento muito elevadas tendem a traduzir maior risco.
Gabriel Nakaya, research de crédito e renda fixa na Nord Investimentos, recomenda atenção com os resultados do banco emissor. “Particularmente, gosto de olhar a dinâmica de crescimento da carteira de crédito. Crescimento muito acelerado pode indicar uma flexibilização nos critérios de concessão e, consequentemente, culminar em deterioração na qualidade do portfólio”, destaca.
A composição desse portfólio também ganha importância, em relação ao segmento de clientes e aos riscos de cada um. Nakaya explica que, se a carteira de crédito do banco for composta majoritariamente por empresas, o risco de inadimplência tende a ser menor. Já carteiras mais concentradas em pessoa física costumam apresentar maior risco.
Como indicadores de eficiência, ele gosta de analisar o lucro líquido e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), indicativo de rentabilidade. Outro bom indicador de saúde financeira é o Índice de Basileia (IB). Quanto mais alto for esse índice, maior será a capacidade da instituição para absorver perdas. O Banco Central determina que, para ser considerado saudável, um banco deve ter um Índice de Basileia de no mínimo 10,5%.
Publicidade
Após avaliar a instituição emissora, o investidor deve observar o prazo do produto e o indexador, verificando se estão alinhados aos seus objetivos, ao nível de previsibilidade desejado e à tolerância a oscilações no preço.
Além disso, instituições que tiverem captações garantidas pelo fundo superiores a dez vezes o patrimônio líquido ajustado deverão aplicar o excedente em títulos públicos, ativos considerados seguros pelo mercado.
Na avaliação de André Trein, CIO e sócio do Clube do Valor, com as novas regras do FGC, as instituições mais alavancadas – que, em geral, são as que oferecem as maiores taxas – precisarão aumentar suas contribuições ao fundo, o que desincentiva a captação a partir de certo nível de alavancagem do banco.
“Com isso, a tendência é que as taxas muito elevadas de captação se tornem mais raras ou até desapareçam”, afirma Trein.