Ao mesmo tempo, os títulos do TD vêm operando com taxas nas mínimas do ano, reflexo direto do início do ciclo de cortes da Selic, que saiu de 15% para 14,75% ao ano na reunião de março.
“Esse movimento de fechamento de curva é sustentado por dois fatores principais: a sinalização do Banco Central de que manterá o ritmo de flexibilização monetária, com o mercado projetando Selic a 12,50% ao final do ano segundo o Focus, e o alívio geopolítico após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que reduziu a pressão inflacionária global ligada ao petróleo“, explica André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Matos ainda acrescenta que, em março, o estresse foi tão agudo que o Tesouro Nacional precisou realizar leilões extraordinários de recompra da ordem de R$ 21 bilhões para restabelecer a liquidez do mercado secundário.
“Quem olha para o Tesouro Direto hoje precisa entender que o grande direcionador das taxas daqui para frente será a velocidade com que o Copom vai conduzir os próximos cortes e como o cenário externo, que ainda carrega incertezas no Oriente Médio, pode afetar a curva de juros e a percepção de risco no Brasil”, explica o CEO da MA7 Negócios.
Tesouro Selic
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Tesouro IPCA+
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios relevantes. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,07% e 6,82%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,15% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,74% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,71%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 6,95% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.