Genial avalia que execução segue consistente, mas valorização recente eliminou o desconto que sustentava a recomendação de compra. (Foto: Adobe Stock)
Apesar de um quadro operacional sólido no quarto trimestre de 2025, a Genial Investimentos avalia que a Vale (VALE3) já negocia muito próxima do seu valor justo. A casa mantém uma leitura construtiva sobre a execução e a estratégia da mineradora, mas entende que o forte rali recente praticamente eliminou o desconto que sustentava a recomendação de compra, limitando o potencial adicional de valorização no curto prazo. Agora, a casa rebaixou a companhia para “manter”, após mais de 3 anos sem alterações.
Na prévia operacional do 4T25, os analistas destacam que a produção de minério de ferro deve recuar na comparação trimestral, para 89,3 milhões de toneladas, refletindo um movimento sazonal típico do início do período chuvoso. Ainda assim, o desempenho anual segue positivo, com crescimento de 4,8% na base anual, sustentado pelo avanço dos projetos de S11D, no Pará, e Capanema, em Minas Gerais. Segundo a Genial, trata-se de “um back trend [tendência de volta] sequencial normal, após um terceiro trimestre mais forte”, sem comprometer o cumprimento do guidance (projeção da empresa sobre o desempenho futuro) anual da companhia.
Do lado comercial, o trimestre deve mostrar aceleração nos embarques, estimados em 76,2 milhões de toneladas, impulsionados principalmente pela conversão de estoques acumulados ao longo do ano. Para os analistas, esse movimento ajuda a reduzir o descompasso entre produção e vendas observado anteriormente, quando volumes relevantes ficaram concentrados em portos chineses.
A expectativa é que esse “gap entre produção e embarques se estreite”, à medida que o fluxo logístico se normalize.
Preços realizados impulsionam resultado
A Genial estima que o minério de ferro seja vendido, em média, a US$ 95,7 por tonelada, apoiado pela recuperação do benchmark (ponto de referência) de 62% de teor de ferro. Esse avanço, no entanto, é parcialmente compensado por um prêmio ligeiramente negativo, refletindo um ambiente menos favorável para produtos de maior valor agregado no trimestre.
No segmento de pelotas, o cenário segue mais desafiador. A produção e os embarques devem permanecer praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior, mas com forte queda na comparação anual. A leitura da Genial é que a Vale mantém uma postura deliberadamente conservadora nesse mercado, priorizando a preservação de margens em um contexto de prêmios historicamente deprimidos e demanda fraca na Europa e no Japão.
Como resume o relatório, “a ausência de um ramp-up [aumento gradual] sazonal reforça a estratégia de disciplina de oferta em um mercado estruturalmente menos atrativo”.
Nos metais básicos, o desempenho é misto
No níquel, apesar do aumento dos embarques no fim do ano, os preços seguem pressionados por um cenário de excesso de oferta global, especialmente vindo da Indonésia, o que mantém as margens comprimidas.
Em cobre, por outro lado, o trimestre deve ser mais favorável: a produção e as vendas avançam na base trimestral, enquanto os preços realizados sobem de forma relevante, acompanhando a valorização da curva da LME. Para a Genial, o cobre continua sendo “o principal vetor positivo dentro da divisão de metais básicos”, ajudando a sustentar os resultados consolidados.
Com esse conjunto de fatores, a casa projeta uma receita líquida de US$ 11 bilhões no 4T25, crescimento tanto trimestral quanto anual, e um Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) proforma de US$ 4,6 bilhões, com margens praticamente estáveis em torno de 42%. O lucro líquido estimado é de US$ 2,5 bilhões, menor que no trimestre anterior, mas revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2024.
Publicidade
A Genial ressalta que suas premissas para o preço do minério seguem mais conservadoras do que o consenso, com projeções abaixo dos níveis atuais de mercado.
Diante de um balanço global ainda pouco favorável entre oferta e demanda e de estoques elevados, os analistas preferem trabalhar com uma curva de preços com viés mais cauteloso. Nesse contexto, o papel passa a negociar muito próximo do valor intrínseco estimado.
Por isso, mesmo com a revisão para cima do preço-alvo (para US$ 17 por ADR em Nova York e R$ 90 por ação na B3) a recomendação foi rebaixada para neutra, já que o potencial de valorização implícito é de apenas cerca de 5%.
Como destaca o relatório, “o recente rali neutralizou praticamente todo o upside que víamos anteriormente”.
A Genial faz questão de frisar que essa mudança não representa uma visão negativa sobre a empresa. Pelo contrário, a avaliação é de que a Vale segue bem posicionada estrategicamente, com execução consistente, melhora gradual na geração de caixa e compromisso reforçado com a remuneração ao acionista.