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Mercado

Por que ações de aviação sofrem mais com nova variante do coronavírus

Bolsas se deterioraram no mundo por causa de nova cepa do coronavírus, identificada na África do Sul

Por Isaac de Oliveira

26/11/2021 | 19:02 Atualização: 26/11/2021 | 19:10

As ações do setor de aviação e turismo foram as que mais sofreram na bolsa brasileira com notícia de nova cepa do coronavírus (Foto: Envato Elements)
As ações do setor de aviação e turismo foram as que mais sofreram na bolsa brasileira com notícia de nova cepa do coronavírus (Foto: Envato Elements)

A informação de que uma nova cepa do coronavírus foi descoberta na África do Sul, definida como uma “variante de preocupação” pela Organização Mundial de Saúde (OMS), provocou uma queda generalizada das bolsas de valores mundiais nesta sexta-feira, 26. No Brasil, quase todos os papéis que formam o Ibovespa fecharam o dia em baixa, levando o índice a amargar uma queda de 3,39%, aos 102.224,26 pontos, perdendo os ganhos obtidos nos três últimos pregões.

Leia mais:
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As ações do setor de aviação e turismo foram as que mais sofreram no dia. Os papéis de Azul (AZUL4) ficaram com a maior queda diária do Ibovespa, de 14,18%, seguidos pelas ações de Gol (GOLL4) e CVC (CVCB3), com desvalorização de 11,81% e 11,06%, respectivamente. Os papéis da Embraer (EMBR3) ficaram com a sexta pior marca do dia, um recuo de 8,41%.

Especialistas ouvidos pelo E-Investidor veem o pânico como uma reação imediatista, mas não descartam que o cenário possa piorar em breve, a depender da divulgação de mais informações sobre a variante batizada de Omicron. O temor generalizado nos mercados decorre da possibilidade da volta de medidas de restrição de circulação, o que interromperia a retomada econômica dos países.

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Evandro Bertho, sócio-fundador da Nau Capital, explica que o movimento de queda é generalizado, devido ao temor que contaminou o humor dos mercados, não ficando restrito a um ou poucos setores. Mas ele reconhece que tudo o que é associado a turismo e viagem, com restrições potenciais, destroem o valor das companhias desses segmentos.

Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, concorda e afirma que as ações ligadas ao turismo são as que mais sofrerão. “O setor vinha se recuperando bem, sobretudo nos últimos três meses. Lá fora, já se tem uma vacinação mais avançada, o que faz com que os países recebam novos visitantes”, diz Franchini.

Alan Gandelman, CEO da Planner Corretora, acredita ser difícil a bolsa brasileira retornar ao cenário de 2020, quando a bolsa chegou a cair mais de 10% em um dia e atingiu os 63.569,62 pontos. Mas se aparecer um vírus para o qual as vacinas não são eficazes, tudo pode acontecer de novo, admite. “Se isso acontecer, as empresas que mais serão afetadas são as do setor aéreo e o de turismo, porque, com lockdown, as fronteiras são fechadas e ninguém vai para lugar nenhum”, observa.

Quais ações podem sofrer mais?

Em sessões recentes, os papéis de Gol, Azul e CVC conseguiram alguma recuperação. Na quinta (25), Gol teve a maior alta diária do Ibovespa, um avanço de 9,69%. CVC, por sua vez, teve a terceira maior marca da mesma sessão sessão: 6,87%.

Por conta disso, Gandelman explica que existe espaço para investidores de posse dessas ações realizarem lucros e os papéis sofrerem queda, ainda mais neste cenário de incerteza que se desenhou com o temor pela nova variante. “A Gol sofre um pouco mais porque ela é menos regionalizada. A Azul tem uma vantagem porque ela tem aviões, em sua grande maioria, da Embraer, aviões pequenos, mais baratos e com custo de pouso e decolagem mais baratos. Além disso, ela consegue entrar em alguns aeroportos onde só ela pousa. Então ela tem uma vantagem um pouco maior se voltarmos ao cenário de fechamentos”, diz Gandelman.

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Para piorar a situação das aéreas, os pilotos e comissários de bordo decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira (29). Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa funcionários de Gol, Latam, Azul, ITA, Voepass e Latam Cargo, 50% desses trabalhadores deverão parar por dia para manter parte dos voos operando.

“Se tem dez voos por dia do Rio para Salvador, por exemplo, e esse número cai para cinco, com certeza vão ter cinco que serão realocados em outros dias, outras datas ou reembolsados. E isso vai afetar as aéreas, como também a CVC, porque vai ter pacotes de viagem devolvidos pelas pessoas que vão acabar não viajando”, acrescenta Gandelman.

É hora de desistir dos papéis?

Para Bertho, da Nau Capital, ainda é cedo para qualquer tomada de decisão “muito radical”. “Mas os mercados precisam ajustar (os preços). O nível de incerteza contamina os mercados e é razoável que haja um novo ambiente de preços, até que as informações saiam e tragam um pouco mais de subsídio para tomada de decisão”, explica Bertho.

Por ora, o gestor afirma não ter uma sugestão objetiva de venda e diz que esse comportamento de instabilidade no preço dos ativos acontece com um nível de periodicidade mais frequente do que se imagina. “Quando um indício se manifesta, com mais ou menos robustez, o mercado acaba fazendo a correção (dos preços) para que, caso este aspecto se desdobre em algo mais substancial, o preço estará relativamente contemplando neste cenário”.

 

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