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Ações da Azul (AZUL4) derretem 45% em um ano. É hora de vender?

Com o recente reajuste no querosene e a desaceleração da economia, a recuperação na bolsa segue fora do radar

Por Daniel Reis

03/05/2022 | 14:04 Atualização: 03/05/2022 | 15:28

Foto: Sergio Moraes/Reuters
Foto: Sergio Moraes/Reuters

As ações da Azul (AZUL4) cravaram o pior desempenho no Ibovespa de segunda-feira (3), com queda de 7,19% no pregão.

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No acumulado dos últimos 12 meses, os papéis já derreteram 45,05%. Com novos reajuste no querosene de aviação (QAV) e a desaceleração da economia global, é possível que a companhia aérea não se recupere tão cedo na Bolsa.

O setor vive complicações desde o início da pandemia, quando a tendência da empresa “deixou de trilhar um ritmo de crescimento para virar sobrevivência”, diz Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos. Para ele, o investidor de Azul também precisa colocar a alta do dólar no radar.

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A valorização da moeda americana impacta diretamente nas dívidas da empresa, já que grande parte dos débitos da Azul é dolarizado. Como o momento é de aversão ao risco, com investidores evitando posições em mercados considerados arriscados, a realidade do câmbio não deve mudar no curto prazo. Nas últimas semanas, o real vem se depreciando em relação à moeda americana. Na segunda-feira (2), por exemplo, o dólar voltou a ultrapassar os R$ 5 pela primeira vez em mais de um mês.

Nesta semana, a Azul também entregou um formulário à Comissão formulário entregue à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), destacando que os custos da moeda devem subir ainda mais com as incertezas globais, a exemplo dos gastos com combustíveis.

A questão geopolítica também representa um grande problema para a companhia. A guerra entre Ucrânia e Rússia fez o preço do petróleo disparar e deixou a operação mais cara e inviável. O Petróleo Brent valorizou 36,58% desde o início do ano.

Fabio Louzada, economista e analista CNPI, recorda a queda na demanda durante a pandemia. “As viagens corporativas, muito lucrativas para as empresas aéreas, também caíram nos últimos dois anos. O problema é que esse é um movimento que veio para ficar”, diz.

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Neste sentido, as preocupações quanto à desaceleração da economia global também interferem no desempenho das ações. Para Bruna Sene, analista da Nova Futura Investimentos, somada à inflação elevada e a perda de poder de compra das famílias, essa desaceleração acabará acarretando em uma expectativa de menor demanda para o setor. “Isso explica o movimento de queda nas ações em movimentos pontuais, como ontem, mas também nesse último ano”, explica Sene.

Compra ou vende?

A recomendação de Louzada é de cautela, diante das decisões do Copom, que deve subir os juros em 1 ponto percentual na reunião da quarta-feira (4). Para o analista, é possível que a taxa de juros no Brasil continue subindo até o fim do ano.

“Sempre que os juros sobem, há impacto na bolsa porque muitos investidores saem de ativos mais arriscados para buscar rendimentos com juros mais altos. Esse é um momento de cautela e estamos em ano de instabilidade política com eleições”, afirma.

Diante das incertezas, Bruna Sene descarta a compra das ações da companhia para o investidor com visão de médio e longo prazos. “Esse tipo de ação carrega um maior risco e precisa ter um perfil um pouco mais arrojado. No entanto, pode ser uma oportunidade para trade, que opera no curto prazo”, fiz.

Há também quem enxergue nas baixas dos papéis uma oportunidade. “Preferimos a Azul frente à Gol (GOLL4). Temos recomendação de compra da Azul e neutra para a Gol em razão das estratégias da companhia que permitem terem tarifas médias maiores e a regionalização [das frotas de voos], que vão além do eixo Rio-São Paulo e Brasília, onde a concorrência é maior”, avalia Ilan Arbetman.

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