Segundo o Citi, o portfólio de crédito da fintech brasileira ainda é pequeno, com participação de apenas 0,5% no mercado de pessoas físicas, mas aoferece amplo espaço para expansão. O banco de investimentos projeta crescimento acelerado da carteira, sustentado por um mix equilibrado entre crédito com garantia e sem garantia e pela ampliação da oferta de produtos à base atual de clientes.
Esse movimento, por outro lado, deve ser acompanhado pelo aumento das provisões para absorver o crescimento previsto da inadimplência. Ainda assim, os analistas do Citi avaliam que o PicPay tem condições de amenizar o impacto desse aumento de custo.
“Receitas de tarifas com baixo consumo de capital (asset-light) provenientes de produtos como serviços transacionais, seguros e investimentos, combinadas com um menor custo de atendimento, devem contribuir positivamente para os ganhos de alavancagem operacional, resultando em margens e rentabilidade mais elevadas”, avalia o Citi.
Além disso, a ausência de uma rede física de agências e uma plataforma operacional madura, que não exige grandes investimentos, viabilizam a manutenção de custos fixos baixos, o que sustenta níveis de rentabilidade atrativos aos investidores. “Esperamos um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) de 20% em 2026 e de 31% em 2027, sustentando uma forte criação de valor a partir de spreads elevados entre ROE e custo de capital (Ke)”, destacou o Citi.
Ainda assim, o Citi não enxerga espaço de remuneração aos acionistas no curto e médio prazo.
O PicPay estreou na Bolsa de tecnologia Nasdaq no fim de janeiro, sendo a primeira companhia do País a abrir capital nos Estados Unidos desde 2021. A oferta foi precificada a US$ 19 por ação, no topo da faixa indicativa, e captou US$ 434 milhões no lote base. A demanda pelos papéis foi cerca de 12 vezes superior ao volume ofertado, o que abriu espaço para o exercício do lote adicional e levou a captação potencial para perto de US$ 500 milhões. Veja os detalhes nesta reportagem.