Para 2024, no entanto, nem tudo parece perdido. A inflação, que diminui o poder de compra das famílias e impacta nas vendas das varejistas, está arrefecendo. Ao mesmo tempo, a taxa de juros do País que ficou estacionada em seu pico de 13,75% já começou a ser reduzida. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano, mas a projeção é que a taxa caia para 9,25% ao final do próximo ano, segundo o Boletim Focus.
A combinação de juros e inflação menores pode dar um alívio para o varejo.
“O ano de 2024 começa muito mais positivo do que 2023 para o varejo brasileiro”, diz José Eduardo Daronco, analista da Suno Research. “Ao que tudo indica, a Selic deve continuar em trajetória de queda, em razão da inflação estar controlada. Além disso, a inadimplência atingiu seu ápice no terceiro trimestre, de modo que os bancos irão retomar a originação de crédito, impactando positivamente o consumo.”
A perspectiva de juros menores joga a favor dos números das varejistas, dado que reduz o custo da dívida daquelas companhias mais alavancadas. Tudo isso enquanto a população também amplia seu acesso ao crédito, estimulando o consumo e impulsionando empresas do setor de varejo, bens de consumo e serviços.
Mas, assim como aconteceu em 2023, a análise micro também será importante. Para Vitorio Galindo, analista de investimentos CNPI e head de análise fundamentalista da Quantzed, nem mesmo a melhora macro vai ser suficiente para fazer algumas ações do varejo se recuperarem.
“Aquelas varejistas que estão estranguladas, com a estrutura de capital totalmente errada, super alavancadas e com despesa financeira lá em cima, o macro não vai resolver o problema. É bom, sim, de maneira geral, mas não dá para generalizar totalmente e falar que todas vão ter um bom desempenho”, alerta.
Nesta outra reportagem de outubro, adiantamos que, dentro do varejo, parece ter um subgrupo que é visto com mais otimismo pelos grandes bancos. São aquelas empresas ligadas à alta e média renda, como Vivara (VIVA3), Arezzo (ARZZ3) e Renner (LREN3). Veja aqui as recomendações.