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Mercado

Spiti: “A demanda pela democratização do BDR ficou gritante com a pandemia”

A especialista de investimentos globais explica os benefícios para pequenos investidores

Francine Balbina, analista de investimentos globais da Spiti, casa de análise independente (Foto: Divulgação Spiti)
  • Os BDRs consistem em lastros de valores mobiliários de outros países. Esses títulos são como certificados que “espelham” ações ou fundos de índices (ETFs) negociados no Exterior, por exemplo
  • Desse modo, eles evitam a obrigatoriedade de possuir conta em corretoras estrangeiras para ter acesso aos papéis de grandes companhias internacionais
  • A democratização dos BDRs também ajuda na diversificação de portfólios. Afinal, ter uma carteira plural depende de opções de escolhas, ainda mais em um período de crise, que derrubou os juros e a rentabilidade de muitos investimentos

O mercado de capitais brasileiro vibrou com o anúncio da tão aguardada atualização das regras dos BDRs, os Brazilian Depositary Receipts, feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A expectativa agora é uma expansão da oferta de novos produtos, que deve beneficiar os pequenos investidores no País.

O E-investidor ouviu a especialista de investimentos globais Francine Balbina, da Spiti, casa de análise independente, sobre as mudanças feitas pelo órgão regulador após meses de discussão e uma audiência pública movimentada, que durou de meados de dezembro de 2019 até o fim de fevereiro de 2020.

“Já era uma demanda do mercado e ficou ainda mais gritante com a pandemia”, destaca Balbina.

Os BDRs consistem em lastros de valores mobiliários de outros países. Esses títulos são como certificados que “espelham” ações ou fundos de índices (ETFs) negociados no exterior, por exemplo. Ou seja, eles evitam a obrigatoriedade de possuir conta em corretoras estrangeiras para ter acesso aos papéis de grandes companhias internacionais.

O problema é que eles só estavam disponíveis para investidores qualificados, com alguma certificação ou no mínimo R$ 1 milhão em patrimônio investido. Com as novas regras da CVM, a partir de 1º de setembro, as pessoas físicas também terão o direito de acessar esses produtos.

A democratização dos BDRs também ajuda a concretizar a máxima levantada por qualquer fonte que acompanha o mercado de investimentos, que é a diversificação de portfólios. Afinal, ter uma carteira plural depende de opções de escolhas, ainda mais em um período de crise, que derrubou os juros e a rentabilidade de muitos investimentos utilizados pelo investidor comum, como a renda fixa e a poupança.

Confira a seguir a entrevista com a especialista da Spiti, que tira as principais dúvidas sobre essa modalidade de investimentos.

E-Investidor: Quem ganha como a nova regra dos BDRs?

Francine Balbina: O investidor de varejo ganha muito com isso porque está abrindo um novo caminho para esse investidor comum acessar outros setores, outros mercados e outras regiões para diversificar a carteira.

O pequeno investidor não podia comprar BDR e alocar em fundos que invistam 100% no exterior. Ele ficava excluído de um setor, como o de tecnologia, que a gente não tem [com grande peso] na nossa bolsa. Para ter acesso e investir em empresas estrangeiras, o investidor precisa abrir uma conta fora do País. O problema é que isso gera uma dificuldade tributária.

O mercado aguardava muito por isso?

Já era uma demanda do mercado e ficou ainda mais gritante com a pandemia. Nossa bolsa é [formada em maior parte pelos setores de] commodity e financeiro. A gente viu, inclusive, a criação de vários produtos, fundos de investimentos com foco em tecnologia, porque existe essa demando do investidor.

O que muda com as novas regras?

Abre caminho para uma gama maior de produtos, como a listagem de mais ETFs, que são fundos de índices. Na B3, são cerca de 20 – no exterior, mais de sete mil. Nos Estados Unidos, por exemplo, são mais de 3 mil. Agora se dá acesso ao exterior pelo varejo e evita que um número grande de investidores abram contas em corretoras estrangeiras para investir em um mercado diferente.

Quais serão os custos para os investidores?

Os BDRs são negociados na bolsa. Algumas corretoras cobram taxa de custódia, outras cobram taxa de corretagem. No caso dos BDRs, além esses players há os patrocinadores, que trazem esse produto para o Brasil. Isso significa que cada um dentro dessa estrutura vai cobrar o seu preço. É por esse motivo que muitos BDRs são caros no País.

Precisamos aguardar e ver como as taxas serão cobradas. Olhando o mercado financeiro brasileiro pelo número de investidores na bolsa e nas corretoras, com certeza vai existir uma pressão por redução de taxa.

O mercado brasileiro terá mais liquidez?

Eu não diria mais liquidez, porque os BDRs são certificados dessas ações. A pessoa física não pode pegar um dividendo da Apple e achar que o dividendo do BDR será igual. Você não está comprando a ação, mas um certificado.

Como investir nesses produtos?

Você compra BDR da mesma forma que compra uma ação. Basta entrar no home broker [a plataforma] da sua instituição financeira, colocar a sigla do título e comprar o BDR como se estivesse comprando uma ação de qualquer companhia listada. O investidor vai comprar uma BDR de Apple como se fosse uma ação da Petrobras, por exemplo.

E o que muda na rentabilidade do investimento?

A rentabilidade é menor porque será diluída de acordo com esse certificado. Não dá para comparar quem abre uma conta em uma corretora norte-americana e compra uma ação de Amazon, com quem compra uma BDR da Amazon aqui na B3. O investidor não vai ter o mesmo valor de dividendo.

Qual é a vantagem então de investir no BDR se a rentabilidade é menor?

O benefício de comprar através da B3 é que o investidor não precisa se dar ao trabalho de abrir uma conta em uma corretora estrangeira. Não são todas que abrem conta para não residentes. Além disso, há questões tributárias para declarar. Dividendo é tributado nos Estados Unidos em 30% e aqui não é dessa forma. A vantagem é ter todas essas questões de facilidade de acesso, de respaldo do regulador local e de tributação que não teria se abrisse uma conta no exterior.

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