A guerra com o Irã entrou no quinto dia, ainda sem sinais concretos de arrefecimento. A continuidade dos confrontos mantém o mercado em alerta, sobretudo pelo risco de interrupções na oferta de petróleo, o que tende a pressionar a inflação global. Por outro lado, reduzindo parcialmente os temores de uma escalada geopolítica envolvendo outras potências, o parlamento da China sinalizou a intenção de preservar relações estáveis com os Estados Unidos antes da cúpula prevista entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente norte-americano Donald Trump nas próximas semanas.
Em outros mercados, o dólar apresenta leve queda frente a outras moedas relevantes, movimento que sugere alguma acomodação após a recente busca por proteção. Já os rendimentos dos Treasuries avançam moderadamente, refletindo a cautela dos investidores e a reprecificação das expectativas para juros e inflação. O ouro, tradicional ativo de proteção em momentos de incerteza, volta a se valorizar.
Entre as principais commodities, os contratos futuros de petróleo seguem em alta, próximos de US$ 84 por barril. O avanço ocorre mesmo após uma valorização acumulada de cerca de 12% em apenas dois dias, o maior ganho desde 2020. No mercado asiático, os preços futuros do minério de ferro subiram 0,40% na madrugada, negociados a US$ 108,97 por tonelada em Dalian, importante centro de negociação da commodity na China.
A melhora do ambiente externo tende a favorecer o mercado doméstico, especialmente depois de um pregão em que as empresas listadas na B3 perderam mais de R$ 165 bilhões em valor de mercado.
No cenário local, os vetores domésticos seguem no radar dos investidores e devem influenciar a chamada curva a termo — estrutura que mostra as taxas de juros projetadas para diferentes prazos no mercado futuro.
O ambiente fiscal continua sendo um dos principais direcionadores. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, defendeu o fim da escala 6×1 (modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias e descansa um) sem redução salarial. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu maior engajamento da população nas discussões econômicas, reforçando a importância do debate sobre as contas públicas.