A Petrobras terminou a sexta-feira com valor de mercado de R$ 629,9 bilhões, segundo a ferramenta Visão Empresa, da Broadcast. A ação ON tombou 5,31% e a PN cedeu 4,86%. Os papéis computam alta de 18,91% e 17,52% desde 27 de fevereiro, última sessão antes do início da ofensiva americana no Oriente Médio.
De lá para cá, até ontem, o valor de mercado da companhia escalou R$ 131,7 bilhões, o equivalente à soma do market cap de duas companhias juniores do setor – a Brava (BRAV3) e a Petrorecôncavo (RECV3). Desconsiderando a queda desta sexta-feira, a alta acumulada ainda era de R$ 97,6 bilhões.
Entre as grandes petroleiras globais, a Petrobras também foi a vice-líder nos maiores ganhos em valor de mercado em dólar, segundo a plataforma Companhies Market Cap, atrás apenas da americana ConocoPhillips.
Mesmo com a queda de hoje, analistas dizem que o apetite pela Petrobras segue em alta. Os preços do barril do petróleo caíram bastante, mas permanecem em níveis mais altos que antes da eclosão da guerra. E as incertezas quanto ao futuro do conflito ainda são grandes.
“A Petrobras segue sendo uma empresa lucrativa. O que vai acontecer é que o preço vai voltar para os períodos pré-guerra, provavelmente em torno dos R$ 40”, diz o analista da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo. No horário mencionado acima, a ação ON estava cotada em R$ 50,96 e a PN, em R$ 46,29.
“Hoje o mercado não está punindo a Petrobras. Está apenas lembrando que petróleo não sobe em linha reta e é extremamente sensível aos riscos geopolíticos”, acrescenta a CEO da SHS Investimentos, Adriana Ricci.
Ela pontua que o preço do barril do Brent entre US$ 80 e US$ 90 ainda é altamente lucrativo para a companhia.
Queda do Brent é positiva para a tese da Petrobras
Além de alterar o faturamento e a margem da Petrobras, a queda do petróleo pode ser marginalmente positiva para a companhia em termos de pressão governamental. Caso a trégua no Oriente Médio se estenda, a tendência é de baixa nos preços dos combustíveis. Isso, na visão de uma parcela do mercado, abre a possibilidade de menor ímpeto intervencionista do governo na estatal.
“No médio prazo, a queda do Brent é positiva para a tese da Petrobras. Petróleo mais baixo tira o governo do radar e isso também costuma ser positivo para o acionista”, diz Ricci, da SHS.
Por outro lado, o head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, cita a recente demissão do diretor Claudio Schlosser após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamar do ágio de um leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) como evidência de que o risco da estatal em ano eleitoral ainda é alto.
“Pesquisas eleitorais devem começar a fazer mais preço com a aproximação da votação e, a depender do que elas mostrarem, o papel ainda deve reagir de olho em intervencionismo do governo”, afirma.