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Mercado

Petrobras (PETR4) devolve 1/4 do valor de mercado desde o início da guerra

O recuo de R$ 34,1 bilhões no valor de mercado de quinta para sexta também é o maior em um só dia desde 15 de maio de 2024

Por Mateus Fagundes e Vinicius Novais

17/04/2026 | 21:57 Atualização: 17/04/2026 | 22:00

Petrobras (PETR3; PETR4) no vaivém das ações no conflito do Oriente Médio. (Foto: Adobe Stock)
Petrobras (PETR3; PETR4) no vaivém das ações no conflito do Oriente Médio. (Foto: Adobe Stock)

O mergulho de 9% dos preços do petróleo nesta sexta-feira fez a Petrobras (PETR4) devolver, na sessão, um quarto de todo o valor de mercado conquistado desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O recuo de R$ 34,1 bilhões no market cap de ontem para hoje também é o maior em um só dia desde 15 de maio de 2024. Mas analistas dizem que a estatal segue com bons fundamentos e gerando caixa, o que tende a tornar a queda de hoje como um evento pontual.

Leia mais:
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A Petrobras terminou a sexta-feira com valor de mercado de R$ 629,9 bilhões, segundo a ferramenta Visão Empresa, da Broadcast. A ação ON tombou 5,31% e a PN cedeu 4,86%. Os papéis computam alta de 18,91% e 17,52% desde 27 de fevereiro, última sessão antes do início da ofensiva americana no Oriente Médio.

De lá para cá, até ontem, o valor de mercado da companhia escalou R$ 131,7 bilhões, o equivalente à soma do market cap de duas companhias juniores do setor – a Brava (BRAV3) e a Petrorecôncavo (RECV3). Desconsiderando a queda desta sexta-feira, a alta acumulada ainda era de R$ 97,6 bilhões.

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Entre as grandes petroleiras globais, a Petrobras também foi a vice-líder nos maiores ganhos em valor de mercado em dólar, segundo a plataforma Companhies Market Cap, atrás apenas da americana ConocoPhillips.

Mesmo com a queda de hoje, analistas dizem que o apetite pela Petrobras segue em alta. Os preços do barril do petróleo caíram bastante, mas permanecem em níveis mais altos que antes da eclosão da guerra. E as incertezas quanto ao futuro do conflito ainda são grandes.

“A Petrobras segue sendo uma empresa lucrativa. O que vai acontecer é que o preço vai voltar para os períodos pré-guerra, provavelmente em torno dos R$ 40”, diz o analista da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo. No horário mencionado acima, a ação ON estava cotada em R$ 50,96 e a PN, em R$ 46,29.

“Hoje o mercado não está punindo a Petrobras. Está apenas lembrando que petróleo não sobe em linha reta e é extremamente sensível aos riscos geopolíticos”, acrescenta a CEO da SHS Investimentos, Adriana Ricci.

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Ela pontua que o preço do barril do Brent entre US$ 80 e US$ 90 ainda é altamente lucrativo para a companhia.

Queda do Brent é positiva para a tese da Petrobras

Além de alterar o faturamento e a margem da Petrobras, a queda do petróleo pode ser marginalmente positiva para a companhia em termos de pressão governamental. Caso a trégua no Oriente Médio se estenda, a tendência é de baixa nos preços dos combustíveis. Isso, na visão de uma parcela do mercado, abre a possibilidade de menor ímpeto intervencionista do governo na estatal.

“No médio prazo, a queda do Brent é positiva para a tese da Petrobras. Petróleo mais baixo tira o governo do radar e isso também costuma ser positivo para o acionista”, diz Ricci, da SHS.

Por outro lado, o head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, cita a recente demissão do diretor Claudio Schlosser após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamar do ágio de um leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) como evidência de que o risco da estatal em ano eleitoral ainda é alto.

“Pesquisas eleitorais devem começar a fazer mais preço com a aproximação da votação e, a depender do que elas mostrarem, o papel ainda deve reagir de olho em intervencionismo do governo”, afirma.

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