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Mercado

Braskem (BRKM5): vale a pena comprar as ações com venda no radar?

Novonor (ex-Odebrecht) hoje tem 38,3% da empresa e deve se desfazer da participação

Por Jenne Andrade

23/02/2024 | 9:33 Atualização: 23/02/2024 | 11:13

A Braskem é líder na produção de resinas termoplásticas nas Américas e 6ª maior petroquímica do mundo (Foto: HELCIO NAGAMINE /
ESTADÃO)
A Braskem é líder na produção de resinas termoplásticas nas Américas e 6ª maior petroquímica do mundo (Foto: HELCIO NAGAMINE / ESTADÃO)

“Odebrecht” é um nome vívido na memória da maioria dos brasileiros. A empresa ficou nacionalmente conhecida após ser alvo da Operação Lava-Jato, em 2015, por acusações de fraudes em licitações da Petrobras (PETR4).

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A companhia ainda existe, sob a nomenclatura de “Novonor” e atualmente divide o controle da petroquímica Braskem (BRKM5) com a Petrobras. Até novembro do ano passado, de acordo com o último formulário de referência (FRE) publicado pela companhia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a ex-Odebrecht detinha 38,32% da empresa por meio da holding “NPS Investimentos”, enquanto a petroleira estatal possuía 36,15% do capital.

Por estar em recuperação judicial, a Novonor busca se desfazer da fatia na Braskem para ajudar no pagamento de dívidas, especialmente com instituições financeiras. Nesta semana, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, confirmou a aproximação com um potencial comprador desses papéis, a Empresa Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc). As informações são do Estadão.

Questão de sinergia

O reaquecimento dos rumores relacionados à negociação para venda fez os papéis da Braskem subirem 15,7% somente em fevereiro, para R$ 20,60. A alta das ações é explicada pela visão positiva do mercado em relação à saída da Novonor da Braskem.

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Mateus Haag, analista da Guide Investimentos, ressalta que por estar em recuperação judicial e pertencer a um segmento totalmente diferente, de engenharia, a ex-Odebrecht tem pouco a acrescentar à petroquímica enquanto acionista majoritária.

Já com a Adnoc, que opera no setor petroquímico, a Braskem poderia ter uma sinergia mais interessante. “Caso a estatal dos Emirados Árabes se torne uma acionista de referência da Braskem, eles vão poder ter uma forte parceria. Podem, por exemplo, compartilhar fornecedores de produtos. E desta forma, reduzir os custos”, diz Haag. “Seria bem positivo.”

João Lucas Tonello, analista da Benndorf Research, também acredita que a abertura para novos parceiros e a possível entrada da Adnoc no controle da Braskem podem trazer novas oportunidades de mercado e valorização para a petroquímica”, diz.

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Em novembro do ano passado, a Adnoc já fez uma oferta não vinculante para adquirir 35,3% do capital da Braskem – ou seja, quase a totalidade da fatia da Novonor, de 38,3% – por R$ 10,5 bilhões, o que implicaria em um valor de R$ 37,29 por ação, prêmio de quase 100% em relação ao preço atual.

“As ações da Braskem estão bastante descontadas. Com a saída da Novonor, a empresa ganha potencial de valorização, com o preço justo para as ações girando em torno de R$ 22,80”, diz Tonello.

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Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, reforça que a Braskem pode melhorar sua imagem com a possível entrada da Adnoc em termos de governança. “Pode ajudar a Braskem a se desvincular da associação com a Novonor, o que pode ser positivo para sua reputação e credibilidade no mercado”, ressalta, acrescentando que a Adnoc pode trazer conhecimento e experiência adicionais ao setor petroquímico.

Procurada, a Novonor preferiu não se manifestar, enquanto a Braskem afirmou não se posicionar em relação “a qualquer pauta que envolva a venda, já que é a parte a ser vendida”.

Mesmo com a visão positiva em relação à possível saída da Novonor, os analistas consultados pelo E-Investidor não recomendam a compra de BRMK5.

“Estamos neutros”

Maior petroquímica das Américas e sem preocupações em relação à endividamento, a situação financeira da Braskem é considerada sólida. Contudo, a companhia vem registrando prejuízos nos últimos trimestres em função do mau momento do setor.

Com a taxa de juros ainda elevada, apesar dos cortes na Selic, a demanda por produtos petroquímicos é afetada negativamente. Contudo, a oferta destes produtos nas fábricas tende a permanecer estável, o que pressiona os preços desses itens para baixo no mercado.

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Por outro lado, os preços das matérias-primas utilizadas na fabricação de petroquímicos, que são derivados de petróleo, estão em alta. No final, a combinação entre preço de venda de petroquímicos mais baixo e preço dos derivados para fabricação mais alto resulta em menores margens de lucro para as companhias do setor.

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No 3º trimestre do ano passado, por exemplo, a Braskem registrou um prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões – 119% pior do que o registrado no mesmo período de 2022. No acumulado dos nove primeiros meses de 2023, o resultado negativo foi de R$ 3 bilhões, revertendo o lucro de R$ 1,3 bilhão obtido no mesmo período de 2022.

A prévia operacional do 4º trimestre de 2023 também decepcionou, com redução, em 12 meses, da taxa média de utilização das centrais petroquímicas e volume de vendas de resinas e dos principais químicos.

“Uma hora esse ciclo vai virar e a empresa voltará a ser lucrativa. Contudo, a perspectiva não é muito boa, pelo menos no curto e médio prazo, entre um e dois anos”, afirma Haag, da Guide Investimentos, que tem recomendação neutra para os papéis. Tonello, analista da Benndorf Research, diz que é uma movimentação de risco muito alto se expor ao ativo nesse momento, também cravando indicação neutra.

Outros dois players neutros em BRKM5 são o Santander e o BTG Pactual. Em relatório publicado na última terça-feira (20), a instituição financeira de origem espanhola ressalta que ainda não está clara a venda da fatia da Novonor na petroquímica e que a prévia operacional do 4º tri não foi “nada animadora”. Já o BTG afirmou que os dados de venda, na prévia, ficaram “aquém das expectativas”.

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“A melhoria prevista do ciclo ocorrerá a um ritmo mais lento do que ritmo esperado”, diz o BTG, em relatório divulgado na quarta (21). “Apesar da queda de cerca de 40% desde os máximos do ano passado, ainda vemos as ações da BRKM sendo negociadas com uma avaliação pouco atrativa.”

O balanço do 4º trimestre da Braskem deve sair no dia 6 de março e deve trazer alguma melhora. “Apesar do declínio trimestral nas vendas, esperamos um modesto melhoria nos resultados, uma vez que spreads ligeiramente mais fortes (margens de lucro melhores na venda de petroquímicos) deverão mais do que compensar os volumes mais baixos”, diz o BTG.

No ano, a BRKM5 acumula desvalorização de 5,76%. Em cinco anos, a queda é de 55,5%.

Maceió

A Braskem também enfrenta processos em função do colapso da mina de sal-gema, em Maceió (AL). A exploração do minério provocou o afundamento de bairros na região.

No ano passado, a Braskem foi excluída do índice de sustentabilidade empresarial da B3 (ISE B3) e, até o 3º tri, mantinha uma provisão de R$ 5,6 bilhões para lidar com despesas referentes ao desastre ecológico. Apesar da cifra não representar, por ora, um impacto substancial para as finanças da companhia, é mais uma notícia negativa que pode causar incertezas e afastar investidores dos papéis.

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“É possível que existam alguns custos não relatados ainda, mas que a Braskem venha a ter que desembolsar por conta do desastre em Alagoas. Fora isso, há várias causas na justiça a serem julgadas e que podem terminar com uma decisão desfavorável à empresa. Não há como prever o que irá acontecer”, salienta Haag.

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