A companhia reportou na noite desta segunda-feira (27) receita líquida de R$ 18,6 bilhões, com crescimento anual de 0,5%, e lucro líquido pressionado, em um primeiro trimestre marcado por vendas fracas e efeitos tributários relevantes – veja os números completos do balanço aqui.
O Citi sintetiza o equilíbrio. Ao retirar os créditos de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), tributos federais obrigatórios, o banco vê um desempenho próximo das estimativas, ainda que com vendas mais fracas que o previsto, com SSS (vendas nas mesmas lojas) recuando 1,1% e receita líquida cerca de 1,6% abaixo das estimativas.
A leitura é que o resultado operacional não empolga, mas tampouco decepciona. Os créditos, por sua vez, ajudam a compensar a queima de caixa e podem acelerar a desalavancagem ao longo do ano. A recomendação para ASAI3 é neutra, com preço-alvo de R$ 11.
Na mesma direção, a XP Investimentos classifica o trimestre como fraco, porém dentro do esperado. O ponto de sustentação vem do controle de despesas, que permitiu preservar margens mesmo com receita pressionada e levou o lucro líquido recorrente a R$ 174 milhões, cerca de 50% acima das estimativas da casa.
A XP chama atenção para uma demanda mais enfraquecida, influenciada tanto por renda comprimida, quanto por mudanças de hábito, incluindo o avanço de apostas e o uso de medicamentos que reduzem o consumo alimentar.
A Ativa Investimentos reforça o diagnóstico de receita aquém do esperado, com vendas nas mesmas lojas no campo negativo. Ainda assim, destaca resiliência nas margens e melhora na geração de caixa, apoiada por menor investimento. O recorte por renda aparece com clareza: consumidores de maior poder aquisitivo seguem mais estáveis, enquanto a base do atacarejo continua pressionada.
O que dizem os grandes bancos do País sobre o Assaí no 1T26
O BTG Pactual (BPAC11), por sua vez, coloca a lupa sobre o efeito da deflação de alimentos. Com preços mais baixos em itens básicos, a receita perde tração mesmo quando o fluxo de clientes se mantém. Ainda assim, o banco vê avanço na margem bruta, sustentado por melhor gestão de preços e maturação das lojas. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 11, ancorada na expectativa de melhora gradual à frente.
O Itaú BBA mantém tom semelhante, classificando o trimestre como sem surpresas. O destaque fica para a geração de caixa, com fluxo de caixa livre de R$ 814 milhões, impulsionado pela monetização de créditos tributários. O banco, no entanto, pondera que as vendas seguem abaixo da inflação de alimentos, limitando a expansão de margens. A recomendação é outperform (equivalente a compra), com preço-alvo de R$ 11.
Mais otimista, o Bradesco BBI enfatiza a melhora na alavancagem e a disciplina em custos. A casa vê avanço consistente na margem bruta e mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 13. Ainda assim, faz a ressalva que atravessa todos os relatórios. A tese continua dependente da normalização do ambiente macro.
Na outra ponta, o Banco Safra destaca a frustração no lucro, que caiu 47% na comparação anual, para R$ 86 milhões, ficando 26% abaixo das estimativas do banco e reforça que o crescimento das vendas segue insuficiente para destravar uma expansão mais robusta de resultados. A melhora na estrutura de capital é reconhecida, mas não altera a visão mais cautelosa. A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 9,40.
Impactos do balanço na ação ASAI3
No pregão que se seguiu aos resultados do 1T26, Assaí (ASAI3) caia 5,11%, a R$ 9,09, às 13h (de Brasília). O movimento reflete a ausência de gatilhos de curto prazo, em linha com a predominância de recomendações neutras e preços-alvo concentrados entre R$ 9,40 e R$ 13.
Com informações da Broadcast.