Hoje dono de cerca de 20% do GPA, o Casino já vinha reduzindo sua presença na empresa desde o ano passado, em um movimento que acelerou a perda de influência histórica do grupo francês sobre a varejista brasileira. A novidade agora é a mudança de estratégia. Em vez de negociar uma venda estruturada para um comprador específico, o Casino optou por desmontar sua posição gradualmente na Bolsa.
O novo capítulo ajuda a explicar uma disputa que já havia migrado para a Justiça. Em abril, o GPA conseguiu uma liminar para impedir novas vendas depois que o Casino alienou, em bloco, pouco mais de 2% da companhia.
Segundo a reportagem, a varejista argumenta que os recursos precisam permanecer preservados até a conclusão de uma arbitragem ligada a um passivo tributário bilionário envolvendo dedução de ágio entre 2007 e 2013.
O caso se conecta a uma discussão com a Receita Federal estimada em mais de R$ 2,5 bilhões e virou uma das peças centrais da reorganização societária do GPA. Ao mesmo tempo, o tabuleiro de poder dentro da companhia também mudou. A ascensão da família Coelho Diniz e do empresário Silvio Tini no conselho e na estrutura acionária reduziu o espaço político do Casino, que por décadas comandou os rumos do grupo no Brasil.
No mercado, a leitura é de que a saída definitiva do Casino elimina parte de uma incerteza societária que se arrasta há meses sobre a companhia. Ainda que a venda em mercado possa aumentar pressão técnica sobre o papel no curto prazo, investidores também enxergam a possibilidade de um GPA mais “descolado” da crise financeira e judicial do controlador francês.
Às 13h42 (de Brasília) as ações do GPA (PCAR3) avançavam 1,87%, a R$ 2,18.