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Mercado

Como a incerteza da vacinação contra a covid-19 afeta o mercado financeiro?

Atrasos no cronograma de vacinação adiam retomada financeira e criam cenário de insegurança para empresas e investidores

Mão com luva manuseia gráfico visual com um vírus em destaque
Entenda como o mercado financeiro está reagindo à falta de vacinas. (Foto: Shutterstock)
  • O distanciamento social e as suas consequências apresentaram oportunidades para muitas empresas, que puderam digitalizar suas operações e investir em novos modelos de negócio, como foi o caso da varejista Magalu
  • A demora de uma campanha de vacinação abrangente só aumenta os prejuízos sofridos pelas empresas que atuam no mercado financeiro brasileiro
  • O número de participantes que se declara abertamente pessimista em relação ao cenário atual do mercado financeiro saltou de 12% para 22%

(Mônica Wanderley da Silva, especial para o E-Investidor) – Apesar de o Brasil estar na lista de países que já estão vacinando a população contra a covid-19, a velocidade na qual o processo de imunização está ocorrendo está muito abaixo do esperado pelo mercado financeiro.

Os investidores se basearam no histórico dos casos de imunização em massa do País para manter as expectativas otimistas, pois, durante a crise do H1N1, ocorrida em 2010, o Brasil vacinou 92 milhões de pessoas três meses após o início da campanha de vacinação. Porém, tal velocidade não é vista na campanha de vacinação contra a covid-19, na qual quase 6 meses após a primeira vacina ser administrada em solo brasileiro, apenas 22 milhões de pessoas já tomaram as duas primeiras doses.

Os investidores acreditam que imunizar a população economicamente ativa é fator essencial para que os setores interno e externo da economia comecem a se recuperar de forma contínua e estruturada.

“O mercado olha para a frente, vê a vacinação evoluindo e alguns casos de outros países que vacinaram mais e tiveram queda de novas infecções. Quanto mais rápido vier a vacinação, mais rápido o mercado projeta que vá abrir a economia, com mais possibilidades de crescimento”, afirmou Luciano Telo, CIO da divisão de gestão de patrimônio (International Wealth Management Brazil) do banco global Credit Suisse, em entrevista realizada em abril ao E-Investidor.

Pessoa organiza uma fileira de vacinas contra a covid-19
Já existem vacinas capazes de impedir a evolução para casos graves dos sintomas da covid-19, mas o ritmo de imunização ainda preocupa. (Foto: Kunal Mahto/Shutterstock)

Retomada para todos

O distanciamento social e as suas consequências apresentaram oportunidades para muitas empresas, que puderam digitalizar suas operações e investir em novos modelos de negócio — apresentando bons resultados ao mercado financeiro.

Um exemplo é o da varejista Magazine Luiza. O segmento de e-commerce da marca cresceu 114% em comparação com 2020 e foi parte responsável para que a empresa alcançasse R$ 259 milhões em lucro líquido no primeiro trimestre de 2021, aumento de 740% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado.

Porém, setores de varejo para vestuário, petróleo, shoppings e imóveis ainda sofrem com o impacto da falta de vacinação e, por consequência, da redução de mobilidade.

As varejistas C&A e Renner, por exemplo, estão entre as empresas afetadas. No início de maio, ambas apresentaram seus balanços relativos ao primeiro trimestre de 2021, registrando prejuízo de R$ 138,5 milhões e R$ 147,7 milhões, respectivamente.

Esse cenário só tende a mudar, tanto para essas marcas quanto para o mercado como um todo, após a retomada de atividades que agora são restringidas pelo perigo do contágio.

Impacto na economia

A demora de uma campanha de vacinação abrangente só aumenta os prejuízos sofridos pelas empresas que atuam no mercado financeiro brasileiro. De acordo com uma carta aberta assinada em março por mais de 500 brasileiros, entre eles ex-Ministros da Fazenda, ex-presidentes do Banco Central, ex-presidentes do BNDES e acadêmicos, o atraso na vacinação custará cerca de R$ 131,4 bilhões ao mercado financeiro brasileiro.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal para assegurar a transparência na prestação de contas ao mercado financeiro e público geral, informou em Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado em março, que a projeção da atividade econômica do País está em 3%, por conta dos atrasos para a imunização.

Essa demora também reflete nos indicadores gerais da economia. No início de maio, um grupo de economistas de instituições ligadas à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revisou o Produto Interno Bruto (PIB) para o segundo trimestre, que passou de uma estabilidade para uma queda de 0,77%.

Para o ano de 2021, a entidade calcula que o valor total do PIB terá um crescimento de 3,2%.

Demora para vacinação muda escolha de ativos para os investidores

O lento processo de imunização em conjunto com a falta periódica dos insumos necessários para a produção das vacinas reduziu o otimismo dos investidores pessoa física para uma melhoria no curto ou médio prazo da economia brasileira.

De acordo com a pesquisa conduzida pela UBS no final do primeiro trimestre, 64% enxergam perspectivas positivas para o Brasil nos próximos 12 meses; apesar de grande, o percentual caiu 9% em comparação ao levantamento anterior, realizado no final de 2020.

Já o número de participantes que se declara abertamente pessimista em relação ao cenário atual do mercado financeiro saltou de 12% para 22%.

Centro de vacinação da covid-19 montado em Bruxelas, capital da Bélgica.
Centro de vacinação da covid-19 montado em Bruxelas, capital da Bélgica. (Foto: Alexandros Michailidis/Shutterstock)

Ao serem perguntados como estão organizando as finanças para o médio prazo, 47% dos entrevistados afirmaram que comprariam mais ações; enquanto 41% desejam ampliar o valor aplicado em investimentos sustentáveis do mercado financeiro; e 39% pensam em aumentar as coberturas de suas carteiras.

A pesquisa também registrou um aumento de interesse significativo em ativos digitais, avaliados por 84% dos respondentes como uma opção atraente do ponto de vista de potenciais riscos e retornos.

As criptomoedas seriam a primeira opção de investimento de 67% dos participantes, sendo que ativos digitais lastreados em ativos reais (55%) e títulos digitais (43%) também entraram na lista.

Fontes: USP, Fiocruz.

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