A maior parcela desses recursos será destinada para o segmento de distribuição, para o qual estão previstos mais de R$ 25 bilhões.
“Estamos olhando para o robustecimento da rede e tecnologia, sendo o principal foco no projeto de telemedição”, disse o presidente da companhia, Gustavo Estrella, em entrevista à Broadcast.
Não se trata de um movimento novo. A companhia vem ao longo dos últimos anos ampliando a instalação de medidores inteligentes nas áreas de concessão de suas distribuidoras, por considerar que essa é uma das maiores evoluções tecnológicas do segmento para os próximos anos.
Segundo Estrella, a expectativa é que a companhia instale 2 milhões de medidores inteligentes nos próximos cinco anos, o que corresponde a quase 20% da base de clientes da CPFL.
Estrella admite que o alto volume de desembolsos previsto deve pressionar a alavancagem, que encerrou 2025 em 2,3 vezes dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
“A gente tem isso aqui totalmente sob controle, mas de fato há de se esperar uma certa evolução de alavancagem em função desse plano de investimentos”, afirmou, sem citar valores.
O executivo salientou que a companhia vem monitorando não apenas o tamanho de sua dívida, como também a qualidade do endividamento, buscando oportunidades para refinanciar a custos mais baixos.
Neste sentido, ele citou que ao longo do ano passado foram feitas captações que somaram R$ 14,8 bilhões, parte para financiar os investimentos em andamento, parte para rolar as dívidas existentes.
“Fizemos isso de forma muito positiva, acessamos o mercado com um custo médio de CDI (Certificado de Depósito Interbancário) menos 0,34%, bastante competitivo, permitindo também alongamento de prazo”, disse, citando o tempo médio de 5,07 anos.
Emissões
Para 2026, a CPFL vislumbra a possibilidade de acessar o mercado externo, o que seria uma operação inédita para a companhia.
“O mercado interno é sempre muito aberto e competitivo para a CPFL, mas agora a gente abre uma frente nova, há uma expectativa que esse ano a gente faça um bond (título de renda fixa negociado no exterior), como forma de diversificar fontes de financiamento e abrir um mercado gigantesco lá fora”, disse.
Estrella salientou que o aumento dos investimentos e do endividamento não devem prejudicar o pagamento de dividendos. Ele citou que em 2025, mesmo diante do crescimento nessas duas linhas, a companhia aprovou a distribuição de R$ 4,3 bilhões, o que corresponde ao maior dividendo pago pela companhia desde o re-IPO da companhia, em 2019, e que representa um payout de 90% do resultado de 2025. “O nosso desafio é como a gente balanceia esse três pilares”, disse.
Leilões
O executivo também disse que a companhia segue com perspectiva positiva para participar dos próximos leilões de transmissão e de armazenamento de energia previstos, respectivamente, para o fim de março e para junho.
“O leilão de transmissão de março será bem menor do que a gente imaginava, alguns lotes foram postergados para os próximos leilões, mas a gente segue com a nossa estratégia de olhar para esses lotes como uma alternativa de crescimento”, disse, reiterando a estratégia da companhia de disputar projetos “mais de média tensão do que alta tensão”, e com sinergia geográfica com os ativos da companhia.
Já no caso do leilão de armazenamento, ele afirma que a companhia ainda aguar a definição das regras. “Acho que vai haver uma demanda grande para armazenamento no Brasil nos próximos anos e por isso a gente se coloca como sendo uma nova e possível alternativa de negócios para a companhia olhando para a frente”, disse.