Ibovespa hoje voltou a fechar em queda, em dia de nova disparada do petróleo. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje operou sob influência de uma combinação de fatores externos e domésticos relevantes. Nesta sexta-feira (6) o índice caiu 0,61% aos 179.364,82 pontos. Investidores digeriram o payroll nos Estados Unidos, em meio a preocupações com a guerra no Oriente Médio. O relatório de emprego dos EUA mostrou corte de vagas e taxa de desemprego e salários abaixo das expectativas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não haverá acordo com o Irã, a não ser “rendição incondicional”. As falas ajudaram a acentuar as perdas das bolsas e o avanço do dólar e dos juros futuros. Após breve respiro, quando subiu para o nível de 181 mil pontos, o Ibovespa retomou queda, adotou uma sequência de mínimas e foi para a marca dos 179 mil pontos.
“Há uma preocupação muito grande em relação ao prolongamento do conflito, dado que o assunto tende a ter desdobramento importante sobre a cadeia de suprimentos mundial. Pode ter efeito inflacionário a depender de quanto vai durar”, afirma Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
No Brasil, a produção industrial subiu 1,8% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado superou o teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de 1,6%. A mediana das expectativas era de avanço de 0,7%, com piso de queda de 0,1%.
Já o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou queda de 0,84% em fevereiro, após uma elevação de 0,20% em janeiro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado do indicador foi mais negativo do que a mediana das estimativas das instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, de queda de 0,63%, com intervalo entre baixa de 1,10% e baixa de 0,50%.
Ficou no radar ainda o balanço da Embraer (EMBJ3) – veja aqui os resultados –e a teleconferência da Petrobras (PETR3; PETR4) sobre seus números do quarto trimestre de 2025.
Mas a resiliência operacional da estatal compensou parte desse impacto. A Petrobras fechou o 4T25 com um lucro líquido de US$ 2,899 bilhões, revertendo o prejuízo de US$ 2,780 bi do mesmo período de 2024. A receita de vendas foi de US$ 23,608 bi, uma alta de 13% no comparativo anual e de 0,6% no trimestral.
Publicidade
As ações ordinárias da petroleira terminaram o dia em alta de 4,12%, enquanto as preferenciais subiram 3,49%.
Payroll influencia expectativas sobre juros nos EUA
O ambiente internacional permaneceu marcado pela cautela. A escalada das tensões no Oriente Médio continuou no centro das atenções depois que Israel realizou ataques aéreos contra Teerã, no Irã, e Beirute, no Líbano, mirando alvos do Hezbollah e iniciando, segundo o governo israelense, uma “onda de ataques em larga escala”.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Peter Hegseth, afirmou que os bombardeios contra o Irã devem “aumentar dramaticamente”, elevando o temor de uma ampliação do conflito. Em paralelo, o Conselho de Liderança do Irã discute a convocação da Assembleia de Especialistas que escolherá um novo líder supremo.
A instabilidade geopolítica manteve os mercados financeiros atentos aos impactos sobre a energia e a inflação global. O petróleo voltou a subir, com o Brent acima da faixa de US$ 92 por barril, refletindo os riscos à oferta mundial.
Além do cenário geopolítico, os investidores acompanharam o resultado do payrollque, segundo André Valério, economista sênior do Inter, veio muito abaixo do esperado.
O especialista explica que a economia americana teve uma criação líquida negativa de emprego, com 92 mil empregos tendo sido retirados da economia, bem abaixo da expectativa, que era uma adição de 55 mil empregos. Com o resultado, a taxa de desemprego aumentou na margem, de 4,3% para 4,4%.
Publicidade
Dos 11 setores investigados, 9 tiveram redução no emprego, com destaque para educação e saúde, que retiraram 34 mil empregos e serviços de lazer e hospitalidade, que retiraram 27 mil empregos.
“Os dois únicos setores que apresentaram criação líquida de empregos foram serviços financeiros, que adicionou 10 mil empregos e outros serviços, que adicionaram 8 mil empregos”, diz Valério.
Além do resultado pior que o esperado, houve revisão negativa dos dois últimos meses, com o resultado sendo menor em 69 mil empregos, tornando a divulgação de dezembro negativa. O dado de janeiro ainda permaneceu forte, tendo sido revisado para baixo em apenas 4 mil empregos, com o saldo ficando em 126 mil empregos. Com isso, a média móvel de 3 meses desacelerou de maneira significativa, ficando em 6 mil empregos por mês, em média, enquanto a de 6 meses se tornou negativa, em 1000 empregos por mês.
“O dado de hoje volta a dar força à tese de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, mas a tarefa do Federal Reserve (Fed) continua difícil”, pondera o economista do Inter.
Os salários continuam crescendo a ritmo robusto, tendo avançado 0,4% no mês e acumulando alta de 3,8% nos últimos 12 meses. Além disso, o dado pior que o esperado do índice de preços ao produtor implica que o Personal Consumption Expenditures (Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal – PCE) virá mais alto que o esperado inicialmente.
O impacto da guerra no Irã se torna um outro fator de preocupação, com o preço do petróleo em alta, o que pode se tornar uma pressão de elevação na inflação americana nos próximos meses, caso o conflite perdure além do esperado ou se intensifique.
Publicidade
Por outro lado, explica André Valério, a queda no mês foi muito influenciada pela criação líquida negativa em Educação e Saúde e, em fevereiro, houve greve ampla entre trabalhadores de saúde.
“Portanto, para a reunião de março ainda esperamos que o Fed opte por manter a taxa de juros inalterada devido à elevada incerteza, mas o dado de hoje aumenta a probabilidade de cortes nos juros ao longo do ano. Por ora, mantemos expectativa de que novo corte só deve ocorrer na reunião de junho”, resume o especialista.
O que aconteceu nos mercados globais
Petróleo
Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta, refletindo a volatilidade gerada pela guerra no Oriente Médio. O WTI para abril subiu 12,20%, a US$ 90,9, enquanto o Brent para maio avançou 8,52% a US$ 92,69 o barril.
Índices de Nova York
Os índices de Wall Street estenderam as perdas da sessão anterior. O Dow Jones recuou 0,95%, o S&P 500 caiu 1,33% e o Nasdaq cedeu 1,59%.
Bolsas europeias
Na Europa, os mercados fecharam em queda. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em baixa de 1,24%, a 10.284,75 pontos. Na semana, recuou 5,74%. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,13%, a 23.547,51 pontos, com recuo semanal de 6,87%. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,65%, a 7.993,49 pontos, caindo 6,84% na semana. Em Milão, o FTSE MIB recuou 1,02%, a 44.152,26 pontos, cedendo 6,48% na comparação semanal. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,20%, a 17.038,70 pontos, com baixa de 7,22% na semana. Em Lisboa, exceção no dia, o PSI 20 avançou 0,15%, a 8.946,04 pontos, com queda de 3,56% na semana.
Treasuries
Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano fecharam sem direção única. O juro da T-note de 2 anos caiu a 3,56%, o da T-note de 10 anos subiu a 4,144% e o do T-bond de 30 anos chegou a 4,765%.
Câmbio
O dólar caiu frente ao euro e à libra. O índice DXY, que compara a divisa dos EUA com outras seis concorrentes, fechou em baixa de 0,33% aos 98,986 pontos.