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Petróleo hoje fecha no maior nível desde abril de 2024 com bloqueio no Estreito de Ormuz

Petróleo dispara hoje, encerrando a semana com alta de 35% no WTI e 27% no Brent, ambos ficando acima dos US$ 90 por barril - maior salto semanal desde março de 2022

Por Igor Markevich

06/03/2026 | 9:48 Atualização: 06/03/2026 | 17:29

O petróleo dispara com a guerra entre EUA, Israel e Irã e a paralisação do Estreito de Ormuz.  (Imagem: Adobe Stock)
O petróleo dispara com a guerra entre EUA, Israel e Irã e a paralisação do Estreito de Ormuz. (Imagem: Adobe Stock)

O petróleo hoje voltou a disparar nesta sexta-feira (6), ampliando a volatilidade nos mercados globais em meio à escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A interrupção quase total do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo, mantém investidores em alerta e sustenta um rali expressivo da commodity. No mercado de energia, a leitura dominante é de que qualquer risco à navegação no estreito se traduz em alta expressiva nos contratos futuros do “ouro negro”.

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Os contratos futuros de petróleo dispararam hoje, encerrando a semana com alta de 35% no WTI e 27% no Brent, ambos ficando acima dos US$ 90 por barril. O tráfego pelo Estreito de Ormuz segue como o grande elemento para o mercado, enquanto as tensões avançam e soluções diplomáticas seguem distantes. Neste cenário, o valor simbólico de US$ 100 o barril se aproxima. Este é o no maior salto semanal dias depois do início da guerra na Ucrânia, em março de 2022.

A escalada ocorre enquanto o conflito no Oriente Médio está no sétimo dia sem perspectiva clara de solução. Autoridades iranianas afirmaram que há esforços de mediação em curso, mas sem detalhar negociações concretas, o que mantém o prêmio de risco elevado.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 12,20% (US$ 9,89), a US$ 90,90. Já o Brent para maio avançou 8,52% (US$ 7,28), a US$ 92,69 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o maior nível desde abril de 2024.

Os preços retornam aos níveis mais altos desde abril de 2024, quando a escalada das tensões entre Irã e Israel e os os cortes de produção da Opep+ apertaram a oferta global e levaram o Brent a se aproximar de US$ 93 por barril, elevando o prêmio de risco geopolítico no mercado.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Washington não fará acordo com o Irã e apenas aceitará a “rendição incondicional” de Teerã. Ele afirmou também que os EUA vão trabalhar “incansavelmente para trazer o Irã de volta da beira da destruição” depois que Teerã escolher um “grande e aceitável” líder, tornando o país “economicamente maior, melhor e mais forte do que nunca”.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, afirmou que países europeus podem se tornar “alvos legítimos” caso participem da ofensiva militar contra o país. Ele disse que Teerã já alertou governos europeus sobre as consequências de um eventual envolvimento no conflito. O diplomata reiterou ainda que bases e ativos militares americanos na região são considerados alvos legítimos. “A tendência constante de alta nos preços do petróleo ao longo do tempo mostra que os investidores estão continuamente reavaliando as premissas de que a interrupção do transporte marítimo pelo Estreito seria de curta duração”, aponta a Capital Economics.

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Quanto mais tempo durar a grave interrupção do transporte marítimo, maior a probabilidade de que os produtores de petróleo no Oriente Médio tenham que começar a interromper a produção, o que poderia manter os preços elevados por mais tempo, mesmo quando o transporte marítimo começar a ser retomado, avalia.

“Em suma, a extensão e a duração da interrupção dos embarques pelo Estreito continuam sendo o principal fator a ser observado, e uma interrupção prolongada ainda pode levar os preços do petróleo a ultrapassarem US$ 100 por barril”, conclui.

Estoques seguem intocados

Apesar do revés logístico, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que não pretende liberar estoques emergenciais neste momento. Segundo o diretor-executivo Fatih Birol, o problema atual não está na oferta global de petróleo, mas na dificuldade de transporte da commodity.

“Hoje há muito petróleo no mercado. O problema é de deslocamento, um problema logístico”, afirmou Birol após reunião com autoridades da Comissão Europeia.

Na mesma linha, a própria União Europeia comunicou aos países do bloco que não vê justificativa para usar suas reservas estratégicas por ora. O bloco mantém estoques equivalentes a cerca de 90 dias de consumo, nível exigido pela agência internacional de energia.

Sinais recentes vindos do Golfo indicam pressões adicionais no mercado físico. O Kuwait começou a reduzir a produção em alguns campos de petróleo após enfrentar limitações de armazenamento para seu petróleo bruto, segundo especialistas ouvidos pelo The Wall Street Journal. O país, membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), discute ampliar as restrições, limitando produção e capacidade de refino possivelmente apenas para atender ao consumo doméstico. Uma decisão sobre cortes mais amplos é esperada nos próximos dias.

China pressiona por passagem

Enquanto isso, a China tenta atuar nos bastidores para aliviar o impasse geopolítico. Diplomatas indicam que Pequim negocia com o Irã a criação de corredores seguros para navios que transportam petróleo e gás natural liquefeito do Catar pelo Estreito de Ormuz.

A rota é considerada crítica para o sistema energético global. Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passa pelo estreito, o que explica a sensibilidade imediata dos preços a qualquer interrupção no fluxo.

Com o gargalo ainda sem solução e o conflito militar em curso, operadores seguem adicionando valorização às cotações da commodity, mantendo o petróleo hoje no centro das atenções dos mercados financeiros.

Com informações da Broadcast.

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