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Criptomoedas, o que acontece? A análise do CEO de corretora top5 global

CEO da Bybit, Ben Zhou, fala do futuro e dos desafios das criptomoedas, com a regulamentação no radar

Por Espaço do Especialista

11/08/2022 | 9:25 Atualização: 11/08/2022 | 9:25

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Ben Zhou, cofundador e CEO da Bybit, uma das cinco maiores corretoras de criptomoedas do mundo. (Foto: Divulgação Bybit)
Ben Zhou, cofundador e CEO da Bybit, uma das cinco maiores corretoras de criptomoedas do mundo. (Foto: Divulgação Bybit)

(Ben Zhou) – O bitcoin caiu mais de 50% comparado a sua máxima histórica em novembro, ao passo que as ações de gigantes da tecnologia dos Estados Unidos também recuaram acentuadamente. A Netflix foi a que mais perdeu com uma queda de 70% no preço de suas ações. Em meio a tudo isso, o mercado de commodities e energia está em movimento de alta. O que está acontecendo?

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A melhor forma de entender o que está acontecendo no mercado cripto é analisar o que está acontecendo nos mercados de capital mais amplos. Estamos entrando em um ambiente de baixo risco devido ao aumento das taxas de juros nos EUA, Emirados Árabes Unidos e Europa, o que aumentou a volatilidade de várias classes de ativos.

A mais recente inversão da política do Federal Reserve (Fed) de flexibilização quantitativa ou maior rigor quantitativo consiste no aumento das taxas de juros e na redução da sua folha de balanço. Essa mudança faz com que as ações de empresas de tecnologia como Apple e Google fiquem vulneráveis porque seus ganhos futuros ficam mais suscetíveis a um risco maior.

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As taxas elevadas aumentam a probabilidade de estagflação (nenhum crescimento) ou recessão, incentivando os investidores a realocarem seu capital em investimentos de baixo risco como metais preciosos, imóveis e dinheiro vivo. Essa fuga de capital atinge com mais força os títulos financeiros negociáveis com base em previsões de crescimento futuro.

No ano passado, o bitcoin e o restante das criptomoedas foram altamente correlacionados com o índice Nasdaq e o S&P 500 e sofreram quando os investidores recorreram a ativos seguros em um ambiente de baixo risco. No entanto, isso não significa que a mesma regra se aplique para ações do Bitcoin, Ether ou outros criptoativos.

Antes de 2020, os movimentos do bitcoin e do mercado de ações mostravam pouca correlação entre si. Isso faz sentido porque o bitcoin é um ativo com capitalização máxima de 21 milhões de unidades e é minerado por meio de um sistema competitivo, em vez de ser emitido por um órgão centralizado. Além disso, diferentemente das grandes empresas, o bitcoin não tem CEO, relatórios de ganhos trimestrais ou problemas de gestão. Se fosse comparado a uma entidade, seria similar ao ouro, com grande transparência de oferta e demanda.

No entanto, o bitcoin e outros criptoativos ganharam ampla aceitação como classe de ativos recentemente. Investidores institucionais, traders, negócios familiares e corporações adicionaram cripto aos seus portfólios a fim de diversificar suas carteiras, ingressando nas finanças do futuro. Dessa forma, uma ponte entre criptoativos e ações foi construída e os grupos de investidores estão se misturando cada vez mais.

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Somado a tudo isso, as regulamentações governamentais continuarão modelando o futuro da classe de ativos em ascensão e, embora não seja possível prever todas as consequências disso, faz sentido classificar o bitcoin como um ativo de risco por enquanto.

Na minha opinião, o bitcoin, o ether e outros criptoativos vão se desvincular de mercados de ações mais amplos à medida que a população em geral entender melhor a sua funcionalidade, o que eles oferecem e como podem atuar como reservas únicas de valor. E quando tivermos uma estrutura regulatória que abranja a classe de criptoativos, veremos essa desassociação dos mercados tradicionais.

A criação de uma classe totalmente nova de ativos é uma oportunidade histórica para os investidores, mas o caminho para a adoção global não será isenta de desafios. O bitcoin se move ciclicamente e, ao longo de sua história, seu ciclo já teve altas inéditas e recordes de baixa preocupantes.

Agora, estamos na quinta tendência de baixa da criptomoeda e os críticos foram rápidos em declarar a morte do bitcoin, como fizeram 377 vezes antes de acordo com a base de dados Bitcoin Is Dead, (O Bitcoin está morto). Também houve duas bolhas que estouraram no passado. Em todas as ocasiões, o bitcoin e os seus apoiadores ressurgiram das cinzas com mais força e valor do que antes.

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No mercado de criptomoedas, a retração atual é normal assim como em qualquer outro mercado. Na verdade, o bitcoin demonstrou mais resiliência no ciclo atual e se manteve na linha dos US$ 30 mil. A volatilidade é mais acentuada em cripto devido a sua menor capitalização total de mercado, por ser nova e ter questões educacionais e regulatórias envolvidas.

Entretanto, há pouco tempo os Emirados Árabes Unidos apresentaram uma regulamentação sensata que permite liberdade aos desenvolvedores e empreendedores de criptomoedas para construir uma economia de criptoativos maior e mais forte que ajudará a direcionar o setor para um caminho de recuperação rápida e mais estável a longo prazo.

O mercado também se posicionou. Recentemente, a empresa do Vale do Silício, Andreessen Horowitz anunciou o maior fundo de cripto e blockchain do gênero de US$ 4,5 bilhões para capitalizar com a retração. Continuaremos construindo riqueza para aqueles que têm a visão e a convicção de se manter em curso.

Por Ben Zhou, cofundador e CEO da Bybit, uma das cinco maiores corretoras de criptomoedas do mundo.

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