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Mercado

Petrobras: o impacto da demissão de Silva e Luna para o investidor

Especialistas avaliam que há intervenção do governo, mas outros afirmam que impacto nas ações será limitado

Por E-Investidor

29/03/2022 | 0:30 Atualização: 29/03/2022 | 7:40

Silva e Luna foi demitido da Petrobras. Foto: Alaor Filho/Petrobras
Silva e Luna foi demitido da Petrobras. Foto: Alaor Filho/Petrobras

(Daniel Reis, Daniel Rocha, Jenne Andrade e Luíza Lanza) – O CEO da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna, teve a demissão confirmada nesta segunda-feira (28) pelo presidente Jair Bolsonaro. Os sucessivos aumentos do preço do combustível teriam sido o principal motivo para a saída.

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Silva e Luna estava no cargo de presidente da companhia desde abril de 2021, quando substituiu Roberto Castello Branco. Na época, Bolsonaro argumentou que a troca era motivada pela alta do preço do combustível.

Quase um ano depois da posse de Silva e Luna, a situação se repetiu. Com os recentes reajustes no preço do combustível realizados pela Petrobras,  em função da alta dos preços do petróleo no mercado internacional, os boatos de uma nova substituição para a presidência da companhia começaram a ventilar em Brasília.

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“É um mau sinal. Não deve ser bem visto porque é uma intervenção”, avalia Vitor Miziara, analista e sócio da Criteria Investimentos. “Ele foi um presidente muito bom e que está sendo retirado por uma mudança política. É mais uma pressão popular do que pela gestão, que era muito bem vista pelo mercado.”

Para Mario Goulart, analista da O2 Research, a demissão representa uma movimentação de Bolsonaro para desvincular a sua imagem da alta do combustível. “Desde o princípio do governo, ainda em abril de 2019, o Presidente da República tenta mostrar a seus eleitores que pode controlar o preço da gasolina”, critica Goulart.

Desta vez, o possível substituto de Silva e Luna é Adriano Pires, economista e sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

No fim do pregão desta segunda-feira (28), as ações da Petrobras caíram quase 3%. Os papéis PETR4 recuaram 2,41%, acumulando uma queda de -7,29% ao longo do mês. Já os papéis PETR3 caíram em 2,97%, acumulando -6,63% ao longo do mesmo período.

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Veja o que pensa o mercado sobre a troca do presidente da Petrobras em menos de um ano.

Vitor Miziara, analista CNPI e sócio da Criteria Investimentos

“É um mau sinal. Não deve ser bem visto porque é uma intervenção. Esse é um presidente que, no início, o mercado teve receio com ele, por ser um general, e na Petrobras fez muito bem. Conduziu bem a empresa, entregou bons resultados e seguiu com o plano de desinvestimento que a Petrobras tinha. Ele foi um presidente muito bom que está sendo retirado por mudança política. É mais uma pressão popular do que pela gestão, que estava sendo muito bem vista pelo mercado.

Ou seja, você tira um presidente que está entregando tudo que o mercado espera, sem um motivo claro, e é óbvio que há pressão popular por causa do preço da gasolina e do diesel em um ano eleitoral. Bolsonaro pode falar qualquer outra coisa, mas é exatamente por isso.

A incerteza tende mais a limitar a alta do que adicionar muito risco ao papel. Geralmente na dúvida ou liquida a posição ou espera, dificilmente veremos pessoas aumentando exposição.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos

“Acontece novamente, então há um ano atrás o mercado já teve que olhar para isso. A visão é que, um ano depois, o conselho administrativo está mais ativo, o acionista mais protegido e o novo presidente tem menos poder de interferência no comando da empresa. A sensação também é que durante o mês de março a ação da Petrobras já sofreu, então ao longo das últimas semanas vimos o petróleo subindo e a Petrobras ficando para trás muito por conta disso”.

Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos

“O investidor que tem as ações da Petrobras em carteira verá toda a credibilidade reconstituída recentemente, previsibilidade da política de preços e boa gestão ruir em pouco tempo, pois a ingerência do governo sobre a Petrobras pode não ficar apenas no presidente, e sim no subsídio de preços, o que faz o consumidor pagar mais barato em relação ao mercado internacional, só que onera fortemente a empresa, pois alguém vai ter que pagar essa conta, e pelo decorrer dos fatos, pode ser a Petrobras.

A cotação das ações já está sofrendo pelo ruído dos boatos. Sem um plano por trás, ou pelo menos diretrizes claras em relação a política de preços, o investidor pode aguardar maiores correções de curto prazo”

Marcelo Oliveira, CFA e fundador da Quantzed, empresa de educação financeira

“O impacto para os investidores sobre Luna ser demitido vai depender muito de quem será o substituto. O mercado vai querer ver se vem alguém técnico ou alguém político e isso ditará a direção do papel, dado à apreciação do petróleo por um lado e as interferências políticas do outro”.

Mario Goulart, analista CNPI da O2Research

“Bolsonaro tenta a todo custo descolar sua imagem do problema do aumento da gasolina. Que não é um problema do governo dele, mas da conjuntura internacional e da disparada dos preços do petróleo. Ser presidente da Petrobras hoje é um dos piores empregos do mundo

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Desde o princípio do governo, ainda em abril de 2019, o Presidente da República tenta mostrar a seus eleitores que pode controlar o preço da gasolina. O líder do Executivo acha que ainda pode controlar o preço da gasolina na bomba na base da canetada. E como existe a memória da greve dos caminhoneiros em 2018, que parou o Brasil, ele morre de medo da categoria.

Então funciona como uma espécie de justificativa aos eleitores. Ser presidente da Petrobras hoje é um dos piores empregos do mundo. Seus acionistas minoritários querem lucro e dividendos. O acionista majoritário enxerga a companhia como um instrumento de política de preços e populismo. Sobre as ações, acho que o mercado já vinha precificando a saída, até porque ela já estava anunciada já há algum tempo”.

Ariane Benedito, economista da CM Capital

“Essa decisão mexe bastante com o preço dessa ação no mercado acionário, refletindo uma preocupação e cautela por parte dos investidores pela condução do repasse de preços ao consumidor final por parte da Petrobras. Mas abre espaço para investidores que gostariam também de se posicionar nessa empresa como uma boa pagadora de dividendos, uma empresa sólida para se levar no médio e longo prazo. Isso coloca em cheque se a oferta e demanda desse papel no mercado equilibrará esse ponto negativo trazido para precificação dessa ação.

A Petro continua entre as nossas recomendações, porque entra no setor de commodities, que está sendo muito beneficiado, e conta também com a incerteza do prolongamento entre Rússia e Ucrânia com os impasses geopolíticos”.

Rodrigo Fonseca, CIO da Frontier Capital

“O governo já teve uma experiência no passado de ficar insatisfeito com as altas de preços e ter trocado o presidente da empresa, quando trocaram o [Roberto] Castello Branco pelo atual. Se o governo já fez isso uma vez e não conseguiu plenamente os seus objetivos, porque na segunda vez funcionaria? Existem alguns limites de governança, vários controles que dificultam a vida de um presidente que queira rasgar dinheiro na Petrobras.

Claro, existe algum espaço para o novo presidente tomar uma política que seja mais alinhada ao interesse do governo em detrimento aos acionistas. E o mercado já precifica isso, não é como se acreditássemos que a empresa era 100% blindada e, de repente, mudou tudo. Eu tentaria relativizar um pouco o dano que isso causa. Até porque a notícia foi dada com o mercado aberto, teve uma queda no momento e depois logo corrigiu.

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O outro lado é quem vai indicar esse novo presidente e que tipo de política ele vai adotar. Eu acho que existe um dano para a companhia, mas é um dano limitado”.

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