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Mercado

Intrum: ‘Brasil é referência mundial em digitalização financeira’

CEO da Intrum Brasil, Ulisses Rodrigues destaca a inovação e a tradição da empresa sueca no mercado brasileiro

Por Rebeca Soares

24/01/2022 | 17:31 Atualização: 24/01/2022 | 21:25

Ulisses Rodrigues, CEO da Intrum Brasil Foto: Divulgação Intrum Brasil
Ulisses Rodrigues, CEO da Intrum Brasil Foto: Divulgação Intrum Brasil

O ecossistema financeiro mostra avanço de serviços, funcionalidades e transações de forma acelerada. Além dos famosos bancos digitais, que ganham cada vez mais espaço na rotina das pessoas, empresas de gestão de crédito e capital também crescem no mercado junto ao desenvolvimento de tecnologia. Fundada em 1923, a sueca Intrum (STO: INTRUM) é listada na Bolsa de Valores de Estocolmo, que integra a Nasdaq Nordic, e chegou ao Brasil em 2018.

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O CEO da Intrum Brasil, Ulisses Rodrigues, avalia que o País é referência mundial no processo de digitalização financeira. Por conta disso, a empresa fez estudo do mercado para trazer ao País o histórico de trabalho realizado nos mais de 20 países onde a companhia atua.

Rodrigues destacou ainda os resultados do Relatório Sobre Pagamentos no Brasil, realizado pela primeira vez no ano passado com o objetivo de avaliar comportamento de pagamento das empresas, saúde financeira das companhias e as perspectivas econômicas. Ao todo, foram ouvidos executivos de 700 empresas de diferentes setores, como energia, consumo, tecnologia, farmacêutico e construção civil.

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Entre os insights, o levantamento mostrou que 52% das companhias tiveram queda de lucros durante a pandemia. Em relação à resposta da empresa ao cenário econômico do Brasil, acreditam que uma recessão é iminente no País. Em resposta à recessão ou à expectativa de recessão, 32% afirmaram que pretendem cortar custos, 25% disseram estar mais cautelosas ao contrair dívidas e 19% têm intenção de antecipar o prazo de pagamentos de clientes.

Pensando nos setores, consumo, incluindo varejo (95%), imobiliário e construção civil (93%), bancário, serviços financeiros e seguros (90%), tecnologia, mídia e telecomunicações (90%) e hotelaria e turismo (90%) são os que mais acreditam no impacto negativo em uma recessão.

Olhando para os pagamento, 56% das empresas respondentes concordam que a política de prazos de pagamento deve fazer parte dos relatórios de sustentabilidade da empresa. Para metade das companhias, a pandemia do coronavírus acelerou o progresso do Brasil para a extinção do uso de papel-moeda.

Confira os destaques da conversa exclusiva para o E-Investidor.

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E-Investidor — O que o mercado brasileiro representa para a Intrum?

Ulisses Rodrigues — O mercado brasileiro é gigante. A atividade de aquisição e recebíveis, por exemplo, já está bem desenvolvida. Além disso, os grandes bancos brasileiros desenvolvem carteiras expressivas, o que torna os negócios no Brasil bastante interessantes para os investidores internacionais.

Como o País é muito grande e o empresariado valoriza a digitalização, a Intrum veio trazer a atuação centenária para desenvolver os negócios aqui.

Os meios de pagamentos no Brasil e o comportamento do brasileiro são bastante diferentes do que a Intrum já observava na Europa. Aqui, o mercado está mais digitalizado. As empresas de cobrança, de maneira geral, já mostram fatias expressivas da receita sendo provenientes dos canais digitais. Essa proporção ainda é bem pequena na Europa.

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Por outro lado, o consumidor brasileiro adaptou-se muito rápido a essas mudanças. Todos nós nos acostumamos a usar o celular para muitas atividades, incluindo, negociação de dívidas, pagamentos, PIX, por exemplo. A digitalização no Brasil é gigante se comparada com a Europa.

E-Investidor — Diante deste cenário, podemos afirmar que o Brasil é um modelo e referência?

Rodrigues — Sim, o Brasil é uma referência de digitalização financeira para a Europa e para o mundo. Aqui vemos empresas de cobrança que são exclusivamente digitais, inclusive algumas que já foram compradas pelo Serasa ou pelo Boa Vista, enquanto isso não existe na Europa.

E-Investidor — Quais são as principais diferenças entre a digitalização dos sistemas europeus e brasileiro?

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Rodrigues — Um exemplo prático, a Europa já vem trabalhando com a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais] há muito mais tempo. Tivemos que fazer essa mudança no ano passado.

A maioria dos países europeus tem atividade de cobrança super regulamentada, enquanto no Brasil não tem. Então, algumas adaptações foram necessárias. Não foi nada drástico, mas adaptações foram necessárias tanto nos sistemas como em políticas. Outra mudança considerada é a adaptação da realidade brasileira às políticas de governança europeia, que são muito rigorosas.

Usamos bastante tempo para esse ajuste, mas temos clientes aqui no Brasil com quem temos trabalhado há algum tempo. Os modelos foram testados e adaptados.

E-Investidor — Como surgiu a necessidade de entrar nesta região?

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Rodrigues — Nós terminamos recentemente o período de adaptação. Tivemos um tempo de ambientação e ajuste da companhia.

Por enquanto, ainda estamos apenas no Brasil, na América Latina. O plano é ganhar tamanho relevante e representativo no mercado brasileiro primeiro e, em seguida, começar a olhar para outros países latino-americanos.

E-Investidor — Como a pandemia influenciou a inovação de meios de pagamentos?

Rodrigues — O primeiro ponto foi a capacidade do empresário de se adaptar rapidamente ao prolongamento da pandemia. Existem ainda pontos de tensão na relação com a inadimplência e com os pagamentos. Um indicador importante no nosso relatório é que existiram várias renegociações de dívidas para encaixar no fluxo de caixa.

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A pesquisa mostrou que, no que tange à gestão de dívidas, 49% das empresas decidiram buscar a renegociação de dívidas com diferentes credores, sendo 25% de dívidas bancárias e 24% com fornecedores.

Além disso, foi visto uma aceleração enorme de todo o processo de digitalização, que é irreversível.

E-Investidor — O que foi surpresa e o que foi esperado no Relatório Sobre Pagamentos no Brasil 2021, feito pela Intrum e pela Longitude?

Rodrigues — Muitas das informações capturadas no relatório foram materializadas, atribuo isso a ter sido uma pesquisa de campo. O dado é muito concreto, o que nós prevemos como a preocupação com a inadimplência, os atrasos com pagamentos, a dificuldade das pequenas e médias empresas acabou sendo comprovada. Vemos que o relatório foi muito preciso nesse sentido.

E-Investidor — Existem setores que estão mais avançados e outros que ainda têm dificuldade de adaptação para a digitalização financeira? Quais são e por que isso acontece?

Rodrigues — Setorizamos as empresas da pesquisa, mas ao separar entre o tamanho das companhias, vemos uma maior aceleração entre as pequenas e médias. Analisamos que, por serem mais vulneráveis, precisavam dar passos à frente para conseguir superar as crises.

E-Investidor — Quais os desafios das empresas e para adaptação?

Rodrigues — O comportamento do consumidor, a relação das empresas internamente e com outras companhias são componentes importantes.

As grandes empresas exerceram pressão sobre as pequenas, ao longo da pandemia, dilatando os prazos de pagamento, o que afeta toda a cadeia. Na Europa, vimos um encurtamento dos prazos de pagamento.

Estamos entrando em 2022 com a taxa de desemprego alta, inflação e juros altos também. É preciso ter muitos alertas e as empresas devem ficar atentas à gestão de fluxo de caixa.

E-Investidor — A empresa chegou ao Brasil em 2018 e em 2022 deve visualizar uma instabilidade por conta do período eleitoral. Existe uma preocupação ou preparação para o trabalho neste ano?

Rodrigues — Existem dois indicadores importantes. Um é a inadimplência, que já é ascendente, e o segundo é a quantidade de pessoas endividadas, que também vem aumentando. Isso é uma sinalização clara de que vamos enfrentar dificuldades em 2022. A instabilidade natural deve acentuar um pouco mais, mas temos todo esse cenário mapeado para acompanharmos e atuarmos da melhor maneira.

E-Investidor — As fintechs estão cada vez mais influentes no mercado e na aceitação do público. Esse boom e possíveis concorrentes são identificados pela Intrum?

Rodrigues — As fintechs, de maneira geral, são empresas que nos relacionamos bem, pois entendemos que nossos trabalhos são complementares. Existem fintechs surgindo a toda hora, mas são centradas no digital, não é exatamente o que a gente faz.

Temos uma plataforma digital bem desenvolvida, mas temos uma atividade que complementa o digital. Essa junção é uma vantagem competitiva muito grande sobre as fintechs que estão surgindo.

Sabemos que, apesar de difícil de prever, é que vai surgir uma série de novidades e ideias inovadoras, até disruptivas, que vão acabar transformando o mercado e fazendo com que nossa atividade tenha que ser redesenhada com rapidez.

E-Investidor — Uma das perguntas no relatório avalia a expectativa sobre o futuro do papel-moeda. Ele vai deixar de existir?

Rodrigues — Existe uma expectativa de que o papel-moeda vai deixar de existir. Mas a pesquisa mostra que não, se isso acontecer não deve ser até os próximos 10 anos.

Mais da metade dos brasileiros (51%) acreditam que não vão precisa de papel-moeda em dez anos. Entre os europeus, a fatia também é expressiva, 54%. 40% dos brasileiros acreditam que o papel-moeda não vai deixar de existir nos próximos dez anos ou nunca, na Europa a porcentagem é de 28%.

E-Investidor — Quais as expectativas para o relatório de 2022? Há projeções para mudanças significativas?

Rodrigues — Em 2022 vamos lançar o novo relatório e a expectativa é ter uma leitura aderente do empresário. O estudo é feito a partir de pesquisa de campo com C-level das companhias. Agora vamos fazer uma releitura após tanta coisa ter acontecido desde o anterior.Vemos também uma possibilidade de reeducar o mercado a partir das informações e posição dos dados.

Neste ano também queremos aumentas a visibilidade no mercado brasileiro e desenvolver nossas duas verticais de negócios, a gestão de recebíveis e a compra de carteiras.

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