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Mercado

Engie: “Energia renovável está no coração da discussão ESG”

Eduardo Sattamini, diretor-presidente da empresa, fala sobre investimento em fontes limpas e o futuro do setor

Por Jenne Andrade

21/12/2021 | 15:02 Atualização: 21/12/2021 | 15:02

Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie Brasil Energia afirma que tendência é o investimento em fontes renováveis. Foto: Divulgação/Engie Brasil
Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie Brasil Energia afirma que tendência é o investimento em fontes renováveis. Foto: Divulgação/Engie Brasil

Nunca se falou tanto em sustentabilidade e boas práticas empresariais no Brasil. O assunto começou a ganhar mais tração no ano passado, em função do agravamento da crise sanitária mundial. Entretanto, 2021 trouxe um novo desafio ambiental: o País passa pela pior crise hídrica em 91 anos. É importante lembrar que pelo menos 61% da energia gerada em solo brasileiro tem origem hidrológica, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Não é por acaso, portanto, que as empresas elétricas passaram a entrar nos holofotes. De acordo com Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie Brasil Energia (ENGI3), e uma das maiores produtoras de energia elétrica do País, a falta de chuvas mostra a importância da diversificação de fontes energéticas. A ideia é mitigar os impactos de uma nova crise hídrica no futuro.

“Vamos requerer investimentos cada vez mais consideráveis em energia eólica, solar e térmicas flexíveis para melhorar as condições de suprimento do sistema elétrico brasileiro”, afirma o executivo.

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Hoje, cerca de 97% da capacidade instalada da Engie é proveniente de fontes renováveis. A companhia vê a pressão em torno do ESG – boas práticas sociais, ambientais e de governança nas empresas – aumentar entre os investidores. Os players que se anteciparem e se consolidarem em fontes limpas, além de ajudarem o meio-ambiente, também sairão na frente no mercado.

“Energia renovável está no coração desta discussão e as empresas que embarcarem nessa tendência terão a preferência dos investidores. Vou além, essas empresas terão a preferência também dos consumidores pelas mesmas razões”, diz.

Leia os principais trechos da entrevista:

E-Investidor – O Brasil vive uma crise hídrica, considerada a pior em 91 anos de monitoramento das bacias hidrográficas do País. As fontes alternativas, como a solar e eólica, podem ajudar a enfrentar esse momento?

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Sattamini – Neste último período úmido (dezembro de 2020 a abril de 2021), foi registrado um dos piores desempenhos de chuvas do histórico de 91 anos – apenas 71% da média esperada para o ciclo.

Isso me faz acreditar que o caminho para equacionar este cenário no futuro é a diversificação. Mudança que irá requerer investimentos cada vez mais consideráveis em energia eólica, solar e térmicas flexíveis, para melhorar as condições de suprimento do sistema elétrico brasileiro e assegurar a ampliação do alcance e reforço da infraestrutura, com linhas de transmissão interconectadas que garantam as condições de intercâmbio entre as regiões produtoras e consumidoras.

E-Investidor – Como vocês têm se preparado para se prevenir de futuras crises?

Eduardo Sattamini – O investimento que estamos fazendo em renováveis, a aquisição da TAG (distribuidora de gás) e nosso olhar para linhas de transmissão são algumas das ações estratégicas de gestão de portfólio e diversificação de negócios que podem garantir um cenário de menor impacto da hidrologia em nossas operações no futuro. Além disso, temos gerido nosso portfólio de energia de forma a buscar não estarmos expostos ao mercado spot num ano de crise hídrica.

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E-Investidor – Apesar de ter reportado um aumento de 30% no lucro líquido no 3° trimestre, a empresa apresentou dificuldades na produção devido à crise hídrica. O que Engie tem feito para diminuir os impactos? 

Sattamini – Nosso resultado do 3T21 mostra que, mesmo em meio à maior crise hídrica dos últimos 91 anos, registramos apenas 1,8% de queda na produção de energia elétrica em comparação ao 3T20, garantindo altos índices de disponibilidade. Embora a queda na geração hidrelétrica tenha chegado a 7,5% em razão do cenário hidrológico, houve aumento de 20,1% na produção de energia em relação ao mesmo período do ano passado, devido ao início da operação comercial integral da eólica Campo Largo 2.

O período também representou um momento importante para fortalecimento do nosso posicionamento, em especial motivado pelo alinhamento com órgãos reguladores, resultando na aprovação da Lei 14.182/21, a qual confirmou a interpretação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de estender a compensação por perdas hidrológicas do Fator de Ajuste da Energia Assegurada (GSF) para as usinas, que repactuaram o risco hidrológico para o período anterior a 2015 e para as usinas estruturantes.

A estratégia de diversificação de portfólio e o apetite por crescimento continuam sendo forças motrizes da nossa atuação, consolidando a Engie Brasil Energia como uma plataforma sólida e robusta de investimentos no setor.

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E-Investidor – Devido ao movimento de fontes renováveis, e a preocupação do mercado e consumidores com uma agenda mais sustentável, as empresas do setor que apostarem nessas alternativas devem tornar suas ações mais atrativas aos investidores?

Sattamini – Isso já está ocorrendo. Temos visto crescer muito a preocupação dos investidores com os princípios de ESG e uma maior pressão sobre as empresas de capital aberto por investimentos mais sustentáveis. Energia renovável está no coração desta discussão e as empresas que embarcarem nessa tendência terão a preferência dos investidores. E vou além, essas empresas terão a preferência também dos consumidores pelas mesmas razões – os investidores dos nossos clientes também estão atentos à redução de emissões dos seus fornecedores. É um efeito em cadeia, um ciclo sustentável virtuoso.

E-Investidor – Após essa crise, os investimentos no setor devem ganhar mais robustez?

Sattamini – Fomos uma das primeiras empresas a desenvolver projetos para o mercado livre de energia exclusivamente a partir das renováveis. Nossa solidez financeira, principalmente agora, com inadimplência no mercado e crise de credibilidade, garante confiança e o reconhecimento dos clientes para contratos de longo prazo.

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O mercado livre de energia cresce a cada ano no Brasil e é um segmento que já representa 30% de toda a energia elétrica consumida no País, segundo dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel). Sabemos que o potencial desse mercado é grande, devido a intenção de abertura de mercado já manifestada pelo governo e apoiada pelos agentes do setor. Nesse contexto, as fontes mais competitivas, no caso eólica e solar, devem ter papel de destaque nos investimentos futuros de nova capacidade de geração.

E-Investidor – A Engie lançou recentemente uma solução que garante economia na conta de luz de pequenas e médias empresas. Como o E-conomiza funciona e como a empresa consegue assegurar essa economia?

Sattamini – O E-conomiza oferece às empresas uma oportunidade de migração ao mercado livre de energia de forma simples, sem burocracia e com todas as vantagens que a modalidade oferece: amplo poder de escolha, maior competitividade, flexibilidade na negociação e previsibilidade de custos, além da eliminação da necessidade de associação à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, já que todo o processo operacional de migração e gestão da conta é feito por profissionais da Engie.

A nossa solução é voltada para empresas que ainda estão no mercado cativo e que, com as crescentes tarifas das distribuidoras de energia, gastam mais de R$ 55 mil mensais com energia, somando todas as unidades consumidoras. Outro benefício da Engie para os clientes do E-conomiza é a possibilidade de selecionar fontes renováveis de energia, o que também permite maior protagonismo e proatividade destas empresas com seus compromissos de descarbonização.

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É importante trazer o contexto de que no mercado livre de energia, cuja representatividade já alcançou 30% de toda energia elétrica consumida no Brasil, a Engie é a maior comercializadora do País. Hoje, mais de 60% da nossa capacidade de energia disponível para venda é comercializada no mercado livre, por meio de contratos de curto, médio e longo prazo, para diversos setores da indústria, comércio e serviços, representando aproximadamente 1.900 unidades consumidoras nas cinco regiões do País.

E-Investidor – Vocês também têm buscado aumentar o portfólio em fontes renováveis. Como cumprir o propósito de acelerar a transição energética para uma economia neutra em carbono?

Sattamini – Todas as nossas ações estão alinhadas ao propósito do Grupo Engie e focadas em executar a nossa estratégia de negócios e de crescimento no Brasil, direcionando investimentos para empreendimentos de energia renovável e infraestrutura de transmissão. Entendemos que ambos os segmentos têm um papel crucial na transição energética, possibilitando tornar a matriz elétrica brasileira mais limpa e acessível a todos.

Hoje, cerca de 97% da nossa capacidade instalada é proveniente de fontes renováveis. Crescemos substancialmente em eólicas, alcançando o marco de 1,26 GW de capacidade instalada no Brasil com a entrada em operação comercial integral de Campo Largo 2, na Bahia. Também iniciamos a implantação do Conjunto Eólico Santo Agostinho (RN), com investimento de R$ 2,3 bilhões. Olhando para o futuro, assinamos em setembro a compra do projeto do Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, localizado no município de Assú (RN), adicionando 750 MW ao nosso pipeline de projetos em estágio avançado de desenvolvimento, que soma agora 2,2 GW.

Para acelerar a descarbonização da matriz elétrica brasileira é essencial fortalecer a transmissão de energia. Colocamos em operação antecipadamente as linhas de transmissão de Gralha Azul (PR) e Novo Estado (PA e TO) em relação ao prazo limite do contrato de concessão. Seguimos atentos a oportunidades de negócio que estejam conectadas a esses direcionadores estratégicos da companhia.

E-Investidor – Por que o investidor deve investir na Engie?

Sattamini – Somos uma plataforma de investimento em infraestrutura de energia, uma geradora de valor para os nossos acionistas. Nossos massivos investimentos em fontes renováveis e infraestrutura garantem esse compromisso. Trabalhamos com transparência, disciplina financeira, respeito ao meio ambiente, apoio às comunidades e foco na eficiência operacional como possibilitadores do nosso crescimento de longo prazo.

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