O principal incômodo veio da sinistralidade, que mede o peso dos custos médicos sobre a receita. O índice subiu para 75,5%, acima do padrão sazonal. Em termos simples, os gastos com atendimento cresceram mais do que o esperado. Ao mesmo tempo, a base de clientes encolheu em 140 mil vidas no trimestre, enquanto o custo por beneficiário avançou mais rápido do que o tíquete médio.
A companhia seguiu investindo, com R$ 1,04 bilhão em capex em 2025, termo usado para os investimentos em expansão e estrutura, e viu a dívida líquida subir para R$ 5,2 bilhões. Também houve avanço nas provisões de contingência, reservas para riscos judiciais, além de custos ligados à expansão da rede própria, que ainda passa por fase de maturação.
O clima não foi muito diferente no balanço anterior. No 3T25, a reação foi ainda mais aguda. As ações da Hapvida (HAPV3) chegaram a despencar mais de 47% no pregão, tocaram mínima histórica e evaporaram mais de R$ 6 bilhões em valor de mercado em poucas horas. O movimento levou a companhia a romper, pela primeira vez desde a sua oferta inicial de ações (IPO), em 2018, a marca de R$ 10 bilhões em valor de mercado.
Naquele momento, o mercado já pontuava as margens pressionadas, aumento da sinistralidade e dificuldade de traduzir crescimento em rentabilidade. O 4T25, longe de reverter essa percepção, reforça a leitura de que os desafios persistem.
O BTG Pactual classificou o resultado como “muito fraco” e “ainda pior” do que o do terceiro trimestre, destacando perda recorde de clientes, pressão de custos e queima de caixa em um período que deveria ser mais forte. Para o banco, o conjunto de problemas virou “bandeiras vermelhas”, com dúvidas sobre desalavancagem e risco de diluição.
O Citi afirmou que “não há motivos para se animar” e chamou atenção para a queima de caixa de R$ 490 milhões, indicador que mostra quanto dinheiro a operação consumiu no período. O banco também destacou margens pressionadas e revisões negativas.
A Ativa foi na mesma linha, classificou o resultado como “fraco” e rebaixou a recomendação. A corretora vê sinistralidade elevada e custos de expansão como entraves para a recuperação das margens.
Já o BB Investimentos manteve visão restritiva no curto prazo e afirma que a melhora depende da maturação dos investimentos, em meio a um ambiente mais competitivo.
A leitura das casas é de cautela. BTG, Citi e BB mantêm recomendação neutra para Hapvida, e a Ativa rebaixou o papel para esse patamar após o balanço. Os preços-alvo vão de R$ 15 a R$ 18,50, indicando potencial de alta, mas ainda dependente de melhora nos resultados.
Apesar da reação negativa inicial, as ações mostraram forte volatilidade no dia. Após cair cerca de 13% na abertura, o papel virou e passou a subir, chegando a avançar mais de 14% por volta de 14h30 (de Brasília), na faixa de R$ 9,36, liderando o Ibovespa.
O movimento sugere alívio de curto prazo, apoiado no discurso da companhia sobre controle de custos e recuperação operacional. Ainda assim, o tom das recomendações indica que o mercado segue à espera de sinais mais consistentes antes de mudar a percepção sobre o papel.
Com informações da Broadcast.