No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo do Estado de São Paulo, em pronunciamento à imprensa no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, às 19 horas.
A disparada do petróleo, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, que chega ao 20º dia, manteve os mercados globais cautelosos. O Brent chegou a atingir US$ 119 o barril mais cedo, impulsionado por ataques à infraestrutura petrolífera, ofensivas contra embarcações no Golfo e pela morte de líderes iranianos, indicando uma possível interrupção prolongada no fornecimento. Sirenes de alerta voltaram a soar em diferentes países da região e também em Israel diante de uma nova ofensiva iraniana.
Juros do Fed e Copom e a repercussão nos mercados
O ambiente defensivo também foi reforçado pela sinalização do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, de que o próximo movimento, já em abril, pode ser de alta de juros. Com isso, o mercado passou a projetar a retomada do afrouxamento monetário apenas para o fim de 2026 ou até 2027.
Mais cedo, o Banco do Japão manteve sua taxa em 0,75%, enquanto o Banco da Inglaterra (BoE) preservou sua taxa de juros em 3,75%. O Banco Central Europeu (BCE) foi outro a manter suas taxas. Após concluir reunião de política monetária, o BCE conservou sua taxa de depósito em 2%, a de refinanciamento em 2,15% e a de empréstimos em 2,40%. À noite, chega a vez do Banco Popular da China (PBoC) definir o rumo dos juros.
Em meio ao nervosismo externo, os mercados locais reagiram à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic em 25 pontos-base, para 14,75%, como esperado, e sinalizar a continuidade do ciclo de cortes, em movimento oposto ao de outros bancos centrais. Apesar de reconhecer que o cenário externo “exige cautela por parte dos países emergentes”, o comitê indicou que o processo de redução da taxa básica está apenas começando.
“Minha leitura é de que o corte de 0,25 ponto marca o início do ciclo de flexibilização monetária, mas ainda dentro de um ambiente que exige cautela”, explica Thiago Aor, CFO da Cora. O cenário global mais volátil, com a alta do petróleo, somado a riscos domésticos recentes, como a pressão sobre combustíveis e a possibilidade de paralisação dos caminhoneiros, limita o espaço para movimentos mais acelerados.
Ainda assim, os ajustes na curva de juros devem seguir pressionados pelo avanço do petróleo e pela alta dos rendimentos dos Treasuries (títulos públicos dos EUA), elevando a expectativa de novas intervenções do Tesouro nos leilões de títulos prefixados diante da volatilidade. Em apenas três dias, essas atuações já somam R$ 47,35 bilhões na semana, segundo a Warren Investimentos.
Mercados internacionais em cautela com nova alta do petróleo
Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio. O movimento reflete ataques crescentes à infraestrutura petrolífera e a embarcações no Golfo, além da morte de líderes iranianos.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 0,09% a US$ 95,55 o barril. Já o Brent para maio subiu 1,18% a US$ 108,65 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Nas máximas, o WTI e o Brent tocaram o maior nível em dez dias, a US$ 100,48 e a US$ 119,13, respectivamente.
Os índices de Nova York fecharam em queda, após Wall Street recuar mais de 1% na véspera, pressionada pela guerra e pela postura mais dura do Fed. O Dow Jones teve baixa de 0,44%, o S&P 500 recuou 0,27% e o Nasdaq caiu 0,28%.
Os rendimentos dos Treasuries fecharam sem direção única. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que ofertou US$ 19 bilhões em leilão de títulos atrelados à inflação (Tips) de 10 anos realizado hoje com rendimento máximo de 1,896% – abaixo da média recente de 1,899%%, de acordo com o BMO. A taxa bid-to-cover, um indicativo da demanda, ficou em 2,47 vezes, acima da média recente, de 2,35 vezes.
A T-note de 2 anos subiu a 3,798%, a de 10 anos recuou a 4,26% e o T-bond de 30 anos foi a 4,843%.
O dólar recuou frente ao euro, à libra e ao iene, após as decisões do BCE, do BoE e do Banco do Japão. O euro teve alta a US$ 1,1581, a libra subiu a US$ 1,3428 e o dólar cedeu a 157,688 ienes. Já o índice DXY do dólar — que acompanha as flutuações da moeda norte-americana em relação a outras seis divisas relevantes — teve baixa de 0,88%, a 99,206 pontos.
As bolsas europeias fecharam em forte queda. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em baixa de 2,35%, a 10.063,50 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 2,76%, a 22.852,48 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 2,03%, a 7.807,87 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 2,32%, a 43.701,38 pontos. Em Madri, o Ibex 35 computou baixa de 2,27%, a 16.905,90 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 cedeu 2,06%, a 8.946,83 pontos.
Os mercados asiáticos fecharam em forte baixa, acompanhando Wall Street, com pressão da alta do petróleo, da guerra e do temor de juros mais elevados. O Nikkei liderou as perdas, com queda de 3,38%, seguido por Kospi (-2,73%), Hang Seng (-2,02%) e Taiex (-1,92%). Na China, o Xangai Composto caiu 1,39% e o Shenzhen recuou 2,27%. Na Oceania, o S&P/ASX 200 perdeu 1,65%.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet