Ibovespa hoje repercutiu queda do petróleo e desdobramentos do caso Master. (Foto: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje fechou em queda de 0,73% aos 155.380,66 pontos. Nesta quarta-feira (19), as atenções do mercado estiveram no balanço da Nvidia (NVDA) e na ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), enquanto a liquidação do Banco Master seguiu no radar local.
Nesta tarde, o Departamento de Estatística do Trabalho dos Estados Unidos (BLS, na sigla em inglês) informou que divulgará o relatório de emprego, conhecido como payroll, de novembro no dia 16 de dezembro, adiado devido ao atraso na coleta e processamento de dados provocado pelo shutdown federal.
Os dados do payroll de outubro não serão divulgados. Já o relatório Jolts de outubro foi remarcado para 9 de dezembro, segundo informações do site do departamento. O indicador será publicado em conjunto com os dados de novembro.
O principal índice da B3 hoje sofreu em meio à desvalorização de mais de 2% nas cotações do petróleo Brent e às incertezas relacionadas à liquidação do banco Master, que ontem pesou nas ações de bancos na B3. Com o feriado da Consciência Negra, a Bolsa ficará fechada na quinta-feira (20).
“No Brasil, a cautela externa e o feriado local de amanhã estimularam a continuidade de uma abordagem mais defensiva, após os bons ganhos acumulados nas últimas semanas”, afirma Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.
Na seara corporativa, o foco continuou nas ações do setor financeiro da B3, que voltaram a fechar em queda generalizada. Estima-se que grandes bancos terão de fazer contribuições extras ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir o rombo do Master.
No câmbio, o dólar hoje subiu ante moedas desenvolvidas e ante o real. A moeda americana fechou em valorização de 0,39% cotada a R$ 5,3385.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta quarta-feira (19)
Bolsas de NY fecham em alta após ata do Fed
Os índices de Nova York fecharam em alta. O mercado acompanhou a ata do Fed, que mostrou divisão dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), como havia sido indicado pelo comunicado. O documento afirma que “muitos participantes” sugeriram que “provavelmente seria apropriado manter as taxas de juros inalteradas pelo resto do ano”, revelando que uma parte expressiva do Fomc via pouca necessidade de novos cortes após a decisão de outubro.
“O documento sugere que há mais integrantes inclinados a defender a manutenção de juros na reunião de dezembro do que um novo corte. No entanto, não há garantia de que todos os que estão no campo da manutenção sejam membros votantes. Diante disso, tudo indica que a decisão de dezembro será bastante dividida, com elevada dissidência”, avalia André Valério, economista sênior do Inter.
Em um revés para o presidente dos EUA, Donald Trump, o Congresso americano aprovou uma proposta que obriga o Departamento de Justiça a divulgar os arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, condenado por abuso sexual de menores e que morreu na cadeia em 2019. “Não tenho nada a ver com Jeffrey Epstein”, disse Trump, que era amigo de Epstein.
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Lá fora, o dólar avançou frente a moedas fortes. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,68% aos 100.228 pontos.
Na Europa, o FTSE 100 em Londres recuou 0,47%, a 9.507,41 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,10%, a 23.204,14 pontos. Em Paris, o CAC 40 teve queda de 0,18%, a 7.953,77 pontos. Em Milão, o FTSE MIB perdeu 0,44%, a 42.651,49 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,74%, a 15.943,70 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 caiu 0,57%, a 8.072,95 pontos.
O caso expôs a fragilidade de um modelo agressivo de captação, baseado em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) que pagavam até 140% do Certificados de Depósitos Interbancários (CDI) e dependiam de lastros de baixa liquidez e de operações controversas com fundos de pensão e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para analistas, a decisão do BC foi necessária para evitar contágio e preservar a confiança no sistema.
O que mais repercutiu no Ibovespa hoje
O mercado também monitora a aprovação, no Senado, do projeto de lei que institui o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp), com um jabuti que resgata parte da MP 1.303/2025 e cria alternativas ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O texto segue agora para sanção.
A proposta autoriza a atualização do valor de imóveis e veículos no Imposto de Renda (IR) e a regularização de bens lícitos não declarados. Segundo parlamentares governistas, as medidas podem reverter cerca de R$ 25 bilhões aos cofres públicos.
Agenda econômica do dia
Um dos destaques do dia era o balanço da Nvidia (NVDC34), que foi divulgado após o fechamento do mercado. A empresa teve lucro líquido de US$ 31,91 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026.
Ainda na agenda econômica do dia, nos Estados Unidos, o déficit comercial caiu 23,8% em agosto ante julho, a US$ 59,6 bilhões, segundo dados publicados pelo Departamento do Comércio americano nesta quarta-feira. Analistas consultados pela FactSet previam saldo negativo maior em agosto, de US$ 61 bilhões.
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No Brasil, o Tesouro antecipou para hoje os leilões de Letras do Tesouro Nacional (LTN, títulos prefixados) e Nota do Tesouro Nacional série F (NTN-F, título de renda fixa). O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) realizou o segundo dia de reuniões.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Maria Regina Silva, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast