Ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos nesta terça-feira atingiram o prédio da Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela eleição do novo líder supremo do Irã, segundo a imprensa local. O governo iraniano ainda não se manifestou. O jornal The Times of Israel informou que a reunião teria a presença de 88 aiatolás, mas ainda não se sabe quantos deles estavam no local no momento do ataque.
O dia foi marcado por uma nova disparada do petróleo. O barril do WTI para abril subiu 4,7% a US$ 74,56, enquanto o do Brent para maio avançou 4,7% a US$ 81,40. Os papéis de petroleiras brasileiras, que haviam subido na última sessão, hoje não acompanharam o movimento da commodity.
As ações da Prio (PRIO3) caíram 3,77%, enquanto os papéis da Brava Energia (BRAV3) e da Petrorecôncavo (RECV3) tiveram perdas de 2,92% e 3,38%, respectivamente. Os ativos da Petrobras (PETR3;PETR4) também se saíram mal: os ordinários (PETR3) recuaram 0,74% e os preferenciais (PETR4), 0,44%.
“Bancos pesaram muito, enquanto varejo e construção sofreram com a alta dos juros. Nem Petrobras conseguiu acompanhar a disparada do petróleo, o estresse foi generalizado”, comenta Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
Bruno Perri, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, avalia que a exposição dos estrangeiros em países emergentes deve diminuir no curto-prazo, até que se tenha melhor conhecimento sobre a profundidade e a expectativa de duração do conflito, de forma que o mercado possa recalcular riscos. “Mas estruturalmente, não havendo escalonamento do conflito ou entrada de novos países na guerra, como a China, esperamos que a tendência de rotação retome seu fluxo uma vez normalizada a situação”, diz.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq caíram 0,94%, 0,83% e 1,02%, respectivamente. Entre as companhias aéreas, a apreensão com o custo do petróleo seguiu como limitador para uma recuperação. A American Airlines (AAL) perdeu 0,48% e a United Airlines (UAL) caiu 0,65%. Só a Delta Airlines (DAL) conseguiu ir para o campo positivo, com alta de 0,54%.
O dólar hoje fechou em alta de 1,92% cotado a R$ 5,2652. “O risco sobre o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz mantém prêmio embutido em commodities e juros globais, o que sustenta o dólar. Enquanto houver incerteza sobre a duração e a intensidade da guerra, a tendência é de volatilidade elevada, com moedas emergentes mais vulneráveis”, destaca João Duarte, sócio da ONE Investimentos.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As duas únicas ações que valorizaram no dia foram Raízen (RAIZ4) e Braskem (BRKM5).
Raízen (RAIZ4): 6,15%, R$ 0,69
As ações da Raízen (RAIZ4) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 6,15% a R$ 0,69. Em encontro com jornalistas nesta terça-feira, o presidente da Shell, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que as negociações envolvendo a Raízen continuam ativas para achar uma solução estruturante e de longo prazo para a empresa. Segundo ele, não há data fixa para a conclusão do processo, mas todos os atores têm ciência da urgência do tema. “A Shell já se comprometeu em colocar R$ 3,5 bilhões na capitalização da Raízen”, afirmou.
A RAIZ4 está em alta de 9,52% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 14,81%.
Braskem (BRKM5): 3,24%, R$ 9,55
As ações da Braskem (BRKM5) subiram 3,24% a R$ 9,55, recuperando-se de parte das perdas da última sessão, quando tombaram 3,55%, entre as principais baixas do Ibovespa.
A BRKM5 está em baixa de 0,42% no mês. No ano, acumula uma valorização de 21,04%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram GPA (PCAR3), Yduqs (YDUQ3) e Assaí (ASAI3).
GPA (PCAR3): -17,78%, R$ 2,59
As ações do GPA (PCAR3) sofreram a maior queda do Ibovespa hoje e derreteram 17,78% a R$ 2,59. A Fitch rebaixou a nota de crédito corporativa da empresa em escala nacional, de A para CCC, com observação negativa. A agência afirma que a decisão reflete o aumento dos riscos de refinanciamento, o enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de que o fluxo de caixa livre (FCF) permanecerá negativo no médio prazo, caso não haja redução material do endividamento.
A PCAR3 está em baixa de 15,91% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 31,84%.
Yduqs (YDUQ3): -6,99%, R$ 12,1
Quem também se saiu mal foi a Yduqs (YDUQ3), com baixa de 6,99% a R$ 12,1. A ação da empresa, mais sensível aos ciclos econômicos, foi pressionada pela alta dos juros futuros na sessão.
A YDUQ3 está em baixa de 8,82% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 0,58%.
Assaí (ASAI3): -6,49%, R$ 8,65
As ações do Assaí (ASAI3) completaram os destaques negativos do Ibovespa hoje e tombaram 6,49% a R$ 8,65.
A ASAI3 está em baixa de 7,39% no mês. No ano, acumula uma valorização de 20,14%.
*Com Estadão Conteúdo