Ibovespa bate 18º recorde do ano e se aproxima dos 200 mil pontos; dólar fica abaixo de R$ 5
Bolsa brasileira renovou máximas intradiárias pelo quinto dia seguido, encerrando aos 198.657 pontos; queda da Petrobras, na esteira das perdas do petróleo hoje, limitou avanço do índice
Ibovespa hoje sobe e se aproxima dos 200 mil pontos com apoio externo, enquanto mercado monitora PPI dos EUA, petróleo em queda e cenário no Oriente Médio. (Foto: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje acompanhou nesta terça-feira (14) um ambiente externo positivo, embora ainda sensível às reviravoltas no cenário geopolítico no Oriente Médio – enquanto investidores acompanharam a divulgação de dados de inflação ao produtor (PPI) nos Estados Unidos, balanços de grandes bancos americanos e indicadores do setor de serviços no Brasil.
Ao final da sessão, o principal índice de ações da B3 registrou alta de 0,33% e atingiu os 198.657 pontos, seu 18º recorde diário do ano e o quinto consecutivo, após bater nova máxima intradiária de 199.134 pontos. Na semana, em duas sessões, o Ibovespa agrega 0,68% e, no mês, avança 5,97%, colocando o ganho do ano a 23,29%. O giro financeiro foi a R$ 32,9 bilhões no pregão de hoje.
Com o prosseguimento da tendência de devolução de prêmios de risco, que foram sendo acumulados desde o início de março com a eclosão da guerra no Irã, o dólar permaneceu abaixo da linha psicológica de R$ 5 pelo segundo dia, hoje a R$ 4,9938, em leve recuo de 0,06% no fechamento do câmbio. O petróleo, por sua vez, cedeu 4,6% em Londres e em cerca de 7,9% em Nova York, considerando os contratos futuros mais líquidos do Brent e do WTI, pela ordem, depois de ambos terem voltado a negociar acima dos US$ 100 no pico mais recente de tensão.
Após ter rompido essa barreira, o barril passou a oscilar com mais volatilidade diante de declarações do vice-presidente americano, JD Vance, indicando progresso nas conversas com Teerã e sinalizando que a continuidade das negociações agora depende do lado iraniano.
“Há a expectativa para a retomada dessas conversas, o que já animava os mercados na tarde de ontem, com melhora no desempenho dos ativos”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. “Dia de hoje só não foi melhor na B3 porque as ações de Petrobras se ajustaram ao petróleo”, acrescenta o analista, destacando também o enfraquecimento global do dólar com a relativa diminuição na percepção de risco geopolítico e, também, a leitura abaixo do esperado para o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos EUA referente a março.
Dentre as altas, empresas sensíveis à política monetária e ao ciclo doméstico estiveram Cogna (COGN3), alta de 4,69%, Direcional (DIRR3), + 3,08%, Localiza (RENT3), +4,47%, Rumo (RAIL3), + 4,19%, e os bancos, como Banco do Brasil (BBSA3) e Itaú (ITUB4), que ganharam 2,55% e 1,53%, refletindo bem ao otimismo do cenário econômico com o dólar em baixa.
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Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, aponta que o cenário mais positivo sobre o conflito derrubou o preço do petróleo, suavizou curvas de juros e derrubou o dólar globalmente, favorecendo ativos de risco, com destaque para o mercado brasileiro, que tem se beneficiado fortemente do fluxo externo.
“Vejo que o conflito parece estar caminhando para algum tipo de arrefecimento, sem ser possível ter segurança de que o movimento atual será perene”.
Contudo, a inflação preocupa: os preços do petróleo ainda estão bastante acima do que era observado no pré-conflito. Mas, caso haja um encerramento do conflito e eventual retorno dos preços do barril aos patamares de fevereiro, é possível que haja descompressão dos índices de preços, diz Perri.
E lá fora?
As bolsas globais reagiram de forma positiva às perspectivas de novos encontros diplomáticos para negociações entre Irã e Estados Unidos, enquanto o petróleo recuou.
Em Nova York, os índices encerraram no azul, com Dow Jones avançando 0,66%, S&P 500 subindo 1,17% e Nasdaq em alta de 1,96%, enquanto investidores acompanharam o PPI, balanços bancários e falas do Fed.
Na Europa, as Bolsas fecharam no azul após perdas no início da semana, com Londres ganhando 0,25%, Paris subindo 1,12% e Frankfurt registrando 1,27%. Os rendimentos dos Treasuries operavam em queda às 17h10 (de Brasília), com a T-note de 2 anos a 3,747%, T-note de 10 anos a 4,250% e T-bond de 30 anos em caía aos 4,863%.
Índices nacionais
No mercado doméstico, investidores acompanharam os dados de serviços. Segundo a economista Claudia Moreno, economista do C6 Bank, “os serviços crescem abaixo do esperado em fevereiro [0,1% ante projeção de 0,4%], mas devem ajudar a sustentar a atividade em 2026”.
Na comparação anual, o avanço foi de 0,5%, também aquém da projeção de 1,4%. Apesar da surpresa negativa, alguns segmentos seguiram mostrando força, como os serviços prestados às famílias, que avançaram 1,4%, e os de informação e comunicação, com alta de 1,1%. Também houve crescimento nos serviços de transportes e correio (0,6%), reforçando a resiliência de áreas importantes para o desempenho do setor e do PIB.
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Para Moreno, mesmo com o início do ciclo de cortes da Selic, os juros ainda elevados seguem pressionando consumo e investimentos, mas sem indicar uma desaceleração acentuada.
O banco projeta crescimento do PIB de 1,7% em 2026 e 2027, enquanto espera um corte moderado de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, levando a Selic a 14,5%, com taxa encerrando o ano em 13,5%, condicionada à evolução do cenário externo, especialmente no Oriente Médio.
Agenda de terça-feira (14)
Horário
País
Indicador/Evento
09:00
Brasil
IBGE: Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (Mar)
09:00
Brasil
IBGE: Pesquisa Mensal de Serviços (Fev)
11:00
Brasil
CNT/MDA divulgam pesquisa de intenção de voto, rejeição e expectativas sociais
11:00
Brasil
Tesouro faz leilão de LFT e NTN-B
11:30
Brasil
BC oferta até 50 mil contratos de swap cambial
12:00
Brasil
BC oferta até R$ 5 bilhões em operações compromissadas (3 meses)
00:00
China
Balança comercial (Mar), Exportações e Importações
05:00
França
AIE divulga relatório mensal
05:50
Reino Unido
Catherine Mann (BoE) participa de evento Aon Insights Series
09:30
Estados Unidos
Índice de Preços ao Produtor (PPI) e núcleo (Mar)
10:00
Estados Unidos
Painel sobre crescimento global (Semafor World Economy 2026)
10:00
Estados Unidos
Secretário do Tesouro participa de evento do IIF
10:00
Estados Unidos
FMI divulga relatório de perspectivas da economia global
11:00
Estados Unidos
Megan Greene (BoE) participa de evento
11:00
Estados Unidos
Philip Lane (BCE) palestra na Universidade de Virgínia
11:00
Estados Unidos
Painel sobre finanças globais com dirigentes de BCs
11:15
Estados Unidos
FMI divulga relatório de estabilidade financeira global
11:30
Estados Unidos
Representante comercial dos EUA participa de evento do IIF
12:00
Itália
Piero Cipollone (BCE) participa de fórum em Roma
13:00
Estados Unidos
Andrew Bailey (BoE) participa de evento na Universidade de Columbia
13:00
Estados Unidos
Valdis Dombrovskis participa de painel do FMI
13:45
Estados Unidos
Michael Barr (Fed) participa de painel com dirigentes regionais
16:00
Argentina
Índice de preços ao consumidor (Mar)
17:10
Estados Unidos
Sarah Breeden (BoE) participa de evento em Harvard
18:00
Estados Unidos
Christine Lagarde (BCE) participa do Spring Summit 2026