O mercado acompanhou a decisão do Federal Reserve (Fed), que manteve a taxa de juros americana na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. O movimento era amplamente esperado pelo mercado. A decisão não foi unânime. Dois dirigentes com direito a voto, os diretores Stephen Miran e Christopher Waller, divergiram da decisão e votaram para redução em 25 pontos-base.
Após o fechamento do pregão, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, destacou em comunicado.
Nicolas Gass, head de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, avalia que o movimento do Ibovespa tem sido influenciado pela entrada expressiva de capital estrangeiro, como mostramos nesta reportagem. “Vejo uma montagem de posição com foco no médio e longo prazo, sobretudo diante da perspectiva de queda dos juros, o que, na visão do investidor estrangeiro, torna o Brasil mais atrativo para capturar esse potencial de valorização à frente”, afirma.
A Vale (VALE3), ação de maior peso da carteira do Ibovespa, subiu 2,44%, após a produção de minério de ferro da companhia no quarto trimestre avançar 6% em relação ao mesmo período de 2024, alcançando 90,4 milhões de toneladas (Mt). No ano de 2025 inteiro, a produção de minério da Vale foi de 336,075 milhões, alta de 2,6% sobre o registrado em 2024. Com esse número, a mineradora superou, pela primeira vez desde 2018, a produção da empresa Rio Tinto em Pilbara, na Austrália, que foi de 327,3 milhões de toneladas.
Em Nova York, S&P 500 caiu 0,01%, enquanto Dow Jones e Nasdaq subiram 0,02% e 0,17%, respectivamente. Em coletiva de imprensa após a decisão do Fed, o presidente do banco central americano, Jerome Powell, deu respostas evasivas e trouxe poucas sinalizações sobre a trajetória futura dos juros no país.
No mercado doméstico de câmbio, o dólar hoje fechou praticamente estável, cotado a R$ 5,2066, contra o encerramento anterior de R$ 5,2067. Este é o menor nível de fechamento registrado pela moeda americana desde 28 de maio de 2024, então a R$ 5,1540.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Raízen (RAIZ4), C&A (CEAB3) e Usiminas (USIM5).
Raízen (RAIZ4): 20%, R$ 1,08
As ações da Raízen (RAIZ4) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 20% a R$ 1,08, ampliando os ganhos da última sessão, quando já haviam saltado 8,43%. Conforme apurou o Broadcast, a empresa pode passar por um aumento de capital entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão.
A RAIZ4 está em alta de 33,33% no mês. No ano, acumula uma valorização de 33,33%.
C&A (CEAB3): 8,6%, R$ 12,5
Quem também se saiu bem foi a C&A (CEAB3), que avançou 8,6% a R$ 12,5.
A CEAB3 está em baixa de 2,04% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 2,04%.
Usiminas (USIM5): 6,57%, R$ 6,97
Entre os destaques positivos, as ações da Usiminas (USIM5) subiram 6,57% a R$ 6,97, mesmo em dia de queda do minério de ferro no exterior.
A USIM5 está em alta de 17,14% no mês. No ano, acumula uma valorização de 17,14%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Embraer (EMBJ3), CPFL (CPFE3) e MBRF (MBRF3).
Embraer (EMBJ3): -3,53%, R$ 99,77
As ações da Embraer (EMBJ3) lideraram as perdas do Ibovespa hoje e derreteram 3,53% a R$ 99,77. A empresa informou crescimento de 20% em sua carteira de pedidos no quarto trimestre de 2025, em comparação com igual período do ano anterior, totalizando US$ 31,6 bilhões.
A EMBJ3 está em alta de 12,61% no mês. No ano, acumula uma valorização de 12,61%.
CPFL (CPFE3): -2,84%, R$ 53,05
Os papéis da CPFL (CPFE3), por sua vez, cederam 2,84% a R$ 53,05.
A CPFE3 está em baixa de 0,45% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 0,45%.
MBRF (MBRF3): -2,51%, R$ 19,03
Completando os destaques negativos do Ibovespa hoje, os papéis da MBRF (MBRF3) caíram 2,51% a R$ 19,03.
A MBRF3 está em baixa de 4,75% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 4,75%.
*Com Estadão Conteúdo