A “sangria” na Bolsa acontece na esteira da decisão do Banco Central elevar a Selic em 1 ponto percentual e indicar dois novos ajustes de mesma magnitude para as próximas duas reuniões, em encontro na noite da quarta-feira (11). Com isso, a taxa de juros brasileira deve subir a 14,25% ao ano já em março de 2025.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, explica que o cenário traçado pelo BC torna o investimento em ações menos atrativo e penaliza especialmente aqueles nomes mais sensíveis a juros, com alto endividamento ou ligados à economia doméstica. Justamente os que lideram as quedas do Ibovespa no pregão.
“Já está tendo um reflexo nas empresas que têm dívidas em CDI, pois os resultados financeiros no primeiro trimestre de 2025 serão piores do que o planejado“, afirma Cruz. “Há alguns casos específicos, pois o impacto é maior em alguns setores, mas vemos o setor de supermercados, Magazine Luiza (MGLU3), que é uma companhia que tem muita dívida de curto prazo em CDI, sofrendo mais.”
Às 10h53, as 5 ações que mais caíam no Ibovespa eram Carrefour (CRFB3), com queda de 7,11%; Assaí (ASAI3), de 6,03%; Magazine Luiza (MGLU3), de 5,43%; Yduqs (YDUQ3), de 4,81%; e Pão de Açúcar (PCAR3), de 3,94%.
O desempenho negativo do Ibovespa reverte a sequência de três pregões consecutivos de alta na Bolsa brasileira. Na quarta-feira (11), enquanto investidores aguardavam a decisão do Copom, o IBOV fechou o dia com um salto de 1,06%, na casa de 129 mil pontos.