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Mercado

Quanto tempo o Ibovespa vai demorar para voltar aos 100 mil pontos?

Analistas dizem que questões domésticas e internacionais devem seguir prejudicando o principal índice da Bolsa

Por Luiz Araújo

24/03/2023 | 8:38 Atualização: 24/03/2023 | 9:20

O Ibovespa fechou o pregão da quinta-feira (23) no menor patamar desde 18 de julho de 2022. Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
O Ibovespa fechou o pregão da quinta-feira (23) no menor patamar desde 18 de julho de 2022. Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

O Ibovespa fechou o pregão da quinta-feira (23) no menor patamar desde 18 de julho de 2022, quando o índice caiu para 96.916 pontos. Agora, com questões consideradas ainda mais complexas pelo mercado, analistas estão em dúvida sobre quanto tempo será necessário para que a barreira dos 100 mil pontos seja retomada.

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A manutenção da Selic em 13,75% ao ano, a tensão global no setor bancário e as incertezas sobre a inflação formam um cenário de negatividade para a maioria das empresas listadas. No pregão desta quinta-feira (23), somente 12 ações do Ibovespa fecharam no positivo.

As razões para a queda têm diferenças importantes da que foi vista entre junho e julho do ano passado. O mercado segue encarando os dados de inflação e alta de juros, mas encontra um cenário de crédito mais desgastado, impulsionado pela crise no setor bancário global.

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Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a Bolsa só deve voltar a performar em tendência de alta quando houver maior clareza sobre o cenário doméstico e internacional. “Nos Estados Unidos, há a subida dos juros e a crise dos bancos, da qual não sabemos o tamanho real. Aqui, temos o tom duro do Banco Central e a falta de diretrizes do governo para os próximos anos”, sintetiza.

Gabriel Costa, analista de investimentos da Toro, diz que devido às incertezas do cenário econômico no Brasil e no mundo, é possível que o Ibovespa desça para a região dos 95 mil pontos nos próximos dias. O índice não fica abaixo dos 96 mil pontos desde junho de 2020, quando o mercado ainda reagia aos primeiros meses de impacto da pandemia da Covid-19.

Impactos nas empresas

Enquanto o mercado previa uma indicação de redução da Selic já na próxima reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve o tom duro em comunicado em que justifica a decisão, afirmando que poderá até mesmo elevar a taxa num futuro próximo, se o cenário demandar.

Esse posicionamento entra na equação dos analistas para avaliar como a perspectiva de manutenção da Selic em 13,75% ao ano por mais tempo – ou mesmo a elevação – interfere nas ações pelos próximos meses. “Juros representam endividamento para as empresas. Sejam da Bolsa ou não, elas se endividam para crescer”, observa Ricardo Brasil, fundador da Gava Investimentos.

Para ele, mantendo a taxa no patamar atual ou elevando-a, a Bolsa seguirá sofrendo, sem perspectiva de prazo para a recuperação. “O investidor vai querer tomar risco na Bolsa ou vai investir a 13,75% garantido (na renda fixa)? Hoje em dia é fácil encontrar CDB  (Certificado de Depósito Bancário) com fundo garantidor”, exemplifica Brasil. “É difícil imaginar uma recuperação rápida”, diz.

Arcabouço fiscal

Um dos pontos que pode favorecer a recuperação nas próximas semanas é a divulgação do novo arcabouço fiscal. “Uma boa aceitação da proposta pode ancorar as expectativas dos investidores sobre a trajetória da dívida brasileira e amenizar os receios fiscais por parte do Copom”, avalia Costa. Para o analista da Toro, a depender da melhora, o índice pode testar novamente a região dos 100 mil pontos e, em estimativas mais otimistas, a zona dos 115 mil pontos.

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Sung, da Suno, afirma que o mercado precisa entender qual será o desenho do arcabouço fiscal. No entanto, ele também acredita que a divulgação do texto poderá representar uma virada importante para o índice.

Já Ricardo Brasil considera que, ainda que haja reação positiva em um primeiro momento, o impacto da divulgação do arcabouço fiscal não deve se sustentar. “Pode até ter uma recuperação de euforia, com um ou dois dias de alta, mas não vejo nada de impactante para o curto prazo. Para reanimar o investidor é preciso ter a inflação caindo aqui e no mundo. Antes disso não vejo nenhuma perspectiva”, diz.

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