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Mercado

Governo sem agenda, mercado refém: Ibovespa afunda no 8 de setembro

Especialistas se dividem sobre recomendações para os investidores. Sinalizações políticas não são animadoras

Apoiadores do Presidente da República, Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 2021. Foto: Wilton Junior/Estadão
  • O índice fechou a quarta-feira (8) em queda de 3,75%, a 113.451,50 pontos
  • Cenário político e fiscal fica ainda mais nebuloso com as ameaças de ruptura e a rinha entre os poderes
  • Especialistas indicam papéis defensores e cautela. "Ainda não há luz no fim do túnel", ressaltou Flavio Conde, especialista da Levante Investimentos

O tão esperado 7 de setembro do presidente Jair Bolsonaro passou e deixou consequências. Nesta quarta-feira (8), o que sobrou para o mercado foi uma imensa dúvida sobre o futuro do País, sentimento que fez o Ibovespa despencar quase poucas horas depois da abertura do pregão. O índice fechou o dia em queda de 3,75%, a 113.451,50 pontos. O dólar à vista saltou 2,84% no fechamento, para R$ 5,32, a maior valorização percentual diária desde 24 de junho de 2020 (+3,33%).

Os investidores analisam o saldo das manifestações pró-governo, enquanto os especialistas ficam com a difícil missão de dar orientações em meio ao caos institucional que o ronda o Brasil.

“O mercado está refém. Vai ser muito complicado imaginarmos algo que possa causar uma valorização dos ativos brasileiros agora. A nossa recomendação é esperar, não é hora de entrar em Bolsa, pois não há clareza do que está acontecendo”, diz Roberto Attuch, fundador e CEO da OHM Research. “Existe ameaça de ruptura e as perspectivas para a economia estão piorando na margem para 2022. Além disso, tem a crise hídrica e não vemos foco do governo para resolver tudo isso.”

“Não temos ainda luz no fim do túnel, que é a terceira via”, afirma Flavio Conde, especialista da Levante Investimentos. “Por mais que as ações sejam compradas para longo prazo, e quem compra bons ativos com essa visão ganha dinheiro, no curtíssimo prazo temos muito fatores pesando contra. E para piorar a situação, temos a parte política, que não é só do governo federal, mas as eleições do ano que vem cujo candidato líder nas pesquisas é o Lula, que também não é bem visto pelo mercado por vários motivos.”

Durante os protestos, o líder do Executivo aumentou o tom contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos”, afirmou Bolsonaro, em referência a uma eventual interferência no Judiciário. O presidente também sinalizou que não aceitaria o resultado das eleições caso não sejam feitas com o voto impresso, que já foi derrotado no Congresso.

Embora expressiva, a manifestação de 7 de setembro reuniu menos apoiadores do que o esperado. De acordo com a Secretaria de Segurança de São Paulo, foram 125 mil pessoas na Avenida Paulista, quando a perspectiva dos líderes do evento era de ultrapassar os 2 milhões. Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, não houve grandes surpresas e, em termos de popularidade política e influência para 2022, a data foi uma conta de soma ‘zero’.

“No final das contas, ficar esperando a estimativa majorada de organizadores ou subestimada da oposição apenas trás informações enviesadas e piores do que as pesquisas de apoio popular. Assim, sem maiores desdobramentos, a aprovação/desaprovação do Presidente segue no mesmo patamar”, afirmou Sanchez, em live.

Manicômio fiscal e fim do ‘ano do executivo’

Na visão dos especialistas, as manifestações aumentaram a preocupação do mercado com o endereçamento dos precatórios (dívidas judiciais do Governo). O ministro da economia Paulo Guedes estava costurando junto ao STF o parcelamento dos débitos, negociação que deve ficar praticamente inviabilizada com a escalada das tensões entre o Executivo e o Judiciário.

“No momento em que Bolsonaro ataca frontalmente Alexandre de Moraes, ele joga essa negociação por água abaixo. Ninguém acredita que terá um golpe, mas a preocupação maior é com o fiscal”, fiz Vitor Carettoni, diretor da mesa de operações em renda variável da Lifetime Investimentos. “Ele jogou fora todas as negociações com o Senado e, com isso, nenhuma pauta deve andar esse ano.”

Entretanto, o reflexo na Bolsa ainda será precificado. “O Brasil sempre foi um manicômio fiscal. Vivemos sem reforma administrativa ou tributária por muitos anos. As empresas negociadas em Bolsa vão continuar com seu desempenho, como sempre tiveram. Acho que a principal preocupação realmente são os precatórios e, se escalar ainda mais (as tensões), um processo de impeachment, que é sempre mais traumático”, diz Carettoni.

Essa também é a opinião de Pedro Serra, gerente de Research da Ativa Investimento. Segundo o especialista, o Brasil sempre teve uma dificuldade muito grande de encaminhar a parte fiscal, mas vê as empresas listadas tendo bons resultados e fazendo a ‘parte delas’. A projeção de lucro das companhias já estaria sendo revisados para cima.

“Os juros de 10 anos saíram de uma baixa histórica para uma média de 10% nominal. O Brasil voltou para uma situação média, em termos de curva de juros. Esse movimento fez um estrago em alguns ativos, mas vemos que se não tivéssemos um fluxo de noticias negativas relacionadas ao fiscal, teríamos bons motivos para a Bolsa andar”, explica Serra. “Não acredito em grandes correções (quedas).”

Papéis defensivos

Na conjuntura atual, papéis defensivos ganham destaque. Estas ações são aquelas ligadas ao dólar e menos expostas a ciclos econômicos, como os ativos de exportadoras e de setores essenciais. Contudo, os analistas se dividem sobre a relação entre riscos e oportunidades.

“Os papéis de celulose estão descorrelacionados com o índice, então pode ser um bom segmento para se defender nesse momento. As principais empresas são Klabin (KLBN11) e Suzano (SUZB3), ambas com recomendação pelo BTG Pactual”, explica Carettoni, da Lifetime Investimentos.

Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos, afirma que é necessário ter uma exposição ao mercado internacional, assim como na renda fixa indexada à inflação. “Existem bastante ações de boa qualidade e que estão descontadas, como Alpargatas (ALPA4) e Renner (LREN3). A dica é essa, buscar ações sólidas, que não se abalem facilmente nesse período de incertezas.”

Já Attuch, da OHM Research, e Conde, da Levante, adotam um tom mais cauteloso em relação à Bolsa.

“Tem que desanuviar o ambiente. A percepção é de que não existe iniciativa para resolver problemas urgentes no Brasil, o Governo só está em batalhas particulares”, afirma Attuch. “O mercado só estar barato. Parafraseando um investidor que gosto muito: não estou no business de comprar ações baratas, quero ações caras que ficarão ainda mais caras.”

“Com a vacinação era pra estarmos comemorando, saindo para beber, para gastar, comprando ações. Mas, além do cenário interno, no exterior também está complicado, com menos crescimento do que se esperava para EUA e China e inflação em alta no mundo. Estamos vivendo a tempestade perfeita”, ressalta Conde.

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