EURO R$ 6,20 +0,24% DÓLAR R$ 5,29 +0,00% ITUB4 R$ 27,82 -2,98% MGLU3 R$ 16,57 +1,22% ABEV3 R$ 15,74 -2,29% BBDC4 R$ 20,02 -3,90% GGBR4 R$ 24,60 -6,89% IBOVESPA 111.439,37 pts -2,07% VALE3 R$ 86,15 -2,22% PETR4 R$ 24,93 -5,36%
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Eduardo Mira, especialista em renda variável da Me Poupe! e colunista do E-Investidor (Foto; Divulgação)

Eduardo Mira é o especialista em renda variável da Me Poupe!. Professor e investidor há mais de 20 anos, é analista CNPI-T e especialista em finanças e investimentos, com pós-graduação em pedagogia empresarial, MBA em gestão de investimento e profissional ANBIMA CPA-10 e CPA-20. Também tem passagem por banco e corretora de investimentos.

Ele escreve mensalmente, às sextas-feiras.

Eduardo Mira

Bolsa em queda: crise e oportunidade andam de mãos dadas

O momento atual é de rara oportunidade para o investidor de longo prazo

Investidor caminha pela Bolsa de Valores de São Paulo, onde investem em small caps e blue chips.
Investidor caminha pela Bolsa de Valores de São Paulo, onde investem em small caps e blue chips (Foto: Werther Santana/Estadão)
  • Inúmeras variáveis causam volatilidade na bolsa de valores. Coisas que acontecem do outro lado do mundo têm impacto sobre nossos ativos quando falamos de uma economia globalizada
  • Mas é importante ter em vista que a recente divulgação dos resultados do 2T21 das empresas listadas na bolsa trouxe números muito positivos e que sinalizam clara retomada

A performance da Bolsa de Valores nos últimos dias tem mexido com os ânimos dos investidores. Embora a tendência seja de muita turbulência nos próximos meses, tanto no cenário interno quanto externo, alguns ativos estão com preços muito descontados. E isso traz benefícios. Neste artigo, vou te explicar por que o momento atual é de rara oportunidade para o investidor de longo prazo.

Por que a bolsa está caindo?

Inúmeras variáveis causam volatilidade na bolsa de valores. Coisas que acontecem do outro lado do mundo têm impacto sobre nossos ativos quando falamos de uma economia globalizada.

No atual cenário internacional, a divulgação dos indicadores de comércio e indústria chineses com performance abaixo do esperado foi um dos fatores. A desaceleração da economia chinesa sinaliza uma redução na demanda por commodities vendidas pelo Brasil. Isso impacta o resultado da produção e, consequentemente, o preço das ações das empresas exportadoras de commodities.

Temos ainda a tensão no Afeganistão, com a tomada do poder pelo Taleban. Os mercados ficam inseguros quanto aos rumos políticos no Oriente Médio e isso interfere diretamente no preço dos barris de petróleo. Por isso, o fato de a Petrobras ser uma das empresas mais negociadas da B3 faz com que essa instabilidade internacional seja sentida muito rapidamente por aqui.

Além disso, os riscos geopolíticos trazidos pela ofensiva do Taleban, de certa forma, vulnerabilizam o governo norte-americano, trazendo ao mercado questionamentos sobre a força política dos Estados Unidos. Isso, obviamente, causa impactos econômicos circunstanciais nas Bolsas de Valores.

Já no cenário doméstico, também temos nossas próprias tensões. O mercado está reticente quanto ao rumo das votações da PEC dos precatórios e da reforma fiscal.

Mais do que isso, os esforços do governo federal em antecipar a corrida eleitoral de 2022 e o forte embate entre a ala bolsonarista e o STF trazem uma instabilidade institucional que não é bem recebida pelos investidores.

Existe forte preocupação no mercado quanto ao uso político que o governo pode fazer do novo Bolsa Família (Auxílio Brasil) ao reajustar o valor do benefício. Assim, o mercado financeiro começa a desconfiar do compromisso do governo em respeitar o teto de gastos.

Temos ainda a Selic, taxa básica de juros do país, voltando a subir e mantendo essa expectativa de alta nos próximos anos, como forma de segurar a inflação. Isso acaba por desencadear um movimento reverso ao que vimos nos últimos anos, quando as taxas de juros baixas trouxeram os investidores da renda fixa para a renda variável.

Em um cenário de alta de juros, os ativos de renda fixa voltam a ficar atrativos. Com a oferta de rentabilidade de dois dígitos, o investidor começa a ponderar até onde vale o risco de se manter na renda variável.

Onde estão as oportunidades?

Após ler a descrição destes cenários, você pode estar pensando que o momento é crítico e que não há nada a fazer. Na verdade, não é bem assim.

É importante ter em vista que a recente divulgação dos resultados do 2T21 das empresas listadas na bolsa trouxe números muito positivos e que sinalizam clara retomada.

Apesar da variante delta do coronavírus ainda impactar os mercados do mundo todo, o avanço da vacinação está nos tirando da pior fase da pandemia e do isolamento social, o que está refletido nos resultados de muitas companhias.

Dessa forma, temos boas empresas apresentando resultados financeiros consistentes. A queda no preço de suas ações decorre de fatores relacionados a cenários e não de problemas organizacionais, e, por isso, temos aí uma janela de oportunidade tão boa ou melhor do que aquela que tivemos no pico da pandemia, em março de 2020.

Inclusive, muitos papéis voltaram aos preços do pior momento do ano passado. Na minha visão, a influência do cenário sobre a bolsa é circunstancial e não estrutural. A maioria dos investidores tende a pensar no curto prazo, por isso os papéis caem influenciados por notícias.

O investidor de longo prazo sabe que fatores macroeconômicos se movimentam em ciclos, e que crises e instabilidades de ordem política vêm e vão. Empresas sólidas, com boa gestão e resultados positivos atravessam esses cenários e saem deles fortalecidas e valorizadas.

Investir nessas empresas no momento em que estão baratas é ter a chance de comprar muito mais ações do que você compraria num cenário de estabilidade onde todos estão comprando e levando à alta dos papéis.

Que setores observar?

Os relatórios divulgados pelo setor de bancos trouxeram ótimos números, mas, devido a todo esse cenário que citei, suas ações ainda não tiveram uma valorização que refletisse essa boa performance.

O varejo também tem empresas apresentando resultados muito bons. Claro que parte da expectativa da retomada do setor já está precificada em suas ações, pois o mercado sempre antecipa. Contudo, como é um setor muito impactado pela alta da Selic, vai sofrer ainda, mas há espaço para valorização no médio e longo prazo.

Outro setor que merece ser analisado com atenção é o de seguradoras. Elas foram bastante impactadas por toda a crise sanitária e apresentaram balanços ruins. Isso desvalorizou as ações do setor, deixando as empresas baratas em relação à sua perspectiva de continuidade de entrega de resultados.

Com o pior momento da pandemia passando, operacionalmente o segundo semestre deve ser mais positivo para as seguradoras. Além disso, pela natureza de sua atividade, estas precisam manter boa parte de seus recursos financeiros com liquidez, então, aplicam em ativos com rentabilidade atrelada ao CDI.

Com a alta da Selic favorecendo a renda fixa, essas companhias tendem a ter lucros maiores nessas aplicações. É importante reforçar que quando falo em oportunidade de compra de ações baratas, a visão é sempre de longo prazo. Os resultados não vão aparecer no próximo semestre, no próximo ano, e talvez nem mesmo em 2023.

Temos pela frente um período de muita instabilidade política e isso resvala na economia. Então, quem comprar boas empresas nesse momento, precisa ter em mente que está se tornando sócio de um negócio e está plantando uma semente para colher seus frutos dentro de alguns anos. Mas o lado bom é que teremos um bom tempo pra ir comprando essas ações.

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