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Mercado

Bolsonaro: a reação do mercado ao primeiro pronunciamento pós-derrota

Após mais de 40h em silêncio, atual presidente comenta a derrota nas urnas

Por Jenne Andrade

01/11/2022 | 17:21 Atualização: 01/11/2022 | 19:03

O presidente Jair Bolsonaro faz primeiro pronunciamento após derrota nas urnas. Foto: Joédson Alves | EFE
O presidente Jair Bolsonaro faz primeiro pronunciamento após derrota nas urnas. Foto: Joédson Alves | EFE

O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez no fim da tarde desta terça-feira (1) o primeiro pronunciamento após a derrota nas urnas. Ele perdeu a corrida presidencial para o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (30), mas quebrou o protocolo de reconhecer prontamente o resultado eleitoral.

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Foram mais de 40 horas em silêncio, desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou a vitória do petista. Bolsonaro ocupa, agora, o posto de presidente que mais demorou a admitir o insucesso nas urnas em pelo menos 20 anos.

Na sua primeira fala pública, que durou menos de três minutos, Bolsonaro agradeceu os votos que recebeu no segundo turno, mas não admitiu expressamente a derrota.

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Disse também que os apoiadores que bloqueiam as principais rodovias e estradas do País desde domingo e pedem por uma “intervenção militar”, estão com “sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral”. Contudo, afirmou que as manifestações não devem cercear o direto de ir e vir das pessoas, como faria a “esquerda”, na visão dele.

“As manifestações podem começar a gerar impactos na economia real como desabastecimento, cancelamento e atrasos de voos, etc. E isso deve ficar no radar dos investidores”, explica Leandro Petrokas, diretor de research e sócio da Quantzed.

Na sequência do discurso do presidente, o chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), afirmou que a transição de governo está autorizada por Bolsonaro. O vice-presidente de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), irá coordenar o processo.

O E-Investidor conversou com especialistas para entender como o mercado financeiro enxergou o primeiro discurso do presidente.

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Leandro Petrokas, diretor de research e sócio da Quantzed

“O mercado aguardava há dois dias alguma declaração de Bolsonaro. O discurso foi pouco representativo para a formação de preço dos ativos. Tanto que não houve qualquer reação do mercado. Não muda nada. O fato de ele não discursar falando sobre a vitória de Lula não influencia no mercado. Até agora só existe especulação e rumores em relação a atos antidemocráticos e nada que tenha se concretizado.

Por hora, temos mantido o cenário base do Lula eleito e gringos animados. Mas as manifestações podem começar a gerar impactos na economia real como desabastecimento, cancelamento e atrasos de voos, etc. E isso deve ficar no radar dos investidores.”

Alexandre Milen, CEO da Harami Research

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“Falou pouco do que fez e acabou não reconhecendo (a derrota). Na sequência, veio Ciro Nogueira, que de forma tácita, afirmou que vai haver uma transição normal e calma. Ou seja, não foi declarado de forma clara o reconhecimento da derrota, mas foi feito de forma tácita pelo Ciro Nogueira.

Ele também pediu para que a população parasse com a baderna, com as paralisações. Acreditamos que as pessoas devem acatar a ordem e a partir de agora, esperamos que as coisas retornem à normalidade.

Lembrando que o mercado ficou bem apreensivo antes do discurso e agora, após a fala, a bolsa voltou a ficar acima dos 117 mil pontos. O mercado temia um discurso mais agressivo.”

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos

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“Acredito que a fala do Bolsonaro não acrescenta muito em termos de cenário. Ele falando de não se igualar à esquerda em manifestações talvez acalme um pouco (os apoiadores que fecham as estradas), o Ciro Nogueira falando de coordenar a transição também ajuda.

As falas do presidente só seriam mal vistas se ele tivesse incitando mais violência, principalmente por parte do investidor estrangeiro que estão preocupados com algum tipo de reação como a invasão do Capitólio dos EUA. Mas ele não elevou o tom.

Agora o que vai fazer muito preço no mercado é realmente o que vai ser do governo Lula. A questão do Alckmin liderar a transição é bem recebida pelo mercado, mas a notícia de que Mercadante vai liderar a parte econômica deixa a pulga atrás da orelha.”

Mario Goulart, analista de investimentos e criador do canal de investimentos “O Analisto”

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“Foi aquele discurso que não pacifica o país (refletindo o discurso que Lula fez na Avenida Paulista, que também ficou longe de pacificar). Bolsonaro ao não reconhecer imediatamente a derrota ficou numa situação muito complicada, então a engenharia de palavras teve que ser muito complexa.

Errou ao não reconhecer a derrota. Acertou em dizer que manifestações pacíficas são bem vindas e que não devem prejudicar o País. E o resto foi afago para seus seguidores: que o processo eleitoral não foi correto, que ele segue a constituição, joga dentro das quatro linhas enquanto seu concorrente não o faz e etc.

Como estadista, errou em não conciliar. Como líder, conseguiu uma forma de não admitir fraqueza para seus liderados.”

Marcus Labarthe, sócio-fundador da GT Capital

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“O tom de Bolsonaro não foi para criar ambiente de aproximação com A esquerda. Pelo contrário, ele frisou bem as diferenças entre direita e esquerda.

Porém, foram palavras precisas e que acalmam o mercado, que necessitava da resposta de Bolsonaro sobre a derrota. Foi uma demonstração de continuidade na transição e de respeito a Constituição. Isso era muito necessário para o mercado, pois nos últimos dias surgiu a preocupação com a transição.

Na fala, pediu para que seus apoiadores não protestem com violência e enalteceu pessoas que acreditaram no período em que ele esteve como presidente. Foi positivo, pois daqui pra frente deve ocorrer a transferência de informações para o governo que irá assumir. Com isso, o mercado fechou em alta e dólar em baixa.”

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