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Mercado

A força das proteínas: o que esperar de JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) após resultados do 3º tri

Ações do grupo Marfrig sobem mais de 49% ao longo de 2020. Em contrapartida, papéis da JBS amargam queda de 22%

Por Luiz Felipe Simões

18/11/2020 | 14:03 Atualização: 03/12/2020 | 8:05

Minerva (BEEF3) recebe recomendação do BTG Pactual; veja preço-alvo. Foto: REUTERS / Paulo Whitaker
Minerva (BEEF3) recebe recomendação do BTG Pactual; veja preço-alvo. Foto: REUTERS / Paulo Whitaker

(Luiz Felipe Simões) – Na última quarta-feira (11), JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) divulgaram seus resultados referentes ao terceiro trimestre de 2020. Os dois frigoríficos reportaram saltos significativos no lucro líquido:  alta de 778,2% na JBS, em comparação ao mesmo intervalo de 2019,  para R$ 3,1 bilhões, o equivalente a R$ 1,17 por ação; e avanço de 574% na Marfrig, para R$ 674 milhões. Em relação ao resultado do segundo trimestre de 2020 (R$ 1,594 bilhão), porém, a última linha de Marfrig apresentou queda de 57,7%.

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Ricardo França, analista de research da Ágora Investimentos, acredita que o resultado de Marfrig foi positivo, apesar do recuo do lucro líquido em comparação ao 2T20. “O segundo trimestre foi muito forte para a Marfrig, o que gerou uma expectativa boa para o terceiro trimestre. Mas foram resultados sólidos, que mostram evolução”, diz.

Na quarta-feira (11), o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que a companhia está com um balanço robusto e com todas as condições para acelerar o crescimento. Já Marcos Molina, presidente da Marfrig, declarou que, se o grupo continuar neste ritmo, voltará a pagar dividendos.

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Mesmo com um cenário de pandemia e crise global, os papéis da Marfrig (MRFG3) vêm registrando altas ao longo do ano. Até a segunda-feira (16), a valorização era de 46,99% em 2020, para R$ 14,64. Em contrapartida, as ações da JBS (JBSS3) amargam queda de 16,18% no período, aos R$ 21,14.

Marfrig entre dois trimestres

Segundo França, os resultados inferiores da Marfrig no terceiro trimestre em comparação ao segundo não são causados pela segunda onda da pandemia. “Foi um efeito de mercado, pontual. Você tinha muito animal para abate, mas algumas fábricas estavam paralisadas por conta da pandemia. Mas agora, no terceiro trimestre, houve a normalização da dinâmica”, afirmou.

Na opinião de Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, uma olhada superficial sobre os resultados da Marfrig entre o segundo e o terceiro trimestre dão a impressão  de que aconteceu algum desastre. “Mas, ao observar a situação de perto, vemos que a empresa tem uma margem robusta, está gerando muito caixa, juntamente com o menor nível de alavancagem em termos históricos”, diz Esteter.

Em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), ambas as companhias apresentaram resultados positivos. Dona de marcas como Swift e Friboi e maior processadora de carnes do mundo, a JBS registrou aumento de 35% no indicador, para R$ 7,9 bilhões. Na Marfrig, houve avanço de 46% no Ebitda na comparação anual, para R$ 2,1 bilhões.

O E-Investidor ouviu especialistas para entender um pouco mais sobre os resultados das gigantes da proteína e quais as perspectivas para o futuro dos grupos alimentícios.

Explicando os resultados

As exportações responderam pelo maior aumento do lucro da Marfrig: 72% das receitas obtidas no período vieram da América do Norte. Outro ponto fundamental no balanço foi a diminuição da dívida líquida, de US$ 3,1 bilhões no 2T20 para US$ 3,039 bilhões no 3T20.

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Já o resultado positivo da JBS foi puxado pela operação da marca Seara, que viu aumentar a receita líquida em 29,9% e, o Ebitda, em 55,4%.

Para André Pimentel, sócio da consultoria de empresas Performa Partners, os resultados positivos de ambas as empresas se dão por dois fatores. “Primeiro, a pandemia trouxe uma necessidade do consumo em casa, o que acabou favorecendo muito tanto o varejo, como as empresas de bens de consumo de uma maneira geral”, explica. “O segundo ponto foi a desvalorização do real que, nesse momento, fez com que o resultado das exportações e o resultado obtido fora do país, em dólar, trouxesse benefícios para os resultados da companhia”, diz.

Ricardo França, da Ágora, explica que outros fatores justificam o crescimento. “A possibilidade de IPO e o contínuo crescimento por meio de fusões e aquisições pesam de maneira favorável sobre a ação. No médio prazo, esses assuntos podem trazer um momento mais positivo para as ações”, diz.

Previsões

O aumento de casos de coronavírus na Europa e os riscos de uma eventual segunda onda no Brasil podem não impactar tanto assim as duas empresas.

Segundo André Pimentel, o cenário tende a fortalecer esse tipo de negócio. “Ambas as empresas devem continuar em um processo de crescimento, não só com a venda, mas com resultados. Tanto Ebitda como lucro líquido tendem a se manter bastante positivos por conta do câmbio e das vendas para consumidores finais”, explica o sócio.

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Para 2021, as perspectivas das JBS são boas, ainda mais com o possível IPO do grupo nas bolsas dos Estados Unidos. No Banco do Brasil, a recomendação é de compra, com projeção de preço-alvo de R$ 35 para a ação – o que representa um potencial de valorização de 66%. Ágora e Guide Investimentos também recomendam compra para os papéis do grupo, com preço-alvo de R$ 33 e de R$ 28, respectivamente.

Em videoconferência com acionistas da Marfrig no último dia 12, Marcos Molina acenou com a volta de pagamento de dividendos. França espera que a empresa continue em um processo de desaceleração das margens, principalmente no segmento de bovinos nos Estados Unidos. “Isso talvez deixe o papel com menor fôlego”, diz o analista da Ágora. “Em função disso, nossa recomendação para o papel da companhia é neutra”, afirma. O preço-alvo dos papéis da Marfrig para 2021 é de R$ 17.

No Banco do Brasil e a Guide Investimentos, a recomendação é de compra, com preços-alvo de R$ 19 e R$ 20, respectivamente, o que indica potencial de valorização máximo das ações de 33%.

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