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Mercado

Starbucks chinesa tem prazo para ser retirada da Nasdaq

Luckin Coffee é suspeita de fabricação de resultados contábeis

Por E-Investidor

20/05/2020 | 11:31 Atualização: 20/05/2020 | 12:08

Foto: Jason Lee/Reuters
Foto: Jason Lee/Reuters

A Starbucks chinesa já tem prazo para ser deslistada da Nasdaq. Nesta terça-feira (19), a Luckin Coffee Inc. comunicou ao mercado ter recebido, no dia 15 de maio, a notificação da Nasdaq de que será deslistada da bolsa norte-americana, em decorrência das fraudes pelas quais é investigada. A empresa anunciou que irá recorrer, dando início a um prazo de 30 a 45 dias para apresentar seus argumentos. Se não for convincente, seus papéis deixarão de ser negociados nos Estados Unidos no início do segundo semestre.

Leia mais:
  • Escândalo da Starbucks chinesa pode levar a série de deslistagens na bolsa americana
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O comitê da Nasdaq que analisa a qualificação das empresas listadas apontou duas razões para remover a Luckin Coffee:

  • Preocupações de interesse público levantadas pelas transações fabricadas que a companhia divulgou em um relatório de 6 de abril de 2020;
  • Falha anterior da companhia em divulgar publicamente informações relevantes, citando um modelo de negócios através do qual as transações fabricadas divulgadas anteriormente foram executadas.

Os dois atos infringem regras de listagem da Nasdaq.

A revelação de que a companhia foi notificadas da deslistagem teve efeitos imediatos nas ações. Nesta quarta-feira (21), os papéis da Luckin Coffee Inc. abriram com desvalorização de 40%, sendo negociados a US$ 2,69 no pré-mercado. Em janeiro, a empresa chegou ao pico de US$ 51,38 por ação. A desvalorização no ano é de 90%.

Luckin Coffee é suspeita de fraudar resultados financeiros

O escândalo da Luckin Coffee veio à tona no início de abril, quando a empresa revelou que estava investigando o envolvimento de funcionários em transações fraudulentas no total de US$ 310 milhões, o que teria maquiado os resultados da rede de cafeterias. As vendas contabilizadas neste valor não teriam existido. O anúncio fez as ações da empresa caírem 75% em um único pregão e resultou em uma suspensão temporária da negociação dos papéis da Nasdaq.

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As investigações levaram a uma onda de demissões de altos diretores, casos da CEO Jenny Zhiya Qian e do diretor de operações Jian Liu. Seis outros executivos foram suspensos ou colocados em licença. A companhia nomeou um novo CEO interino, Jinyi Guo.

A Luckin Coffee operava cerca de 4.500 lojas na China até o final de 2019, com planos de atingir 10.000 locais até o final de 2021 em um mercado avaliado em US$ 5,8 bilhões em 2018. Sua ambição era superar globalmente a americana Starbucks.

Caso pode levar a outras deslistagens de empresas chinesas

O escândalo reforça um movimento para que empresas chinesas sejam retiradas das bolsas americanas. Há um projeto de lei em Washington defendendo este movimento, sob a alegação de que a fraude de transações financeiras é uma prática recorrente nas companhias chinesas, intimamente ligadas ao governo do país.

Uma retirada em massa das bolsas norte-americanas teria consequência direta na guerra comercial movida entre os dois países. No dia 11 de maio, o governo dos Estados Unidos já havia, preventivamente, decidido bloquear os investimentos de um fundo que administra em ações chinesas.

Starbucks chinesa é pesadelo para o Credit Suisse

O Credit Suisse também acompanha atentamente os desdobramentos do escândalo. O banco foi o principal apoiador da oferta pública inicial das Luckin Coffee, ano passado, e da venda secundária no início deste ano. Arrecadou US$ 30 milhões somente em taxas bancárias nos dois momentos.

Também em janeiro, o banco liderou venda de títulos conversíveis em ações de US$ 460 milhões e fez um empréstimo de US$ 518 milhões para a Luckin Coffee que agora está em atraso.

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Enquanto dimensiona o que será possível salvar do prejuízo com a cafeteria, o Credit Suisse aumenta o rigor com que avalia empréstimos a empresas chinesas. O banco, por exemplo, encerrou as negociações para conceder crédito de YS$ 1,5 bilhão à Melco Resorts and Entertainment, operadora de cassinos de Macau listada nos Estados Unidos.

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