Os mercados operam em compasso de espera pela divulgação do relatório oficial de emprego dos EUA, na tentativa de encontrarem pistas sobre se haverá espaço para o Federal Reserve (Fed) iniciar o corte de juros em março ou não. Na quinta-feira (4), o resultado forte da geração de vagas no setor privado americano medido pela ADP jogou um balde de água fria nessas apostas.
A expectativa mediana no levantamento do Projeções Broadcast é que o payroll mostre geração de 175 mil vagas em dezembro, após a criação de 199 mil postos em novembro, e uma taxa de desemprego em 3,8%, de 3,8% antes. Ontem, a maioria da bolsas dos EUA caiu e a indicação é de que comecem o dia em baixa. Já o dólar e os rendimentos dos Treasuries avançam, com a T-Note de 10 anos acima de 4%.
As bolsas europeias cedem com um pouco mais de ímpeto após a decepção dos investidores com as vendas do varejo da Alemanha, que caíram bem mais do que o esperado, e de olho na inflação da zona do euro, como CPI anual abaixo do esperado e o PPI com queda menor do que a prevista. Contudo, são fatores que provavelmente não devem animar o Banco Central Europeu (BCE) a considerar a possibilidade de reduzir juros este ano.
O tom cauteloso internacional antes do payroll nos EUA e a agenda interna cheia vão ditar o rumo dos ativos domésticos, que ontem reagiram negativamente ao exterior, com o Ibovespa caindo 1,21%, aos 131.225,91 pontos e os juros futuros em alta. Porém, o dólar ante o real encerrou em baixa de 0,15%, a R$ 4,9079
Nesta sexta, o câmbio pode se desvalorizar, seguindo o exterior. Já o Índice Bovespa deve cair, como indica o EWZ, principal fundo de índice (Exchange Traded Fund, ETF) brasileiro negociado em Nova York, que cedia 0,50% hoje no pré-mercado . Na Bolsa, por ora, uma fonte de alívio em eventual queda é o petróleo, enquanto os investidores avaliam os resultados dos indicadores que sairão. Para a produção industrial, a expectativa mediana na pesquisa do Projeções Broadcast é de alta de 0,5% ante 0,1% em outubro.
Para setor público consolidado do penúltimo mês do ano, a mediana é de déficit de R$ 34 bilhões, depois de superávit de R$ 14,798 bilhões. À tarde, sairá a balança comercial de 2023, que promete ter um saldo positivo recorde de US$ 97,1 bilhões (mediana), com o dado de dezembro superavitário em US$ 7,800 bilhões (de US$ 8,800 bilhões).
Agenda. Nos EUA, sairá o payroll às 10h30, seguido do PMI ISM de serviços e das encomendas à indústria americana (12h). No Brasil, serão divulgados o IGP-DI de dezembro e de 2023, a produção industrial a produção industrial de novembro (9h), a balança comercial relativa a dezembro e a 2023 (15h), além dos dados do setor público do penúltimo mês do ano passado (8h30).
Por volta das 7h20: Barril do petróleo WTI para fevereiro subia 0,84% na Nymex, a US$ 72,97, enquanto o do Brent para março avançava 0,73% na ICE, em US$ 78,16. No mercado futuro, o Dow Jones caía 0,22%, o S&P 500 recuava 0,22% e o Nasdaq tinha perda de 0,31%.
No mercado dos Treasuries, o retorno da T-note de 2 anos subia a 4,4290%, na máxima (de 4,395%), o da T-note de 10 anos avançava a 4,0353% (3,995%) e o do T-bond de 30 anos ia a 4,1783%, ante 4,149% no fim da tarde de quarta em Nova York. Bolsa de Londres caía 0,89%, a de Paris recuava 1,00% e a de Frankfurt tinha perda de 0,75%.
Euro tinha US$ 1,0905 (de US$ 1,0946)e a libra cedia a US$ 1,2654 (de US$ 1,2678). Em relação à moeda japonesa, o dólar subia a 145,30 ienes, ante 144,60 ienes na tarde de quarta em Nova York. O índice DXY do dólar, que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes, tinha alta de 0,36%, a 102,793 pontos, após fechar em queda de 0,07%, a 102,422 pontos.