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As 20 maiores pagadoras de dividendos em 2023 e o que esperar de 2024

Petrobras deixa de ser rainha dos proventos no Brasil e tem posto ocupado por empresa de autopeças e motores

As 20 maiores pagadoras de dividendos em 2023 e o que esperar de 2024
Metal Leve se tornou a maior pagadora de proventos da Bolsa brasileira em 2023. Foto: Freepik
  • Segundo levantamento feito por Einar Rivero, diretor da Elos Ayta Consultoria, para o E-Investidor, a empresa de autopeças e motores Metal Leve se tornou a maior pagadora de proventos da Bolsa brasileira em 2023
  • Renato Reis, analista da DVInvest/Blue3 Investimentos, explica que boa parte das distribuições de proventos em 2023 foi não recorrente, o que significa que o retorno elevado pode não se repetir

Oficialmente, a Petrobras (PETR4) não é mais rainha dos dividendos. Após ter perdido a liderança nos rankings internacionais de maiores pagadoras, a companhia cedeu a coroa também no Brasil para uma nova colocada: a Metal Leve (LEVE3).

Segundo levantamento feito por Einar Rivero, diretor da Elos Ayta Consultoria, para o E-Investidor, a empresa de autopeças e motores Metal Leve se tornou a maior pagadora de proventos da Bolsa brasileira em 2023.

No acumulado de 2023, até o dia 26 de dezembro, a companhia teve um dividend yield (retorno em dividendos) de 35,80%, após remunerar os seus investidores com R$ 10,72 por ação.

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O levantamento levou em consideração os proventos anunciados ou em data-ex (um dia após a data com, limite para ter direito ao dividendo) informados pelas companhias. Embora o dinheiro já esteja provisionado, alguns proventos podem ainda não ter caído no bolso dos acionistas.

Na segunda e terceira posição ficaram as ações da Petrobras (PETR4; PETR3), com dividend yield de 29,58% e 25,85% respectivamente. Investidores que compraram a ação no começo do ano garantiram, até então, proventos de R$ 7,25 por ação ordinária e preferencial.

No quarto lugar está a fabricante de calçados Grendene (GRND3). A companhia remunerou os seus acionistas com R$ 1,39 por ação, equivalente a um dividend yield de 23%.

À primeira vista parece que surgiu uma nova rainha de dividendos no segmento industrial, mas o investidor precisa ter cuidado para não se enganar. Renato Reis, analista da DVInvest/Blue3 Investimentos, explica que boa parte das distribuições de proventos em 2023 foi não recorrente, o que significa que o retorno elevado pode não se repetir.

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É o caso da Metal Leve, que fez uma oferta de ações (follow-on) com o intuito de levantar recursos para pagar dividendos e diminuir a participação do seu controlador Mahle GmbH na companhia. A empresa anunciou uma distribuição de R$ 710,8 milhões, equivalente a R$ 5,54 por ação condicionada ao follow-on. Na oferta chegou a captar R$ 402,5 milhões.

“A Metal Leve sempre pagou dividendos, mas não no patamar de 35,80%. É importante o investidor acompanhar o histórico de distribuições da companhia”, diz Reis, que acredita que a LEVE3 deva entregar um dividend yield de 15% em 2024 – menos da metade do que pagou no ano passado. O mesmo ocorreu com a Grendene (GRND3), dona das marcas Ipanema, Melissa e Rider. A companhia pagou R$ 1 bilhão de dividendos em maio de 2023 – recurso que tinha em suas reservas de lucro.  “A soma foi de quase 16% do valor de mercado da empresa naquele momento”, observa Sergio Biz, analista focado em dividendos e sócio do GuiaInvest.

O valor estava represado entre abril de 2016 e dezembro de 2022 e só foi distribuído após o Tribunal Federal da 5ª região reconhecer o direito da Grendene de não incluir valores de benefícios fiscais concedidos pelo estado do Ceará na base de cálculo do IRPJ e da CSLL.

Segundo Gabriel Duarte, analista da Ticker Research, o dividend yield de 23% da Grendene também não deve se repetir em 2024. “Trazendo o yield para a média histórica da empresa o retorno estaria na faixa dos 6%”, pontua.

A elétrica Auren (AURE3) também recebeu uma indenização de R$ 4,2 bilhões pela Usina Hidrelétrica de Três Irmãos, a qual distribuiu em proventos para os seus acionistas. No dia 19 de dezembro, por exemplo, chegou a pagar R$ 1,5 bilhão em proventos extraordinários aos investidores, equivalente a R$ 1,50 por ação.

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Embora os analistas estejam mais entusiastas com as futuras distribuições da Auren, eles esclarecem que um dividend yield de 20,37%, como o registrado em 2023, dificilmente irá se repetir no curto e médio prazo. “Nossa perspectiva para frente são dividendos menores. A empresa antecipou o recebível de uma indenização e pagou adiantado aos seus acionistas anos de dividendos. Esperamos um dividend yield de 4% a 5% nos próximos anos”, afirma Luan Alves, analista-chefe da VG Research.

E a Petrobras?

Uma das principais alterações na empresa em 2023 foi na política de dividendos, que passou a destinar 45% de seu fluxo de caixa livre ao pagamento de proventos. Anteriormente, a Petrobras desembolsava 60% do fluxo de caixa livre desde que a dívida da empresa estivesse abaixo de US$ 65 bilhões.

A companhia abandonou também a política de preços de paridade de importação (PPI), que acompanhava os preços do petróleo internacional – estratégia que permitiu por anos que a empresa tivesse lucros extraordinários. Outra mudança foi a recente criação de uma reserva de capital para dividendos, que na visão do mercado pode limitar distribuições de proventos extraordinárias no curto prazo.

Todas essas mudanças deram espaço para cortes nas distribuições, o que se refletiu também no retorno em dividendos. Em 2022, a Petrobras chegou a ter um dividend yield de 58,84% e R$ 16,74 por ação – retorno que caiu praticamente pela metade em 2023, para 29,58%, totalizando R$ 7,25 por papel.

A expectativa dos analistas é de que a Petrobras continue distribuindo valores elevados, mas longe dos retornos já registrados. Para Duarte, da Ticker, devido ao patamar elevado do petróleo, que não deve ficar abaixo de US$ 70 o barril em 2024, a Petrobras pode pagar bons proventos.Ele projetaa um dividend yield de 16% para PETR4.

Já na DV Invest, o dividend yield esperado para a Petrobras em 2024 é de 13%. Na VG Research, a expectativa é de dividendos de 9%. Quando observadas as distribuições em bilhões, a Petrobras ainda conseguiu se manter na liderança, após ter desembolsado R$ 76,45 bilhões de janeiro até setembro, revela levantamento de Rivero. Na segunda posição ficou a Vale (VALE3), com R$ 17,77 bilhões distribuídos. Ambas as companhias foram responsáveis por R$ 94,22 bilhões de um total de R$ 189,35 bilhões de 353 empresas listadas.

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Contudo, em 2022, as distribuições de Petrobras e Vale somaram R$ 230,79 bilhões, sendo R$ 194,61 apenas da Petrobras.

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