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Mercado

Empiricus: “Não dá para empurrar educação financeira goela abaixo”

Rodolfo Amstalden, sócio-fundador da research, fala sobre o lançamento do novo núcleo de educação da casa

Rodolfo Amstalden, sócio-fundador da Empiricus
Rodolfo Amstalden, sócio-fundador da Empiricus. Foto: Rodrigo Capote
  • Nesta segunda-feira (2), a Empiricus lança a estruturação de um novo núcleo voltado para educação profissional
  • Entre as modalidades que fazem parte do carrossel  da nova área, há um curso voltado ao mundo das criptomoedas e outro MBA de marketing digital
  • Veja a entrevista exclusiva com Rodolfo Amstalden, sócio-fundador da Empiricus, sobre o novo núcleo educacional da casa e os principais riscos do processo de aprofundamento financeiro

Após lançar um MBA de análise de ações e finanças com a promessa de que um dos alunos pode sair contratado e com salário inicial de R$ 25 mil, a Empiricus formaliza a sua entrada no segmento educacional. Nesta segunda-feira (2), a casa de análise anuncia a estruturação de um novo núcleo voltado para educação profissional e lança a segunda edição do MBA em ações, em parceria com a 4U Edtech.

Entre as modalidades que fazem parte do carrossel pensado para a nova área de educação incluem um curso voltado ao mundo das criptomoedas e outro MBA de marketing digital. Segundo Rodolfo Amstalden, sócio-fundador da Empiricus, a iniciativa está casada com o processo de financial deepening (aprofundamento financeiro). Isso significa que, impulsionados pela queda nas taxas de juros, maior acesso à tecnologia e informação, os investidores passam a migrar da renda fixa para ativos de maior risco.

“Para investir na Poupança e em um fundo DI, não precisa saber muita coisa”, afirma. “À medida que não vale mais a pena investir em caderneta de Poupança e fundo DI, os brasileiros começam a procurar o ambiente de Bolsa e, para isso, é necessário usar muito mais o cérebro.”

O executivo acredita que o financial deepening é um movimento que deve durar cerca de 30 anos e que pode terminar com um salto no número de CPFs na B3. Isto é, passarmos dos atuais 4 milhões de investidores pessoas físicas para 50 milhões ao fim do período. Para chegar à marca, no entanto, o cenário macroeconômico precisa estar favorável.

“Faz um bom tempo que não temos uma pujança econômica. A última vez que realmente comemoramos, ainda estávamos no primeiro mandato do Governo Lula”, diz o especialista. “Não dá para saber se vai vir [um período econômico mais forte], mas, em 30 anos, é razoável esperar que pelo menos em uma parte desse período teremos essas forças financeiras, tecnológicas e midiáticas, trabalhando com um empurrão da macroeconomia.”

Confiante no crescimento orgânico de demanda por educação financeira, Amstalden não engole a velha tese que circula no mercado de que o brasileiro não estuda finanças por falta de interesse. Segundo ele, só agora a oferta de educação encontrou a demanda, lastreada na tendência estrutural de queda da Selic.

“Todas as tentativas da própria B3 de educar financeiramente o investidor brasileiro antes do tempo foram ruins e não tiveram resultados sensíveis”, afirma. “Você só consegue educar quando as pessoas estão demandando educação. Não dá para empurrar educação financeira goela abaixo.”

Leia a entrevista na íntegra:

E-Investidor – Por que criar um núcleo voltado para educação profissional?

Rodolfo Amstalden – Por um lado é uma novidade, porque estamos fazendo isso de maneira mais estruturada. Por outro, isso remonta à própria origem da Empiricus, há 12 anos. Eu, o Felipe e o Caio (fundadores da Empiricus) sempre tivemos um interesse muito grande no mundo acadêmico. Lá atrás, o sonho meu e do Felipe era virarmos professores, mas a vida acabou levando para outro sentido. De certa forma estamos buscando realizar esse sonho.

A Empiricus já tem uma vocação acadêmica, no sentido de trazer a boa educação para o maior público possível. Desde o primeiro relatório que escrevemos, lá em 2009, tentamos trazer conhecimento de altíssima qualidade de maneira simples e didática, para que as pessoas entendam exatamente o que elas estão fazendo com o próprio dinheiro.

E-Investidor – Como o processo de financial deepening repercute no mundo educacional?

Amstalden – Para investir na poupança e em um fundo DI, não precisa saber muita coisa e não precisa de educação financeira. Seu dinheiro está lá, você vai acompanhando a taxa no mês, vê o aniversário da poupança, se a Selic subiu ou caiu, o imposto, mas a história acaba aí. Em cinco minutos você resolveu o assunto, viu tudo que precisava para investir ou deixar de investir.

Então esse investidor à moda antiga realmente não precisava de educação financeira. Esse é um ponto que raramente vemos quando o assunto é tratado. O pessoal fala que o brasileiro não tem educação financeira, como se fosse um defeito nosso e como se tivéssemos nascido com um gene a menos. E isso não é verdade. Não tínhamos, porque não precisávamos ter.

À medida que não vale mais a pena investir em caderneta de poupança e fundo DI, os brasileiros começam a procurar o ambiente de Bolsa e, para isso, é necessário usar muito mais o cérebro. É necessário entender no que você está investindo, entender o que a empresa faz, saber se essa companhia está crescendo e como e o que aquela marca representa. O investidor hoje precisa de educação financeira para investir direito e melhor.

Estamos acompanhando esse movimento social e econômico. Agora a oferta se encontra com a demanda, porque as pessoas naturalmente estão procurando mais instrução para investir.

E-Investidor – A Empiricus já definiu outros MBAs para o novo núcleo de educação?

Amstalden – Temos três linhas temáticas que elegemos como prioritárias até o momento. Não vamos sair dando curso de qualquer coisa porque queremos tratar dos assuntos e temas que são mais íntimos para nós.

Temos um diferencial em análise de ações, com uma das maiores equipes de research do mercado brasileiro. Por isso, esse MBA de análise de ações é o carro chefe, a alma do research da Empiricus.

Temos uma outra ‘alma’ que descobrimos com o tempo, muito em parte pelo interesse precoce no junto. Essa alma é das moedas digitais, que hoje temos muito especialistas, mas pouquíssima gente falava disso há 5 anos. Começamos cedo a olhar para esse universo e pensamos em desenvolver algum curso voltado para criptomoedas.

Talvez não seja um MBA, até porque o mundo das moedas digitais não é tão certificado por vias tradicionais, mas queremos ter um curso de altíssimo nível sobre o mercado. Pretendemos explorar não só o aspecto financeiro, da moeda digital como investimento, mas o aspecto técnico também, de tecnologia e blockchain. Isso já está no nosso pipeline.

E aproveitando o conhecimento que desenvolvemos no próprio negócio, pensamos em marketing digital. Acredito que temos uma vantagem comparativa em explorar essa área e conversar com pessoas físicas até a ponta final, usando muito bem os canais, o Google, as redes sociais, criando peças de marketing impactantes. Temos esse MBA também no radar.

E-Investidor – Em que estágio do Financial Deepening o Brasil está?

Amstalden – Estamos só começando. Parece algo muito emblemático até o momento, porque quando você sai do zero e chega em alguma coisa, a impressão de crescimento é gigante. Estamos rumando para 4 milhões de investidores na Bolsa brasileira, o que é ótimo, porque tínhamos 500 mil antes. Mas 4 milhões para a nossa população, é bem pouco ainda.

Vejo como um processo de 30 anos e que também depende não só desses fatores que parecem mais circunstanciais, como a queda de juros, avanço tecnológico e maior fluxo de informações, o que inclui o jornalismo também, mas dependemos do arroz com feijão que é uma melhoria macroeconômica.

Sempre que há um salto macroeconômico, isso reflete diretamente em aumento de renda disponível para as famílias. E aqui não pode ser um movimento restrito à classe A, tem que pegar a classe B e C. Tem muito a ver com mobilidade entre classes, precisa ser um fenômeno de massa.

E-Investidor – Quando foi a última vez que tivemos essa questão macroeconômica mais favorável?

Amstalden – Faz um bom tempo que não temos uma pujança econômica. A última vez que realmente comemoramos, ainda estávamos no primeiro mandato do Governo Lula. E óbvio, não dá para saber se vai vir (um período econômico mais forte), mas, em 30 anos, é razoável esperar que pelo menos em uma parte desse período teremos essas forças financeiras, tecnológicas e midiáticas, trabalhando com um empurrão da macroeconomia.

Quando isso acontecer, aí acho que estaremos falando de fato de um aprofundamento exponencial. De ir de 4 milhões de CPFs na Bolsa para 50 milhões. É o que eu espero.

E-Investidor – Onde estão as melhores oportunidades para o investidor na renda variável?

Amstalden – Mesmo com os ruídos [políticos e internacionais], eu gosto de manter o foco em quais são as forças com maior potencial de impacto. A primeira resposta objetiva é que precisamos estar posicionados em algumas teses de reabertura da economia. E as minhas preferidas têm a ver com shoppings e varejo, que deve se recuperar bem. Há algumas ações específicas também que eu gosto, como a Azul.

O segundo ponto é que estamos entre o velho e o novo mundo e ainda é difícil ignorarmos o setor de commodities, que é um segmento que nos ajudou muito nos últimos meses. Mas temos que fazer ‘conta’ melhor a partir de agora. Existem algumas teses de commodities que estão mais caras e outras que continuam baratas.

Dentre as baratas, eu gosto muito de Vale, Petrobras e 3R, por exemplo. Não acho que seja contraditório ter um pedaço em commodities e um pedaço em reabertura. Acredito, inclusive, que é uma espécie de proteção em um cenário de incerteza.

E-Investidor – Quais ruídos são esses?

Amstalden – Estamos em um momento ainda bem desafiador para análise. Em tese, já deveríamos estar com uma história mais construtiva em relação ao processo de reabertura econômica. Entretanto, alguns ruídos têm nos impedido de comemorar.

Lá fora, ainda há um pouco de atrito em relação a essa variante Delta. Ninguém sabe exatamente qual será o ritmo de abertura, se iremos voltar alguns passos antes de progredir novamente. Tem essa história, que inclusive é uma pauta forte, de um certo estresse nas relações do mundo com a China.

E no cenário doméstico tudo que tem a ver com perturbações políticas. Inflação ainda incomoda, embora acho ser um efeito mais transitório. Teríamos bons motivos para comemorar, no sentido da valorização dos ativos de risco no processo de reabertura, mas algumas coisas estão distraindo o investidor no momento.

E-Investidor – E como você enxerga essa onda de IPOs na Bolsa?

Amstalden – Temos que ter uma atenção redobrada com os IPOs. Também como filtro do financial deepening, há maior interesse por Bolsa, em um momento muito animador de novas ofertas e várias estreias. São tantos tickers novos que estamos com dificuldade de acompanhar tudo, mas há ofertas muito interessantes. Vimos o exemplo de SmartFit, que é muito popular entre o público e teve uma estreia favorável. Além disso, vários IPOs de tecnologia chegando, quebrando um tabu da Bolsa brasileira, de que não tínhamos empresas de tecnologia por aqui.

O investidor tem que estar atento a esse calendário de IPOs porque tem muita coisa boa e nova chegando na B3. A última vez que isso aconteceu foi lá em 2007. Estávamos muito carentes de novas histórias, ninguém aguenta ficar analisando a mesma empresa por 10 ou 20 anos. Isso me anima muito também.

E-Investidor – Qual a maior dificuldade para fazer a educação financeira chegar nos brasileiros?  

Amstalden – Eu acredito que não há grandes gaps. Isso tem muito mais a ver com a demanda, de você respeitar o tempo das pessoas. Essa tese, que me parece preguiçosa e preconceituosa, de que o brasileiro não se interessa por educação financeira e que você precisaria obrigá-lo a se interessar, não cola.

O brasileiro é muito interessado por aquilo que vale a pena, na hora certa, assim como qualquer ser humano. Com as pessoas naturalmente procurando ambiente de Bolsa, isso vem acompanhado por uma busca por educação financeira.

E-Investidor – E quais são os maiores riscos no processo de aprofundamento financeiro?

Amstalden – Ao mesmo tempo que vemos educação de qualidade se desenvolvendo como uma resposta a essa alta demanda, temos também a história das redes sociais, dos influenciadores. Alguns são ótimos, outros acabam sendo mais oportunistas.

Precisa um pouco de senso crítico para saber se as pessoas estão de fato consumindo educação ou se estão consumindo esse oportunismo travestido de educação. Mas ninguém é bobo e eu confio muito nesse interesse orgânico do brasileiro.

Todas as tentativas da própria B3 de educar financeiramente o investidor brasileiro antes do tempo foram ruins, não tiveram resultados sensíveis. De fato, você só consegue educar quando as pessoas estão demandando educação. Não dá para empurrar educação financeira goela abaixo.

E-Investidor – A CVM lançou um estudo com a proposta de baixar a régua para o investidor de qualificado, de R$ 1 milhão para R$ 627 mil. Como você enxerga a eventual mudança?

Amstalden – O quão diferente cognitivamente é uma pessoa que tem R$ 1 milhão de uma que tem R$ 500 mil? Não tem muita diferença. O que tem R$ 500 mil terá R$ 1 milhão amanhã se continuar fazendo o que fez para chegar nos R$ 500 mil. Parece um detalhe, mas, se você reduz essa régua, já inclui muitas pessoas nesse universo do qualificado.

Estamos muito atentos a isso. É elogiosa essa agenda da CVM, no sentido de quebrar esses tabus de que para você investir é necessário ser rico, com um PHD em finanças, formado em uma universidade estrangeira e de que o mercado financeiro é só para esse público. Não é.

Primeiro vem a força da demanda, depois as regras vão se adequando. Agora já fica claro que essas regras já são obsoletas e que precisamos nos atualizar para tornar o processo do investimento em Bolsa muito mais inclusivo. A CVM não teria feito nada se a demanda não tivesse vindo antes. Essa é a grande força que faz todo mundo reconsiderar seus dogmas.

E-Investidor – Na sua visão, existe alguma chance de voltarmos aos juros de dois dígitos e esse processo positivo, de aprofundamento financeiro, ser freado?

Amstalden – Não acho. Acredito que esse é um fenômeno global, muito amplo e intenso, que não tem volta. Óbvio que as nuances de curto prazo são normais. Depois de rodar uma Selic de 2% ao ano, me parece absolutamente plausível que rodemos um tempo nos 7%.

Pode vir um cisne negro, qualquer coisa pode acontecer, mas o que analisamos de trajetória histórica, de tudo que o Brasil conquistou, de controle de inflação, teto de gastos e etc, tudo isso corrobora uma trajetória de longo prazo de queda na Selic.

O problema é que o brasileiro, e por motivos justos, é muito traumatizado. Quando a inflação dá uma acordada, o brasileiro já tende a achar que tudo vai dar errado de novo. Contudo, o mais provável é que as coisas realmente melhorem. Acredito muito na trajetória descendente de juro por aqui e que esse financial deepening é aquela ideia de você passar pela catraca e não voltar mais.

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