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Mercado

OIBR3: Como lucrar com o movimento do mercado de telecomunicações

Mercado de telecomunicações tem aquisições, fusões, IPO e recuperação judicial da OIBR3 como destaques em 2021

Por E-Investidor

21/08/2021 | 7:00 Atualização: 20/08/2021 | 15:33

Connection with the optical fiber (Fonte: Imobiliário)
Connection with the optical fiber (Fonte: Imobiliário)

(Aléxis Cerqueira Góis/especial para o e-investidor) O setor de telecomunicações na bolsa de valores está chamando a atenção por uma série de fatores. A expectativa da chegada da rede 5G em todo o País, prevista para julho de 2022, uma fila de IPOs de empresas do setor e a recuperação judicial da Oi (OIBR3; OIBR4) prometem oferecer boas oportunidades para os investidores. Um relatório produzido pela consultoria IDC Brasil, a pedido da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estima que o segmento de telecomunicações deva crescer 10% em 2021, após sofrer com uma retração de 1% no ano passado. O resultado deve ser impulsionado pelo aumento dos preços de smartphones e o leilão do 5G, que deve ocorrer até o final do ano.

Leia mais:
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Contudo, o otimismo ainda não chegou na bolsa de valores. As empresas que dominam o setor de telecomunicações registraram um recuo em seu valor de mercado. No primeiro semestre, o valor da Vivo (VIVT3; VIVT4) caiu 7,08%, enquanto a TIM (TIMS3) recuou 13,31% e a Oi teve retração de 27,05%. Apenas a Intelbras (INT3), que teve seu IPO em fevereiro, apresentou crescimento e valorizou 43%.

Aquisições e fusões no setor de telecomunicações

As fusões e aquisições devem continuar aquecendo o mercado de telecomunicações. (Fonte: Shutterstock/Gajus/Reprodução)

No período de 2010 a 2020, aconteceram 95 transações de fusões e aquisições no mercado de operadoras de telecomunicações e provedores de acesso à banda larga no Brasil. Essas operações movimentaram US$ 92,4 bilhões, o equivalente a R$ 468 bilhões, segundo levantamento da RGS Partners, uma assessoria financeira. O ano de 2020 foi o mais movimentado no setor e apresentou o maior volume de negócios da última década. Apenas os 16 acordos que tiveram os valores revelados somam uma cifra de US$ 4,5 bilhões (mais de R$ 22,8 bilhões).

Ainda de acordo com a assessoria financeira, o setor segue movimentado em 2021. Apenas de janeiro a maio foram fechados nove acordos com um valor total de US$ 4,1 bilhões, ou R$ 20,76 bilhões. Esse ritmo de operações deve influenciar na valorização das ações do setor de telecomunicações na bolsa de valores.

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Principais operações de 2020
A maior aquisição do ano passado foi a unidade da Oi Móvel, arrematada em um leilão por US$ 3,2 bilhões (ou R$ 16,5 bilhões) pela Vivo, Claro e TIM — as três maiores operadoras de telefonia do Brasil. A recuperação judicial da Oi também gerou a venda de sua unidade de negócios de torres móveis por US$ 202,3 milhões (R$ 1,077 bilhão) para a Highline do Brasil, e da unidade de data centers por US$ 61,1 milhões (R$ 325 milhões) para o fundo Titan Venture Capital, controlador da Piemonte Holding.

Ainda no ano passado, a Copel Telecomunicações, unidade da Companhia Paranaense de Energia (Copel) que comercializa planos de fibra ótica, foi adquirida por US$ 571,5 milhões pelo fundo de investimentos Bordeaux. E a Phoenix Tower do Brasil foi vendida para a rival Highline por US$ 460 milhões.

As IPOs do setor de telecomunicações

Apesar das aquisições e fusões no setor de telecomunicações, o mercado de provedores de internet ainda é muito pulverizado: existem pelo menos 5 mil operadoras no Brasil. As pequenas e médias empresas do setor ganharam participação ao investir em redes de alta velocidade em locais onde as grandes não conseguiam chegar. Dessa forma, se tornaram líderes de mercado em 77% dos municípios brasileiros e responsáveis por 41,5% dos acessos de banda larga e 60% dos acessos via fibra ótica no País, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) compilados pela consultoria Teleco.

Com o rápido crescimento, um grupo destas empresas pretendem dar um passo maior em seu desenvolvimento, com a captação de cerca de R$ 10 bilhões na bolsa de valores. Entre as provedoras regionais que começam a ter ações negociadas na B3, estão a Brisanet, Desktop, Unifique e Vero. Confira o perfil das empresas:

  • Brisanet (BRIT3): criada em 1998, oferecia conexão via rádio, mas a partir de 2010 começou a utilizar a fibra óptica e passou a oferecer sinal de telefonia fixa e TV a cabo para 96 municípios do interior dos estados do Ceará, Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A operação deve movimentar R$ 2 bilhões.
  • Desktop (DESK3): com mais de 321 mil usuários ativos em 53 cidades paulistas, a empresa atua há 24 anos e opera mais de 16,5 mil km de redes próprias de fibra óptica no estado de São Paulo. A negociação deve movimentar R$ 776 milhões.
  • Unifique (FIQE3): fundada em novembro de 1997, em Santa Catarina, é a maior provedora de fibra óptica no Estado e já cobre mais de 1 milhão de residências. O IPO deve levantar R$ 900 milhões.
  • Vero: criada em 2019, a partir da compra e fusão de oito provedores de banda larga de Minas Gerais, a empresa é parte do portfólio pela Vinci Partners. A expectativa é que a abertura da companhia na B3 gere R$ 1,5 bilhão.

Qual é o futuro da OIBR3 e OIBR4?

As fusões e aquisições devem continuar aquecendo o mercado de telecomunicações. (Fonte: Shutterstock/Gajus/Reprodução)

As ações da Oi já foram consideradas uma aposta de alto risco pelo futuro incerto de sua recuperação judicial, iniciada em 2016, por conta de uma dívida bilionária. Em 2020, a companhia tinha como objetivo leiloar 5 unidades de serviços (telefonia móvel, torres, data centers, TV por assinatura e infraestrutura) para garantir a sua sobrevivência. No ano passado, foram realizados 3 leilões, o que garantiu quase R$ 18 bilhões para o caixa da empresa. Em julho, a Oi vendeu a 57,9% da InfraCo, sua unidade de fibra ótica, por 12,9 bilhões para o BTG Pactual. A entrada do maior banco de investimentos da América Latina em uma sociedade com a telefônica dá um sinal positivo ao mercado.

Com o sucesso da redução de seu alto endividamento, as atenções começam a ser voltadas para o êxito da Oi em sua reestruturação. A companhia deve se tornar uma fornecedora de infraestrutura neutra, por meio da participação de 42% na InfraCo e ainda mantém as operações de telefonia fixa, o que deve garantir uma valorização a curto e a médio prazo. Mesmo com todo o otimismo, os ativos OIBR3 e OIBR4 devem oscilar bastante. Isso se deve pela pendência de aprovação dos negócios por parte da Anatel e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A nova Oi também deve enfrentar uma competição acirrada no mercado de infraestrutura de empresas de telecomunicações pequenas e estrangeiras.

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