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Guerra em Israel muda as projeções para o Ibovespa no fim de 2023?

Bolsa brasileira chega ao último trimestre do ano patinando; veja a projeção de analistas

Guerra em Israel muda as projeções para o Ibovespa no fim de 2023?
Índice Bovespa é o principal da Bolsa de Valores. (Foto: Envato Elements)
  • Para analistas, o Ibovespa tende a sofrer mais o impacto causado pelos juros longos nos EUA do que por conta do conflito bélico
  • No entanto, existe o risco de um eventual choque de oferta do petróleo, com o envolvimento do Irã na guerra, já que o país poderia bloquear o estreito de Ormuz, onde passa mais de 30% da exportação da commodity
  • A Genial, por exemplo, projeta que o principal índice da Bolsa brasileira feche 2023 entre 114 mil pontos e 122 mil pontos

O conflito no Oriente Médio, iniciado no sábado (7) quando o Hamas surpreendeu o mundo ao atacar Israel por terra, mar e ar, teve impactos imediatos tanto do ponto de vista emocional, com as cenas chocantes de destruição e morte, quanto econômico, com governos, empresas e outros players globais tentando avaliar o reflexo disso tudo.

A contra-ofensiva por parte de Israel foi imediata e, já no dia seguinte (8), o Exército poderia ter neutralizado o grupo terrorista, mas uma incursão massiva traria Gaza abaixo. Então, em um primeiro momento, o país atacado ajustou sua defesa, corrigiu as falhas reportadas pelo Iron Dome (Domo de ferro, um sistema anti-míssil) e alinhou seus militares para a guerra.

O país governado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é uma porção de terra que faz fronteira com a Cisjordânia ao Norte – território palestino sem saída para o mar – e com Gaza (do lado Sudoeste), também palestina e localizada a 70 quilômetros de Jerusalém, cidade considerada sagrada para Judeus, Cristãos e Muçulmanos. O Hamas se concentra e opera na faixa de Gaza.

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No primeiro pregão após os ataques, na segunda-feira (9), o Ibovespa abriu aos 114 mil pontos, alcançando os 115 mil pontos na máxima, e fechando em 115.156 pontos (+0,86% no fechamento). Das empresas que aditivaram o índice, destaque para a Petrobras (PETR3; PETR4) e as chamadas Junior Oils – Prio (PRIO3), PetroRecôncavo (RECV3) e 3R (RRRP3).

Acontece que o conflito no Oriente Médio fez disparar o petróleo, que desde o início do conflito acumula alta de 7,5%. Com a commodity em elevação, os papéis das companhias do segmento acabaram se valorizando. O investidor, por sua vez, buscou indícios para checar se a guerra poderia alterar as projeções para o Ibovespa.

No dia seguinte, terça-feira (10), o Ibovespa também fechou de forma positiva (+1,37% aos 115.158 mil pontos). Entretanto, para os analistas consultados pelo E-Investidor, o fôlego que o principal índice da bolsa tomou tem pouco a ver com os acontecimentos recentes do outro lado do globo.

Ainda assim, na quarta-feira (11), véspera de feriado no Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 0,27%, aos 117.050,74 pontos. Naquele dia houve divulgação da Ata do Fed, com o banco central reforçando a percepção de que não será mais necessário implementar uma nova alta dos juros em novembro. A expectativa, que já apontava para este desfecho, ajudou a bolsa.

Na quinta-feira (12) o mercado brasileiro esteve fechado, devido ao Feriado de Dia das Crianças, bem como Dia de Nossa Senhora Aparecida. Já na sexta-feira (13) o Ibovespa fechou em queda de 1,11%, aos 115.754 mil pontos.

Fechamentos

  • Petróleo tipo Brent: +5,69% no dia 13, e +7,5% na semana (acumulado);
  • Ibovespa: -1,11% no dia 13, e +1,39% na semana;
  • Dow Jones: +0,12% no dia;
  • S&P 500: -0,50% no dia;
  • Nasdaq: -1,23% no dia;
  • Dólar: +1,77%, a R$ 5,0885 e, na semana, -1,43%.

Projeções para o Ibovespa

De acordo com Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos, a guerra no Oriente Médio é local e o Ibovespa tende a sofrer mais impacto por causa dos juros longos nos EUA, neste momento, do que por conta do conflito bélico. A Genial projeta que o principal índice da Bolsa brasileira feche 2023 entre 114 mil pontos e 122 mil pontos.

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“Esta é uma faixa que ainda traduz uma bolsa brasileira barata, mas isso em termos de métrica preço/lucro. Porém, ao mesmo tempo em que ela está barata eu não consigo ver demanda por parte do investidor, tanto o internacional quanto o local”, destaca.

Para ele, o que poderia levar o Ibovespa a flertar com números mais altos, na casa dos 130 mil pontos, é somente se a taxa de juros de longo prazo nos EUA permitir. “Entretanto, para isso acontecer, primeiro haverá a necessidade de um movimento de desaceleração da atividade global”, frisa.

Já o head da EQI Research, Luís Moran, vai na mesma linha e afirma que o Ibovespa encerrará 2023 próximo dos 120 mil pontos. Ele reforça que as projeções de sua Casa para o índice não foram alteradas, ou seja, o fator Israel-Hamas não pesa tanto quanto os movimentos do Fed.

O head de renda variável e sócio da A7 Capital, Andre Fernandes, por sua vez, destaca que agora que se iniciou o ciclo de queda da Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira, a visão acerca do Ibovespa ficou bem mais otimista, mas somente para o próximo ano. “Para o fim de 2023, a projeção está entre 115 mil pontos e 121 mil pontos.

Em relação à taxa de juros dos EUA, a A7 tem por cenário-base o fim do ciclo de alta devido aos últimos discursos de membros do Fed. Também projeta um corte de juros de 0,50% ao longo de 2024, podendo ser alterado conforme o comportamento da inflação.

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As petroleiras

O estrategista da Genial afirma que não vê o petróleo com espaço para se manter em nível elevado. Ele considera que a commodity irá flutuar entre US$ 85 e US$ 95 o barril, entretanto, em caso de desaceleração econômica mundial, essa tese precisaria ser reformulada.

Para ele, este nível de preço força a Petrobras a ter maior influência para não praticar os preços seguindo a paridade internacional, que poderia ser ruim para a empresa. Villegas afirma que o cenário atual é mais positivo para as Junior Oil do que para a estatal.

Ainda assim, ele afirma que a Petrobras continua bastante atrativa para o investidor, mas o efeito do petróleo vem mais em decorrência do fato de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está reduzindo a oferta.

“Já o conflito no Oriente Médio tende a se tornar um novo catalisador somente no caso de atingirem outras regiões geográficas, ou seja, com a participação de novos países, mas isso é imprevisível e precisa ser monitorado”, frisa.

De qualquer maneira, elenca, o petróleo subindo implica em mais inflação e em juros mais altos para os próximos trimestres, gerando mais impacto sobre a economia.

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Na mesma linha, Fernandes, da A7, ressalta que por conta do conflito, e dos cortes de produção já contratados, a visão é positiva para as petroleiras. “A Petrobras tem o prêmio de risco por ser estatal, então deve-se monitorar os desdobramentos da atual gestão”, diz.

Do lado das Junior Oils, ele estabelece a Prio como referência devido à boa execução dos projetos, além de ter uma gestão eficiente de custos.

A guerra

Villegas não acredita que o efeito guerra possa se tornar o principal catalisador do Ibovespa. Para ele, o conflito no Oriente Médio está mais propenso a impactar o petróleo do que incidir nas projeções do índice. “Ainda assim, o conflito não deve gerar grande precificação para a commodity”, diz.

Fernandes, da A7, ressalta que em um eventual choque de oferta do petróleo, com o envolvimento do Irã na guerra, já que o país poderia bloquear o estreito de Ormuz, onde passa mais de 30% da exportação, o preço da commodity tenderia a continuar subindo, beneficiando ações ligadas ao setor.

Entretanto, as ações do setor doméstico, e empresas que são fortemente impactadas por aumento de combustíveis, como as companhias do setor aéreo por conta do querosene de aviação, tendem a sofrer neste cenário.

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