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Mercado

Petrobras (PETR3;PETR4) tem semana decisiva sobre pagamento de dividendos; veja o que esperar

Ações da petroleira reagem após notícia indicar caminho favorável para pagamento dos proventos retidos em março

Por Luíza Lanza

22/04/2024 | 3:00 Atualização: 21/04/2024 | 14:06

Petrobras. (Foto: Wilton Junior/Estadão)
Petrobras. (Foto: Wilton Junior/Estadão)

A menos de uma semana da tão aguardada Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Petrobras, marcada para esta quinta-feira (25), investidores ganharam mais um motivo para ficarem otimistas. Como mostrou o Estadão, o Conselho de Administração da estatal chegou a um meio termo e definiu na sexta-feira (19) que vai propor na Assembleia Geral Extraordinária (AGE), a ser realizada também no dia 25, o pagamento de 50% dos dividendos extraordinários que haviam sido integralmente retidos.

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A expectativa pela distribuição dos valores já está na pauta do mercado. No fim da semana passada, o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, disse em sua coluna que “tudo caminha” para que o pagamento dos dividendos extras aos acionistas seja aprovado no encontro. A notícia, no entanto, dizia que a estatal aprovaria a distribuição em 100%.

O burburinho foi bem recebido por investidores e levou as ações PETR3 e PETR4 a altas de 4,07% e 1,71%, respectivamente, no pregão da sexta-feira.

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A retenção dos dividendos extraordinários da estatal virou uma grande incerteza na tese da petroleira desde que a companhia decidiu, em março, ater a distribuição dos proventos ao mínimo de 45% do fluxo de caixa livre determinados pela Comissão de Valores Mobiliários. Desde então, o mercado temia que os R$ 43,9 bilhões retidos fossem utilizados para bancar investimentos pouco rentáveis, um receio que levou algumas casas a revisarem as recomendações de PETR3 e PETR4. Relembre essa história aqui.

  • A visão de risco com a Petrobras é constante, diz gestor

Artur Horta, especialista em investimentos da GTF Capital, destaca que o não pagamento dos proventos causou uma crise dentro da Petrobras, que quase levou à demissão do presidente Jean Paul Prates. O CEO esteve ameaçado no cargo e circularam notícias nas últimas semanas de que o governo havia sondado o ex-ministro Aloizio Mercadante para assumir o posto. “A partir do momento que o governo foi percebendo o tamanho da crise que poderia causar com o não pagamento desses recursos, que o próprio governo é beneficiário, aumentou então a possibilidade de pagamento”, afirma.

Nas últimas semanas, Prates ganhou apoios importantes nos bastidores, incluindo do ministro da Fazenda Fernando Haddad. Mas não é só a manutenção dele no cargo que dá apoio à expectativa de que a estatal vá aprovar na AGO o pagamento dos valores retidos. O governo federal revisou a meta fiscal de superávit de 0,5% do PIB para déficit zero em 2025 – o entendimento é que a União também precisa de novas fontes de recursos e, neste caso, poderia se beneficiar com a distribuição dos R$ 43,9 bilhões retidos pela Petrobras.

“Por conta da deterioração do cenário fiscal, e a dificuldade de manter as metas fiscais estabelecidas, a chance desses dividendos extraordinários serem pagos aumentou sim. Sendo o governo o maior beneficiado, acreditamos que na AGO da semana que vem devem decidir de vez, e provavelmente será uma decisão favorável aos acionistas”, explica Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

Alta nas ações da Petrobras muda a visão de analistas?

Apoiadas na expectativa pelos dividendos extraordinários, as ações da Petrobras conseguiram escapar da maré de pessimismo que atingiu o mercado na última semana. O Ibovespa caiu 0,65% no período, mas viu investidores serem tomados pela aversão a risco com a piora dos fundamentos macroeconômicos.

A PETR3, por sua vez, saltou 6% na semana, encerrando a sexta-feira (19) a R$ 42,72 como a segunda maior valorização semanal da carteira teórica do IBOV. A PETR4 subiu 4,08%, a R$ 40,53, sendo a 7ª maior alta do Ibovespa na semana. “Em um período que o Ibovespa está tendo muita dificuldade, a Petrobrás sobe, então realmente é um desempenho muito conectado com essa volta atrás do governo para agora liberar os dividendos”, pontua Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

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Isso não significa, no entanto, que as incertezas sumiram completamente do radar da estatal. O principal receio de analistas é por uma interferência política na companhia, seja via dividendos, projetos de investimentos ou influência no preço de combustíveis. Um ponto que já está nas análises e deve permanecer, ainda que na semana que vem a companhia opte por distribuir os dividendos.

“A distribuição em questão não garante que a empresa vai voltar a pagar sempre esses dividendos extraordinários. Acreditamos que o cenário atual favorece o pagamento desses dividendos, mas não significa que haverá outros pagamentos extraordinários no futuro, vai depender dos planos de investimento da empresa e o cenário atual em relação às contas do governo”, destaca Andre Fernandes, da A7 Capital.

A Petrobras é, por muito tempo, a maior petroleira da B3. As ações da estatal costumam ser muito recomendadas por analistas para quem deseja se expor ao setor de petróleo, mas especialmente para aqueles que têm foco em renda passiva, dado que a companhia é, há alguns anos, destaque na remuneração de dividendos.

Se o pagamento dos proventos extraordinários passar, pode ser que o mercado volte a ficar mais otimista com a perspectiva de investimento nos papéis. “O mercado sempre vai olhar qual empresa vai entregar mais rendimentos para escolher. A partir do momento que a Petrobras é a principal pagadora de dividendos da nossa Bolsa ou a principal petroleira pagadora de dividendos no mundo, ela vai chamar a atenção dos investidores e isso vai reforçar uma tese de investimento na empresa”, explica Artur Horta, da GTF. “Se ela realmente voltar a pagar esses dividendos, faz sentido sim para o investidor comprar.”

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