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Mercado

PetroReconcavo: novas aquisições devem gerar valor aos acionistas

Com aumento da receita em 34,3%, CEO da PetroReconcavo prevê aumento de competitividade para geração de valor

  • Empresa operadora de petróleo e gás em campos maduros de terrestres (onshore), a PetroReconcavo (RECV3) é uma das sete corporações de origem baiana listada na Bolsa de Valores
  • No segundo trimestre deste ano, a empresa acumulou um lucro líquido de R$ 94,5 milhões, enquanto no mesmo período de 2020, foi registrado um prejuízo de R$ 15,1 milhões. Entre 2T20 e 2T21, a receita líquida cresceu 34,3%
  • "Para isso, temos a expectativa de fechar outros negócios com diferentes estados para ser ainda mais competitivos. Isso com o objetivo de gerarmos mais valor para o nosso acionista", diz CEO

A operadora de petróleo e gás PetroReconcavo (RECV3) é uma das sete corporações baianas listadas na Bolsa de Valores. A empresa explora campos terrestres (onshore) e graças ao aumento da sua produção de barris de petróleo e da ampliação do fornecimento de gás, visa fechar novos contratos e aquisições para aumentar a competitividade e, consequentemente, gerar valor aos acionistas.

As ações da companhia, que teve a Oferta Pública Inicial (IPO) em maio deste ano, têm desvalorização acumulada em 9,10% desde a listagem. Apesar da queda, o papel chegou a crescer mais de 22% de maio até o início deste mês. Cotados a R$ 15,09, os papéis da empresa caíram 4,19% no fechamento da sexta-feira (22).

No segundo trimestre deste ano, a empresa acumulou um lucro líquido de R$ 94,5 milhões, enquanto no mesmo período de 2020, foi registrado um prejuízo de R$ 15,1 milhões. No mesmo período, a receita líquida cresceu 34,3%. Em relação à produção diária bruta de barris de óleo, houve um aumento de 11,3%, chegando a mais de 12 mil no segundo trimestre de 2021.

Desde o ano 2000, a PetroReconcavo é responsável pela operação do Polo Remanso, na bacia do Reconcavo, no estado da Bahia, por meio de um contrato de produção incremental com a Petrobras. Em dezembro de 2020, porém, a empresa comprou 100% da participação da estatal nos 12 campos terrestres que constituem o Polo. O valor da aquisição é calculado em US$ 30 milhões. 

No ano anterior à negociação na Bahia, a empresa finalizou a aquisição do Polo de Riacho da Forquilha, no Rio Grande do Norte, que até então também era de propriedade da Petrobras. A negociação aconteceu através da subsidiária Potiguar E&P. Segundo a PetroReconcavo, nos primeiros 12 meses de operação, houve incremento de 38,4% na produção de óleo nos campos operados.

Além da aquisição no estado, a companhia venceu a chamada pública para fornecimento de 236 mil metros cúbicos diários para a Potigás, no Rio Grande do Norte. Segundo Marcelo Campos Magalhães, CEO da PetroReconcavo, o objetivo é ampliar a participação em todos os estados da Região Nordeste e em alguns estados da Região Norte.

Em entrevista ao E-Investidor, Magalhães explicou que, apesar da empresa estar inserida em uma indústria centenária, inovação, gestão sustentável e diversidade fazem com que o trabalho seja realizado no “modo startup”.

Para o executivo, apesar do IPO ser recente, a empresa tem experiência e conhecimento para atuação do setor de óleo e gás para manter a competitividade e maturidade.

E-Investidor – A que se deve os resultados positivos da empresa no segundo trimestre deste ano?

Marcelo Campos Magalhães – A companhia é muito focada no setor em que atua. Neste momento, não se diversifica muito, procuramos não ter excursão exploratória porque a indústria de óleo e gás é muito arriscada para uma empresa de pequeno e médio porte. Costumamos dizer que preferimos nem nos molhar porque temos uma operação realmente onshore (no continente) e não offshore (afastado da costa).

Os nossos números positivos do segundo trimestre são reflexo, entre outras variáveis, da experiência de longa data, há mais de 21 anos. Outra razão que nos diferencia da grande maioria dos nossos peers é a operação verticalizada, ou seja, operamos nossos próprios equipamentos e equipes, desde sondas de perfuração, sonda de trabalho e de intervenção, além de termos nossos próprios equipamentos de fraturamento e cimentação. Essa rede interna de serviços é absolutamente fundamental para desenvolver cada um desses campos.

O Brasil é carente dessa expertise porque tivemos durante 70 anos a atuação da Petrobras, que é competente no que faz, mas possui diversos fatores que inibem o desenvolvimento do mercado de forma produtiva, eficaz e segura.

Temos uma expectativa de, ao longo dos próximos trimestres, entregar resultados muito consistentes e progressivamente crescentes.

E-Investidor – Quais os maiores desafios para o setor neste momento?

Magalhães – A indústria onshore no Brasil foi tão dominada pela Petrobras que existem poucas pessoas fora dessa empresa que têm o conhecimento mais específico do que é operar um campo onshore. Eu mesmo não tinha experiência quando cheguei há treze anos, mas tive ótimos professores. É algo muito diferente do que estamos acostumados.

Campos de petróleo onshore são espalhados, temos mais de 700 poços ativos em dezenas de municípios. Muitas vezes, existe uma dificuldade de acesso logístico a determinados poços e isso nos faz ter uma atenção maior.

Outro desafio é em relação à chuva. Se alguém pensa que não chove no sertão, aprendi que na época de dezembro a março chove muito, o que pode causar certa dificuldade para mobilizar grandes equipamentos como uma sonda para locação. Em algumas das estações não existe sinal de celular ou a energia elétrica é instável.

No entanto, por conta disso, temos investido muito em inovação digital para desmistificar que nosso setor é uma indústria antiga. Na nossa operação em Mossoró (RN), por exemplo, todos os poços são monitorados 24h por dia em uma sala de controle. Conseguimos saber a quanto está a corrente elétrica, a pressão, o ciclo de bombeamento de cada poço, se houve alguma interrupção na produção, entre outras alterações. Além disso, implementamos um sistema de rádio digital em toda a área para permitir uma comunicação ativa.

E-Investidor – Como a companhia administra a atuação com localização dispersa ?

Magalhães – Na cidade de Mossoró temos tido a chance de trabalhar com muitos profissionais capacitados. Montamos uma equipe jovem e dinâmica que têm gerado ótima performance para nossa empresa e mostrando a qualidade dos recursos humanos locais.

Somos uma indústria de mais de 150 anos, mas trabalhamos como se fosse uma startup. Como resultado, vemos que nossas receitas e produção dobraram nos últimos dois anos. Passamos de cerca de 200 funcionários para quase 600, em uma idade média de menos de 40 anos. É uma juventude engajada, diversa, inclusive com significativa participação feminina trabalhando em sonda e fazendo desenho de poço.

Quase todos os administradores possuem posições acionárias significativas no patrimônio. Para os acionistas, podem ter a certeza de que estão lidando com outros acionistas e todas as responsabilidades que isso nos traz, especialmente sendo bastante criteriosos na aplicação dos recursos da companhia e na preocupação em gerar valor.

E-Investidor – Como a situação doméstica de instabilidade política e risco fiscal impactam a companhia?

Magalhães – Somos uma empresa anticíclica em relação à economia brasileira. Em geral, nossos produtos são cotados em dólar, o que nos faz depender muito mais da economia mundial do que da doméstica. O petróleo bateu valor negativo no ano passado, mas já chegou a US$ 75 dólares nas últimas semanas, um reflexo amplo da recuperação da economia global.

Mesmo com a variante Delta e questões no Sudeste Asiático ou até nos Estados Unidos, vemos as bolsas internacionais batendo recordes. Dessa forma, o preço do petróleo acompanha o otimismo, nos deixando em uma condição de mais independência em relação ao mercado brasileiro.

Mesmo que haja uma queda do dólar, será menos expressiva do que a volatilidade do mercado brasileiro, de onde conseguimos nos descolar. Por outro lado, com valorização cambial, vemos aumento no nosso faturamento.

Buscamos nos proteger, por exemplo, com uma aquisição logo antes da pandemia que nos deu uma posição de hedge alta. No pico da crise de 2020, nossa produção estava hedgeada em um preço bom, o que nos fez ter uma exposição menor a quedas vigorosas no preço do petróleo.

Esperamos que ano que vem, com o passar das eleições, o ambiente interno nos ajude como o externo vem contribuindo.

E-Investidor – Como o impacto da pandemia no cenário global afetou a empresa?

Magalhães – Estávamos com o pé no acelerador em fevereiro (2020) com muitos investimentos encaminhados. De repente, precisamos parar todas as ações por pelo menos três meses. Todos os funcionários de atividades não essenciais passaram a trabalhar de casa, além disso, tivemos um volume de PCR alto para testagem em massa. Graças à vacinação estamos com uma preocupação menor.

Eu fiz questão de participar da fase de teste da AstraZeneca em Salvador, em outubro de 2020, quando recebi a imunização no teste cego. Eu sou otimista em relação a pandemia a partir de agora, a pressão da opinião pública fez com que a disponibilidade de doses aumentasse a ponto de não termos sofrido tanto impacto com a variante Delta.

E-Investidor – Como a atuação da companhia do setor de gás pode gerar resultados positivos?

Magalhães – Temos a meta de ser o maior produtor independente de gás do Nordeste brasileiro, uma região importadora. Existem terminais de importação de GNL [Gás Natural Liquefeito] no Pará, Ceará, Amazonas, Sergipe e Bahia.

Nós conseguimos colocar nosso gás na malha de transporte e distribuição nos nove estados do Nordeste com o preço mais baixo que o gás da Bolívia ou do pré-sal. Temos direcionado recursos para investir mais em projeto de gás, à medida que fazemos o take over dos campos, vemos um potencial grande.

É no trabalho com gás que a empresa está se diversificando, deixando de ser apenas produtor, começando a ser processador para passar a ser um comercializador. Só não estamos em transporte por conta da própria regulação, que não permite a verticalização.

O novo mercado de gás promete muitas expectativas de crescimento. Uma delas é a interiorização do gás, além de ampliação para automóveis, especialmente aqueles utilizados por motoristas de aplicativos, que conseguem uma economia em até 60% quando mudam o combustível flex para GNV [Gás Natural Veicular]. Temos condições de dar um choque de competitividade.

Assim como o contrato com a Potigás mostrou, conseguimos ter uma margem boa e ainda gerar um preço agradável para o consumidor final. Para isso, temos a expectativa de fechar outros negócios com diferentes estados para ser ainda mais competitivos. Isso com o objetivo de gerarmos mais valor para o nosso acionista. Por isso, falamos que nossa missão é transformar recursos em valor e sonhos em realidade.

E-Investidor – O setor de exploração de óleo e gás é considerado um dos mais desafiadores para cumprimento de normas ambientais, sociais e de governança (ESG), como a PetroReconcavo trabalha nessa frente?

Magalhães – Fazemos questão de expor a pauta ESG. A indústria de óleo e gás, com razões justas, precisa ter consciência sobre as questões climáticas. Procuramos mitigar, na medida do possível, as nossas ações.

Inclusive, boa parte do nosso foco está na produção de gás, chamado de combustível de transição. Mas não escondemos que somos produtores de óleo e de gás. Fazemos isso no interior do Nordeste como uma forma de gerar desenvolvimento econômico fora do eixo. Um poço de óleo e gás na fazenda de um pequeno agricultor rende para ele 1% de royalty daquela produção. Não podemos achar que é preciso parar uma atividade tão relevante para cidades de pequeno e médio porte.

Vemos que muitos países mais desenvolvidos que o Brasil ainda geram energia à base de carvão, o que não fazemos. No entanto, entendemos que vamos passar por uma transição e, para isso, preparamos diferentes comunidades.

Trabalhamos com a AVSI Brasil, uma ONG atuante em trabalhos sociais e ecológicos para inúmeras companhias. Essa organização executa nossas atividades de caráter social e ambiental de forma eficaz, especialmente com o foco de educação para crianças e adolescentes. Vemos esse trabalho como uma preparação das novas gerações para o futuro, inclusive para criar alternativas econômicas quando o petróleo não for sustentável e se esgotar.

Na Bahia, temos campos com mais de 60 anos praticamente no limite da atividade e viabilidade econômica. A PetroReconcavo tem a expertise de garantir que consigamos extrair o recurso natural do subsolo do País para benefício do nosso acionista, sim, mas para ganhos da sociedade e das comunidades no entorno desses campos.

Ao contrário de uma plataforma do petróleo com um único poço do pré-sal que produz até 40 mil barris por dia, essa é a realidade da bacia do Rio Grande do Norte inteira. Em vez da produção ser no meio do mar, geramos royalties para as famílias e populações do entorno.

Nas cidades localizadas no meio de um campo de petróleo, existem escolas sem estrutura adequada, sem livros ou material didático. Para isso, nós mantemos estruturas físicas com quadras poliesportivas, salas de aula, área de lazer, horta comunitária e reforço escolar.

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