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Mercado

Ações Cogna: por que COGN3 caiu após acordo com Eleva?

Desalavancagem abaixo das expectativas e semana de queda no Ibov também prejudicaram o papel

Por Isaac de Oliveira

26/02/2021 | 3:00 Atualização: 09/09/2021 | 16:24

Cogna Educação (Crédito: Arquivo Estadão)
Cogna Educação (Crédito: Arquivo Estadão)

As ações da Cogna (COGN3) não vêm performando bem apesar de a empresa ter confirmado, na noite da última terça-feira (23), um acordo com a Eleva Educação para a troca de ativos editoriais e de ensino básico.

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Apesar de a notícia ser vista como positiva por analistas do mercado, na quarta (24) a ação caiu 1,52%, cotada a R$ 3,90. Na quinta (25), a variação negativa foi de 1,79%, com o papel negociado a R$ 3,83.

Através da subsidiária Vasta, a Cogna adquiriu o sistema de ensino da Eleva por R$ 580 milhões. Já a Eleva, que tem Jorge Paulo Lemann entre seus sócios, pagará R$ 964 milhões pelas 51 escolas da Cogna. A operação ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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“A Vasta era uma companhia muito diversificada em diversos segmentos da educação básica, desde escola até cursos de idiomas, sistemas de ensino, livros didáticos. Com esse movimento, ela deixa de ser dona de escola e passa a ser uma plataforma que oferece B2B (empresa que vende produtos e serviços para outras empresas)”, avalia Leonardo Nascimento, sócio da Urca Capital Partners.

Para Nascimento, que acompanha fusões e aquisições no mercado, a Cogna não deve ter impactos positivos de curto prazo.

Já para a Vasta, isso pode trazer um valuation maior no longo prazo. Segundo o sócio da Urca, a empresa pode levantar capital via follow-on em Nova York, fazer o negócio crescer mais rápido e ajudar na desalavancagem da Cogna.

A alavancagem, que se refere ao nível de endividamento de uma empresa, é um indicador que está diretamente associado ao risco de investir em uma companhia. Ele leva em conta se ela busca crédito para financiar novos investimentos, por exemplo.

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É justamente esse um dos motivos que pode ter provocado o desconto nas ações da Cogna. “O mercado estava esperando uma desalavancagem de até R$ 1 bilhão. No entanto, o que se observou é que o impacto, de fato, foi de R$ 45 milhões”, afirma Igor Cavaca, analista de investimentos da Warren. Ele explica que uma desalavancagem maior faria o mercado ver menos risco de quebra ou perdas para a empresa.

Mesmo sendo uma operação positiva para a companhia, fatores macroeconômicos podem ter afetado as ações da Cogna nos dois últimos pregões. Esta é a leitura de Flávia Meirelles, analista da Ágora Investimentos. “A notícia positiva não foi capaz de sustentar a ação, porque saíram notícias maiores, macro, que acabaram derrubando a bolsa como um todo”, observa Meirelles.

Embora considere a troca de ativos um acerto, a analista da Ágora ressalta que a operação da Cogna no ensino superior, por meio da controlada Kroton, tem margens apertadas, o que a faz ter preferência por outros pares do mercado de educação. “Não vemos resultados [da Cogna] muito bons ainda no curto prazo”, diz Meirelles. “Olhando para o ensino superior, temos recomendação de compra para Yduqs, que é a antiga Estácio, e para Ser Educacional”.

Atualmente, a recomendação da Ágora é neutra para as ações COGN3, com preço-alvo de R$ 6 até o final do ano. A Warren também tem indicação neutra, porém sem preço-alvo definido.

O que esperar das ações da Cogna (COGN3)?

Nesta quinta-feira (25), a Cogna afirmou que avalia constantemente a aquisição de ativos estratégicos, que podem agregar valor aos seus negócios. O comunicado é uma resposta ao mercado após a informação de que a empresa estaria na fase final do processo competitivo da Pearson, que está vendendo seus sistemas de ensino COC e Dom Bosco. Além da Cogna, a Arco Educação está na disputa pelos ativos da Pearson.

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“Essa operação pode gerar algum ganho para a Cogna, à medida que ela vai estar trabalhando ainda dentro do mercado de educação, porém mais digitalizado”, destaca Cavaca, da Warren.

Meirelles, da Ágora, concorda. “Se a Cogna levar, também vai ser positivo por conta da escala, que é fundamental nesse mercado de sistemas de ensino, voltados para a educação básica, porque ajuda a diluir os custos”.

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