O BTG Pactual estima que a Suzano registre prejuízo de R$ 1,3 bilhão no quarto trimestre, em linha com a projeção da XP Investimentos (-R$ 1,1 bilhão) e abaixo do consenso de mercado, que prevê lucro de R$ 43 milhões.
Já as previsões para a Klabin apontam para lucro entre R$ 284 milhões e R$ 526 milhões, num desempenho que deverá ficar 23% abaixo do reportado no mesmo período do ano passado.
- Calendário de balanços 4T25; confira
O que esperar dos resultados de Suzano e Klabin no 4T25
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Companhia
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Comparativo
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Consenso para 4T25* |
| Receita líquida |
EBITDA |
Lucro líquido |
Margem EBITDA |
Margem líquida |
|
Klabin
|
Resultado (milhões/R$) |
5.195 |
1.833 |
284 |
35,3% |
5,5% |
| 4T25 x 4T24 |
-2,2% |
-2,2% |
-23,5% |
0,0 p.p. |
-2,8 p.p. |
| 4T25 x 3T25 |
-5,0% |
-15,8% |
51,0% |
-4,4 p.p. |
3,8 p.p. |
|
Suzano
|
Resultado (milhões/R$) |
12.364 |
5.196 |
43 |
42,0% |
0,3% |
| 4T25 x 4T24 |
-16,0% |
-21,7% |
-83,0% |
-3,1 p.p. |
n.a. |
| 4T25 x 3T25 |
-2,0% |
-2,4% |
-160,0% |
-0,2 p.p. |
n.a. |
*Fontes: BTG e XP
Preços da celulose em recuperação
O resultado das duas empresas do setor de papel e celulose vem dentro de um contexto de preços de celulose e papel mais baixos no mercado internacional no 4T25, mas que já apontavam para recuperação. As duas empresas anunciaram no final de 2025 reajustes de preços em seus produtos.
Na visão de Lucas Laghi, analista da XP, os preços subiram por uma conjunção de fatores que incluem demanda mais firme da China, paradas de manutenção em várias fábricas no mundo e atrasos de embarque de produtores da América do Sul. “Já existe um novo aumento para fevereiro, com preços potencialmente atingindo US$ 580 a US$ 590 por tonelada para a fibra curta na China”, diz.
Embora Laghi enxergue um limite para novos aumentos de preço de celulose, o movimento de alta animou os analistas para o potencial de valorização das duas companhias na Bolsa de Valores ao longo de 2026 e recomendam compra dos papeis com preços-alvos que refletem ganhos de 22% a 77%.
Prejuízo menor, lucro melhor
Apesar de estimar um prejuízo ainda elevado para a Suzano, a Genial Investimentos enxerga uma melhora em relação ao quarto trimestre de 2024, quando a companhia reportou perda de R$ 6,7 bilhões. “Projetamos o resultado final com prejuízo de R$ 1,9 bilhão, revertendo o lucro líquido de R$ 2 bilhões no 3T25, mas ainda com uma perda 71,8% menor na comparação anual”, observa a casa.
O prejuízo é explicado pelo impacto da linha financeira, com a SUZB3 devendo reportar resultado financeiro líquido negativo em R$ 5,3 bilhões, fortemente impactado por efeitos cambiais sobre a dívida em dólar, na visão dos analistas da Genial.
Para a Klabin, a Genial aponta queda de 5,3% no lucro na comparação anual, mas melhora de 7,5% em relação ao trimestre anterior, mesmo com um desempenho operacional mais fraco. Segundo os analistas da casa, o avanço no trimestre decorre, principalmente, da forte redução das despesas financeiras, que recuaram 26% no período.
Resultado financeiro muda linha do lucro
Para Lucas Laghi, da XP, o balanço final das duas empresas depende do resultado financeiro, impactado por ajustes nas estratégias de proteção cambial. “Boa parte desses efeitos é contábil e não mexe no caixa. Por isso, para analisar a empresa, preferimos olhar a geração de caixa (ou FCF yield) que mostra de forma mais clara quanto dinheiro a empresa realmente gera, independentemente dessas marcações contábeis”, diz.
Na visão da Genial, o retorno em fluxo de caixa livre (FCF yield) da Klabin – já considerando uma dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de três vezes e pagamento de dividendos – deverá subir para 7% em 2026 (+6 pontos percentuais em relação a 2024).
“Na nossa avaliação, o mercado financeiro continua enxergando o papel mais como uma aposta na taxa de câmbio USD/BRL e no ciclo da celulose – de forma semelhante ao que ocorre com a Suzano – do que nos fundamentos da tese de investimento, que, do ponto de vista micro, vêm apresentando melhora”, diz o relatório da Genial.
Como as receitas das duas companhias são mais dolarizadas do que os custos e investimentos, elas funcionam como uma proteção contra a alta do dólar. Cerca de 80% da receita da Suzano é em dólar e, da Klabin, 60%, enquanto os custos representam de 20% e 15%, respectivamente. Um real mais fraco tende a beneficiar as empresas, pois aumenta a receita em reais e reduz custos em dólar.
Para a Suzano, a Genial estima um FCF yield de 16%. “A companhia segue negociada a um múltiplo valor da empresa sobre Ebitda (EV/Ebitda) de 5,6x – ante média histórica de 7x –, o que, em nossa avaliação, representa um desconto excessivo.” O EV/ Ebitda é um indicador fundamentalista que mostra em quantos anos o lucro operacional levaria para pagar o valor total da empresa, incluindo dívidas.
Quatro trimestre foi de piora nas operações
As previsões são de que a SUZB3 reporte uma piora na performance operacional medida pelo Ebitda entre -5%, na estimativa da Genial, e -2,3%, na visão do BTG, em relação aos R$ 5,2 bilhões registrados no 3T25.
Para a XP, que aponta -3%, a queda na comparação trimestral (e de 22% na base anual) será decorrente de volumes de vendas de celulose mais fracos no trimestre (-50 mil toneladas), devido a cortes de produção anunciados e pelas paradas de manutenção de unidades produtoras.
A XP estima preços realizados de celulose levemente melhores no período (US$ 535 por tonelada), embora a valorização do real frente ao dólar tenha puxado parte do ganho para baixo.
Na Klabin, as previsões são de Ebitda menor em 11% na visão da XP, de -14,4% pela Genial e -15,8% pelo BTG na comparação com o terceiro trimestre, quando a companhia reportou um Ebitda de R$ 2,1 bilhões.
A Genial atribuiu a contração ao efeito sazonal após um 3T25 excepcionalmente forte em Papel & Embalagens, com paradas programadas que reduziram a diluição de custos fixos.
Preços mais baixos impactaram receita
Em relação à receita líquida, a expectativa é de um resultado mais fraco de Suzano na faixa de 14% a 16%, em relação aos R$ 14,2 bilhões registrados no 4T24. O volume estável de vendas não teria sido capaz de compensar preços médios mais baixos da celulose e o efeito cambial desfavorável.
Para a Klabin, a expectativa é de uma pequena oscilação negativa de 1% a 3%.
As duas companhias também devem apresentar custos de produção mais eficientes com queda na comparação trimestral.
Preço realizado da celulose para a Suzano no 4T25 é estimado em R$ 2.834 por tonelada, uma queda de 16,8% na comparação anual e de R$ 2.955 (+2,8%) para a Klabin (fibra curta) e R$ 5,157 por tonelada na fibra longa (-5,4%).
Recomendações e preços-alvo para Suzano e Klabin
A XP mantém recomendação de compra para a Suzano e estima potencial de valorização de 77%, com preço-alvo de R$ 92, ante a cotação atual de R$ 52,11. A Genial também recomenda compra com o preço-alvo de R$ 63,5 e alta de 24,2% em 12 meses.
Para a Klabin, a XP prevê valorização de 54% em relação à cotação de R$ 18,84 e a Genial estima ganhos de 22% no papel, com Klabin fechando a R$ 23,5 em 12 meses.