O BTG Pactual avaliou como decepcionantes os resultados da CVC no 1T26, período que, segundo o banco, foi marcado por um cenário difícil para viagens, com custos mais altos de combustível de aviação e interrupções decorrentes do conflito no Oriente Médio, que paralisaram hubs de conexão global relevantes e impactaram destinos na Ásia, Oriente Médio e Oceania.
Nesse contexto, os analistas do BTG Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, observam que receita e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficaram “ligeiramente acima” de estimativas que já haviam sido reduzidas, mas o resultado final veio “significativamente abaixo”, com prejuízo líquido contábil de R$ 72 milhões, ante previsão do banco de prejuízo de R$ 18 milhões, atribuída principalmente a despesas financeiras e imposto de renda mais altos do que o esperado.
Na leitura dos profissionais, a operação no Brasil se manteve relativamente melhor, com o B2B (empresa para empresa) como principal destaque. As reservas consumidas consolidadas cresceram 6% ante o último ano, para R$ 4,4 bilhões.
A receita líquida do Brasil cresceu 6% ante o último ano, para R$ 298 milhões, mas com queda de 40 pontos-base (bps) na taxa de captação, movimento puxado pela retração de 120 bps no B2C, parcialmente compensada por alta de 40 bps no B2B.
Na Argentina, a receita líquida caiu 17% ante o último ano, para R$ 67 milhões, com recuo de 60 bps na taxa de captação. No consolidado, a receita líquida subiu 1% ante o último ano, para R$ 365 milhões – número que o BTG diz estar 4% acima de sua estimativa – e, em uma base comparável, a alta seria de 7%.
O principal ponto negativo do trimestre, na visão do BTG, foi o resultado financeiro, em -R$ 81 milhões, pior que os -R$ 53 milhões do ano passado e acima da previsão do banco, de -R$ 56 milhões.
A análise atribui esse desempenho principalmente a menores ganhos cambiais em conversões dólar/peso argentino, custos mais altos de antecipação de recebíveis e impostos mais altos sobre transações bancárias.
“Os resultados do primeiro trimestre da CVC reforçaram que a empresa continua sendo pressionada por altas despesas financeiras, enquanto as tendências de receita permanecem fracas em meio a taxas de captação mais baixas e interrupções temporárias de viagens devido ao conflito no Oriente Médio”, escreve o time do BTG.
Embora digam receber bem os esforços contínuos de reestruturação, a classificação neutra reflete, segundo eles, desafios ainda à frente, com destaque para “ônus financeiro, a dinâmica de crescimento de receita contida e a intensificação da concorrência online”, indicam.
Balanço abaixo do esperado
O Citi avaliou que o resultado da CVC no primeiro trimestre de 2026 ficou abaixo das expectativas do mercado, pressionado pelas tensões no Oriente Médio, que afetaram hubs globais de viagens, e pela alta dos preços do combustível de aviação, que impactou tarifas, oferta e demanda no setor.
A receita líquida da CVC ficou 8% abaixo da projeção do Citi. O desempenho foi parcialmente sustentado pelo avanço de 6% nos embarques consolidados, com crescimento de 14% no B2B e de 8% no B2C, compensado pela retração de 9% na operação da Argentina.
“O resultado veio abaixo das estimativas do Citi e do consenso e, embora parcialmente explicado por eventos externos, esperamos entender como a administração pretende navegar esse ambiente enquanto busca avançar na conversão de dívida em capital”, afirmou o analista João Pedro Soares.
O Citi destacou ainda que a taxa de conversão de vendas em receita (take rate) recuou 41 pontos-base na comparação anual, pressionada por um mix menos favorável de vendas e desempenho mais fraco das operações B2C e da Argentina.
As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) ficaram 7% acima da projeção do banco, refletindo maiores gastos com campanhas de marketing no Brasil. Com isso, o Ebitda ajustado ficou 28% abaixo da estimativa da instituição financeira, diante da desalavancagem operacional.
Já o prejuízo líquido da companhia surpreendeu negativamente, já que a expectativa do Citi era de lucro líquido de R$ 23 milhões no período. Soares afirmou ainda que espera novidades sobre potenciais operações de fusões e aquisições envolvendo a companhia após as discussões sobre uma possível fusão com a Despegar, empresa de viagens online dona da marca Decolar no Brasil.
O Citi reiterou recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 2,50, o que equivale a um potencial de valorização de 17,3% ante o fechamento de ontem.
*Com informações da Broadcast