Nesta quinta-feira (14), as ações recuam 3,42% e lideram as perdas do Ibovespa, que opera aos 178.589 pontos (+0,84%).
O BB também divulgou o seu guidance para 2026 e aprovou a distribuição de proventos. Para o Citi, o balanço reforça um quadro de baixa visibilidade e de pressão persistente sobre a qualidade dos ativos, com pouca evidência de melhora nas métricas que importam para estabilizar as preocupações do mercado.
Antes do balanço, as previsões do mercado também não eram positivas. O BBA estimava que as despesas com provisões permanecessem nos níveis dos trimestres anteriores, na casa de R$ 17 bilhões. O banco também esperava por um lucro líquido de R$ 3,6 bi, o que implicaria em um “modesto” ROE de 7,5%. O BTG Pactual, por sua vez, esperava por um lucro líquido de R$ 5,06 bilhões, acima do consenso de mercado que era de R$ 4,1 bi.
Histórico recente ruim
Os balanços financeiros do BB vem sendo acompanhados pelo mercado de perto, desde que a carteira de crédito ligada ao agronegócio deixou de ser uma fortaleza para o banco e se tornou um problema.
Como explicamos com detalhes aqui, a piora do crédito rural se deu fruto de um combo de fatores macroeconômicos, com a queda dos preços das commodities e problemas de safra enfrentados nos últimos anos. Mas também graças a um componente jurídico, relacionado a mudanças nas provisões do banco contra calotes e na Lei das Falências, que fez o número de pedidos de recuperação judicial subir muito entre os produtores rurais.
Isso fez a inadimplência da estatal disparar em 2025, pressionando os resultados de tal forma que a instituição se viu obrigada a suspender o guidance para os meses a frente. No consolidado do último ano, o lucro caiu 45% em relação a 2024. Muitos bancos e corretoras cortaram a recomendação do papel, chegando a cair mais de 30% em determinados momentos do ano.
Criou-se uma tempestade perfeita e, desde então, investidores questionam quando – e se – o banco vai conseguir se recuperar. Geovanne Tobias, CFO do banco, afirmou no BB Day este ano que o movimento será de “W”; ou seja, uma trajetória de altos e bancos. No evento, os executivos evitaram antecipar leituras mais detalhadas antes da divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), mas reiteraram o compromisso com o guidance já apresentado ao mercado financeiro.
Em fevereiro, quando apresentou os resultados do 4T25, o banco projetou que o primeiro trimestre de 2026 ainda seria “mais apertado”, com resquícios de operações do ciclo anterior do agro, contratadas antes da implementação dos novos modelos de mitigação de risco. A projeção do Banco do Brasil era de um ROE entre 10% e 13%; distante da média de 20% entregue pelos pares privados.
*Com informações do Broadcast