EURO R$ 6,09 -0,21% MGLU3 R$ 6,75 +0,45% DÓLAR R$ 5,43 +0,00% ITUB4 R$ 24,37 +1,08% PETR4 R$ 33,87 +2,67% ABEV3 R$ 15,00 -0,46% BBDC4 R$ 22,17 +0,09% IBOVESPA 111.289,18 pts +0,98% GGBR4 R$ 27,88 +1,79% VALE3 R$ 84,30 +0,29%
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Mercado

Ibovespa tomba 6,5% em setembro. Veja as ações que se destacaram

Ruídos políticos, preocupações com a China e política monetária foram principais drivers do período

Análise de dados com bolsa de valores em queda (Foto: Evanto Elements)
(Foto: Evanto Elements)
  • O principal índice de ações da B3 iniciou o período aos 118,7 mil pontos e terminou aos 110,9 mil pontos, um tombo de 6,5%. O destaque negativo foram os impasses em torno do mercado chinês
  • Os papéis da PetroRio (PRIO3) registraram as maiores altas do mês. Frigoríficos também se destacaram
  • Já as ações do Inter (BIDI11 e BIDI4) acumularam as maiores baixas do período. Varejo online também ficou na ponta negativa da lista

O mês de setembro pareceu interminável para o Ibovespa, mas os 22 dias ‘traumáticos’ de pregão finalmente chegaram ao fim. O principal índice de ações da B3 iniciou o período aos 118,7 mil pontos e terminou aos 110,9 mil pontos, um tombo de 6,5%. O destaque negativo foram os impasses em torno do mercado chinês.

O governo de Xi Jinping impôs restrições à produção de aço na China, o que fez desabar os preços do minério de ferro, insumo utilizado para a fabricação do metal. Por consequência, os papéis da Vale (VALE3), que têm um peso de 12% no Ibovespa, também acumularam uma baixa de mais de 20% do início do mês até esta quinta-feira (30). A aversão contagiou os demais setores ligados a commodities, como siderurgia, celulose e petróleo.

Fora as interferências de Pequim nas empresas, uma das maiores incorporadoras imobiliárias da China, a Evergrande, deu sinais de que poderia dar um calote nas suas dívidas de US$ 300 bilhões. O temor de que uma falência provocasse um efeito em cascata nos mercados, à semelhança do que ocorreu na crise imobiliária americana em 2008, prejudicou a Bolsa brasileira.

“Foi ficando cada vez mais claro que não deve ter um contágio muito maior (da crise na Evergrande) nem dentro da China, muito menos nos mercados globais”, afirma Rachel de Sá, chefe de Economia da Rico. “Não é uma empresa que representa uma parte relevante do mercado de dívida, não está ligado a grandes alavancagens no resto do mundo.”

A especialista da Rico também ressalta que a aversão a risco em torno da Evergrande tinha também como pano de fundo as preocupações com o ritmo de crescimento econômico da China. “Principalmente porque o setor imobiliário responde por boa parte do PIB chinês, assim como a infraestrutura. Isso tudo mexe com o mercado de commodities, e isso afeta bastante o Brasil, já que 30% da nossa Bolsa é composta por empresas ligadas a commodities”, explica Sá.

Política monetária e risco político

Setembro também foi marcado por expectativas em relação à política monetária. O banco central americano (Fed) começou a sinalizar que irá reduzir estímulos a partir de novembro, o processo chamado de ‘tapering’. “Ou seja, a liquidez global irá diminuir e os juros não devem demorar tanto para subir. Acreditamos que deva acontecer em meados de 2023, de maneira bastante gradual”, explica Sá. “Tudo isso também mexe com a aversão a risco em países como o Brasil.”

No cenário doméstico, o Banco Central brasileiro sinalizou que o ciclo de aumento dos juros poderá ser longo, em função da escalada da inflação. De acordo com o Boletim Focus, a Selic deve terminar o ano no patamar de 8,25% e o IPCA (índice que mede a inflação) em 8,5%, em um cenário mais desafiador.

Os ruídos políticos seguiram como protagonistas em setembro. Em 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro fez manifestações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) que repercutiram mal no Ibovespa durante o pregão do dia seguinte. As discussões em torno da resolução dos precatórios e aumento do IOF também bateram no indicador ao longo do mês.

“Tudo isso azedou bastante e tivemos uma Bolsa performando bastante mal”, explica Pedro Serra, analista da Ativa Investimentos. “Temos agora também uma mudança na perspectiva de risco e custo de capital. Se a Selic tivesse em 4% e a Bolsa entregasse 10%, estava ótimo, mas se a Selic for para 10%, o retorno entregue pela Bolsa deverá ser muito maior. Essa movimentação toda causa muito estresse.”

As 5 ações que mais subiram

EmpresaTickerPreço em 30/09
Valorização acumulada no mês
PetroRioPRIO3R$ 25,031,0%
MinervaBEEF3R$ 10,425,3%
MarfrigMRFG3R$ 25,624,4%
JBSJBSS3R$ 37,019,1%
BRFBRFS3R$ 27,016,0%
Fonte: Mario Goulart (O2 Research)
  •  Petrorio (PRIO3): maior alta

Os papéis da PetroRio foram os que mais subiram no mês de setembro, com uma alta superior a 30% no período, aos R$ 25,05. Somente nesta quinta-feira (30), as ações saltaram quase 10%.

“O mercado precificou hoje uma possível notícia de que a PetroRio teria dado a maior proposta pelo complexo de Albacora, campo bastante relevante que está dentro do processo de desinvestimento da Petrobras”, afirma Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. “Mas ainda não dá pra saber como a Petrobras vai desdobrar isso.”

De acordo com a Arbetman, depois que a PetroRio realizou follow ons (ofertas de ações) no mercado, a empresa está bastante capitalizada para fazer investimentos.

  • Frigoríficos em destaque

Entre os melhores desempenhos, o setor de frigoríficos também se destacou bastante. Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3), JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3) ocupam a lista das maiores valorizações do mês. As altas variaram entre 16% e 30%. Para Pedro Serra, o fato de as empresas terem receita em dólar, que subiu 5,6% no mês, ajudou a puxar para cima os papéis.

“Quando falamos de JBS e Marfrig estamos falando praticamente de empresas americanas”, explica Serra. “Também tivemos aquele evento da Marfrig comprando a BRF, o que deixou a expectativa no mercado de que mais pra frente a companhia possa fazer um movimento maior, até mesmo propor uma fusão.”

Essa também é a visão de Sérgio Berruezo, analista de research da Ativa Investimentos. “Basicamente não aconteceu nada de especial no setor em setembro. Pelo contrário, teve até embargo da China à carne brasileira por conta dos casos atípicos de doença da vaca louca”, afirma. “O que acontece é que a Bolsa brasileira caiu muito e com essa ideia do tapering do Fed e abertura da curva de juros, as empresas de crescimento ficaram mais prejudicadas. Os frigoríficos, por sua vez, acabam não se encaixando nisso. São empresas dolarizadas, desconectadas com a realidade doméstica.”

As 5 ações que mais caíram

EmpresaTickerPreço em 30/09
Valorização acumulada no mês
InterBIDI11R$ 46,6-31,2%
InterBIDI4R$ 15,6-28,6%
VIAVIIA3R$ 7,7-25,7%
AmericanasAMER3R$ 30,9-24,9%
Magazine LuizaMGLU3R$ 14,3-21,3%
Fonte: Mario Goulart (O2 Research)
  • Inter (BIDI11 e BIDI4): a principal queda

Os papéis do Inter se destacam não só como as maiores baixas do mês, mas como os únicos ativos de instituição financeira. A empresa, que está se preparando para sair da B3 e voar para a Nasdaq, viu os ativos derreterem no decorrer de setembro. Somente nos últimos cinco dias, BIDI11 e BIDI4 caíram 20% cada um.

Na esteira das baixas, está o cenário para empresas de tecnologia. Com a elevação das taxas de juros, as empresas de crescimento, como o Inter, tendem a ser impactadas negativamente pois dependem mais de financiamentos. A notícia publicada pelo Broadcast sobre o Inter fazer provisionamento extraordinária em seu balanço também assustou o mercado. A empresa, entretanto, negou a informação.

“O lucro antes de provisões é estável. Mas o operacional é ruim (-6%). Então teve provisão no 2º trimestre, e possivelmente no 3º também”, afirma Mario Goulart, analista da O2 Research.

  • Varejo On-line

O setor que mais se destacou em quedas no mês foi o varejo on-line. A Via (VIIA3) e Americanas (AMER3) foram as principais quedas do setor. Na sequência aparecem os papéis da e Magazine Luiza (MGLU3).

Para os especialistas, a maior aversão a risco no mercado brasileiro afeta principalmente as companhias ligadas a crescimento e ao mercado interno, como as empresas voltadas para o varejo on-line e lojas físicas. “Essas ações tem uma aderência ao apetite ao risco mais forte. Ou seja, quando o investidor, principalmente o estrangeiro, está disposto a comprar Bolsa e adicionar risco à carteira, essas companhias tendem a performar bem. Quando o inverso acontece, elas tendem a performar mal”, explica Serra.

Entretanto, as quedas recentes não significam que os resultados dessas companhias viram ruins no terceiro trimestre. “A base de comparação é muito forte, porque na pandemia essas companhias cresceram muito, se capitalizaram, porque fomos quase obrigados a comprar online durante o lockdown”, explica Serra. “Para frente, o que vejo de cautela para essas empresas é a competição, que de fato está cada vez mais acirrada. Uma competição que será travada nas políticas de frete, velocidade de entrega e chegada de novos entrantes, como Shopee e Alibaba.”

E em outubro?

Para outubro, a visão é de que o mercado continuará com volatilidade e aversão a risco, com os riscos fiscais e políticos ainda no radar. “É difícil entendermos exatamente para onde vai o mercado”, afirma Goulart, da O2.

Essa também é a visão de João Vítor Freitas, analista de investimentos da Toro. O especialista ressalta a surpresa negativa que o mercado acionário teve nesta quinta-feira (30), fechamento do mês, e que deve ter desdobramentos para as próximas semanas.

“No cenário interno tivemos o risco fiscal voltando com força para o radar, após a surpresa positiva sobre a taxa de desemprego (na manhã de hoje)”, explica. “O principal fator foi essa possibilidade de incluir uma extensão do auxílio emergencial na PEC dos precatórios. O mercado está aguardando a solução para os precatórios há bastante tempo e essa extensão acabou assustando bastante, podendo colocar em risco as melhoras graduais que estamos tendo na questão fiscal.”

Contudo, é esperado um cenário de suavização, principalmente para o varejo. De acordo com a Toro Investimentos, apesar das varejistas, principalmente relacionadas ao e-commerce, terem sofrido em setembro, a perspectiva é que correções tão fortes não aconteçam novamente em outubro. Na corretora, as principais recomendações no segmento são Marisa (AMAR3) e Via (VIIA3).

“Estamos iniciando o último trimestre do ano, e o aumento sazonal da demanda por varejo nesta época implica em melhora nas vendas e consequentemente nos números das empresas”, afirmou a Toro em relatório.

A Ágora Investimentos também vê a Vale (VALE3) como um ativo que continua interessante para se ter na carteira. A casa não vê um cenário de ruptura em que as commodities metálicas continuem a se desvalorizar  apesar de reconhecer que nas próximas semanas esses insumos poderão oscilar.

“Esperamos que o governo chinês limite o impacto dos danos, mas vemos possibilidade de volatilidade no minério no curto prazo”, afirma a casa, em relatório. “Mesmo sob uma estimativa de minério de ferro em US$ 90 para 2022 e câmbio à vista, a Vale geraria US$ 20 bilhões em EBITDA e US$ 7 bilhões em FCF (fluxo de caixa livre).”

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