Alívio geopolítico após trégua entre EUA e Irã impulsiona bolsas globais, mas cenário ainda exige cautela (Foto: Adobe Stock)
O cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã trouxe alívio global, ao mesmo tempo que abriu janelas de oportunidades para os investidores, especialmente para aqueles com foco no curto prazo. Ao longo da sessão desta quarta-feira (8), a alta dos ativos tem sido quase unânime nos mercados globais.
Em Nova York, os índices de Nasdaq, Dow Jones e S&P 500 subiam, respectivamente, 2,42%, 2,28% e 2,03%, às 13h (de Brasília). Na Europa, Londres subiu 2,44%, Paris avançou 4,33% e Frankfurt ganhou 4,72%. No Brasil, o Ibovespa registrava alta de 1,81% no mesmo horário, aos 191.669 pontos – na abertura do pregão, o principal índice da B3 renovou sua máxima aos 193.341 pontos. Veja os detalhes aqui.
O comportamento, no entanto, precisa ser acompanhado com cautela pelos investidores. Isso porque a trégua não significa, necessariamente, o fim dos conflitos e novos desdobramentos da guerra podem surpreender negativamente o mercado.
Na tarde desta quarta-feira (8), como mostrou o Estadão, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de 20% da produção de petróleo do mundo, como resposta a uma “violação de Israel ao cessar-fogo” após o país atacar o Líbano, segundo a agência de notícias semioficial Fars.
“As posições devem ser feitas com cautela e respeitando o perfil de risco do investidor, mantendo sempre espaço para liquidez e reservas”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Se o acordo perdurar e as negociações avançarem entre Irã, Israel e os Estados Unidos, a tendência é que as ações dos setores de transporte, varejo e as small caps (companhias consideradas pequenas quando comparadas com as demais empresas na Bolsa) ganhem tração nas próximas semanas.
Em relatório,divulgado nesta quarta-feira, Fernando Siqueira, head de research da Eleven mostra que esses grupos registraram as maiores perdas da Bolsa de Valores durante o mês de março, refletindo a aversão a risco dos investidores em meio a guerra.
“(Nesse cenário) destacamos Renner (LREN3), Localiza (RENT3), Multiplan (MULT3) e Allos (ALOS3). Nestes casos, os resultados têm sido fortes, as tendências eram positivas antes do conflito e a reação com o cessar fogo deve ser favorável”, afirma Siqueira.
As ações do setor financeiro também se beneficiam desse cenário. Ainda de acordo com a Eleven, Itaú (ITUB4;ITUB3), BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3.SA) estão entre os destaques. Segundo Siqueira, essas empresas apresentam bons resultados, negociam com valuation atrativo e possuem boas perspectivas de resultados. “(As ações) tiveram desempenho fraco desde o início do conflito”, acrescenta.