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WEG (WEGE3): Tarifas de Trump pressionam resultados, mas lucro deve permanecer estável no 3T25

Analistas calculam que lucro da empresa pode chegar a R$ 1,8 bilhão no 3º tri de 2025; resultado será divulgado nesta quarta (22)

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

21/10/2025 | 14:11 Atualização: 21/10/2025 | 14:19

Veja as estimativas após o balanço da WEG no 3T25(Foto: Adobe Stock)
Veja as estimativas após o balanço da WEG no 3T25(Foto: Adobe Stock)

A WEG (WEGE3) deve lucrar entre R$ 1,54 bilhão e R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre de 2025, segundo estimativas do BTG Pactual, Fipecafi, Itaú BBA e XP Investimentos. O consenso dos analistas consultados pelo E-Investidor é de que as tarifas de Donald Trump devem pressionar as margens, mas a lucratividade deve se manter resiliente, já que a companhia pode conseguir repassar a maior parte dos custos. A empresa divulga o resultado nesta quarta-feira (22), antes da abertura do mercado.

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A casa mais otimista para o balanço é a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). O professor Humberto Aillon calcula que a empresa deve registrar lucro de R$ 1,8 bilhão, alta de 14,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo ele, os resultados devem ser moderados, com impacto sutil das tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil a partir do dia 6 de agosto.

“As tarifas serão de certa forma limitadas, pelo fato do resultado da WEG ser composto por diversos contratos futuros e negociados anteriormente à taxação. Um ponto que também deve impactar é que uma boa parcela dessas tarifas não foi repassada nos preços finais, provavelmente entre 5%”, diz Humberto Aillon.

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O especialista calcula ainda R$ 10,4 bilhões de receita líquida e um Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 2,350 bilhões. Já o Itaú BBA é o mais conservador: o banco estima um lucro de R$ 1,54 bilhão, queda de 1,91% na comparação com o R$ 1,57 bilhão do terceiro trimestre de 2024.

A baixa do resultado deve ser puxada pela desaceleração da receita e da margem Ebitda em função das tarifas de Donald Trump e da queda do dólar. A baixa na receita será de 2% em relação ao ano anterior, com a desaceleração do segmento de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) dos mercados interno e externo, com tendências semelhantes em relação ao de Geração e Transmissão (GTD).

Conforme as conversas do BBA com a empresa, a WEG provavelmente absorverá parte do aumento tarifário enquanto realoca a produção do Brasil para o México, incorrendo, assim, em custos extras. Embora seja difícil precisar o número, a administração acredita que poderá haver um impacto de alguns pontos-base na margem do terceiro trimestre de 2025 da WEG.

“Estimamos que a margem Ebitda diminuirá em relação ao trimestre anterior para 21,6%, uma queda de 0,5 ponto percentual em relação aos números do segundo trimestre de 2025, principalmente devido ao impacto das tarifas e à menor média do dólar no trimestre”, dizem Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo, que assinam o relatório do Itaú BBA.

Já a XP Investimentos estima um resultado misto da WEG no 3T25, com a lucratividade estável compensada por um menor crescimento orgânico. A corretora também diz que as tarifas de Trump devem impactar o setor de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais, embora esses efeitos sejam parcialmente compensados por ajustes contínuos de preços.

Ainda assim, a corretora espera uma alta de 4% na receita da WEG com uma base comparável elevada devido à incorporação integral da Marathon no terceiro trimestre de 2024. Segundo o banco, as receitas da Volt e da Reivax devem contribuir marginalmente, ajudando a compensar uma taxa de câmbio mais fraca em relação ao ano anterior.

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“Esperamos uma ligeira melhora na lucratividade no terceiro trimestre de 2025 da WEG em relação ao trimestre anterior, com efeitos positivos do mix e repasse contínuo de custos, sustentando alguma melhora marginal de 0,2 pontos porcentuais em relação ao trimestre anterior”, explicam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, que assinam o relatório da XP. A corretora estima um lucro de R$ 1,6 bilhão para a companhia.

O BTG também se mantém nessa faixa intermediária. O banco projeta um lucro de R$ 1,61 bilhão com um Ebitda de R$ 2,26 bilhões e uma receita de R$ 10,4 bilhões. Os números implicam crescimentos respectivos de 2,54%, 1,8% e 5,58% na comparação com o mesmo período do ano passado. Ou seja, a companhia deve apresentar crescimentos limitados pelas tarifas, mas não sofrerá drasticamente com as medidas do presidente americano.

O que fazer com as ações da WEG antes do balanço do 3T25?

Mesmo com o risco do trimestre apresentar algumas dificuldades advindas das tarifas de Trump, os analistas recomendam compra para o papel, com exceção da XP Investimentos, que possui recomendação neutra. A corretora é a única a ter uma posição mais cautelosa em razão dos resultados recentes da WEG e um cenário macro incerto, reforçando a visão de uma desaceleração do crescimento de curto prazo, particularmente nos segmentos mais cíclicos da companhia.

“Embora os fundamentos estruturais permaneçam intactos (e os drivers de crescimento de longo prazo ofereçam riscos de alta), esperamos que o crescimento de lucro se recupere somente a partir de 2027, principalmente quando as expansões de capacidade relacionadas a Transmissão e Distribuição aumentarem”, afirmam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.

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A XP tem recomendação neutra para WEG com preço-alvo de R$ 44 para o fim de 2026, alta de 11,27% na comparação com o fechamento de segunda-feira (20), quando a ação encerrou o pregão a R$ 39,54. Já o BTG tem recomendação de compra para a WEG com preço-alvo de R$ 54 para os próximos 12 meses, crescimento de 36,6% na comparação com o fechamento de segunda-feira.

Os analistas reforçam que uma das chances de crescimento da empresa é pelo mercado de alternadores. Segundo o BTG, com o aumento do consumo de energia — agora ainda mais acelerado pela elevação dos investimentos impulsionados pela Inteligência Artificial (IA) e outros catalisadores — os alternadores fazem parte de um seleto grupo de mercados em crescimento.

“Vemos a WEG bem posicionada para capitalizar essas oportunidades, principalmente à medida que a integração da Regal avança e a empresa fortalece seu portfólio”, relatam Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, que assinam o relatório do BTG.

Para Humberto Aillon, professor da Fipecafi, a companhia está cada vez mais versátil, principalmente após novos investimentos em mobilidade elétrica, com a aquisição da Tupinambá Energia, devendo possibilitar uma forte expansão internacional e novas fontes de receitas dolarizadas. O professor diz que manter o papel na carteira é uma boa opção e calcula um preço-alvo de R$ 51,35 para os próximos 12 meses, avanço de 29,9% em relação ao último fechamento.

O Itaú BBA mantém recomendação de compra para WEG (WEGE3), mas adota uma visão mais cautelosa no curto prazo. Os analistas enxergam alguns problemas em relação às tarifas de Donald Trump, visto que a WEG gera cerca de 10% de sua receita nos EUA. Ainda assim, eles dizem que o papel está atrativo após um desempenho muito abaixo do Ibovespa. A WEG cai 25% em 2025 e o principal índice de Bolsa avança 20% no mesmo período, gerando um preço atrativo para compra na comparação com os pares. O Itaú BBA tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 46, avanço de 16,33%.

“Vemos a WEG com um Preço sobre Lucro (P/L) de 24,9 vezes na média e com um P/L de 23,1 vezes em 2026, o que, embora descontado em relação aos níveis históricos, parece indiscutivelmente esticado considerando o momento atual dos lucros”, reforçam Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo.

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O investidor deve esperar um balanço morno da WEG (WEGE3), com as tarifas ofuscando o bom desempenho da empresa em outros segmentos. Ainda assim, a companhia segue vista como sólida e resiliente em um cenário macroeconômico desafiador. A recomendação das casas de análise é de compra, com foco no longo prazo.

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